gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Sivuca

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13 05 2012

Meditônomo: entrada franca

Em João Pessoa, sentado no terraço de sua casa, faz orações de sanfona na mão. Apelidado Meditônomo, o terraço é seu altar. Seu deus é aquele Todo Poderoso, que ouve música e sabe dançar. Somente trabalho o traz a São Paulo, sorte do Gafieiras… E tudo começou numa terça-feir

13 05 2012

Se eu não estudasse música, seria sapateiro

Sivuca – (...) num dia de Santo Antônio, era 13 de junho de 1939, quando meu pai trouxe pra meu irmão uma sanfona de 2 baixos, um pote cheio de mangaba e um filhote de gato no bolso do casaco. Era uma terça-feira. Aí eu comecei a tocar e não larguei mais. Ricardo Tacioli – O senhor l

13 05 2012

O Guerra-Peixe me encaminhou para as orquestrações

Tacioli – E essa vontade nasceu quando o senhor assistia a organista? Sivuca – É, logo cedo. Quando eu tinha 8 anos fui fazer a primeira comunhão e lá escutava aquele som bonito do harmônio. Eu queria tocar aquele instrumento, mas passou. Peguei a sanfona e pronto. Aí fiquei com sanf

13 05 2012

Tem gente que toca muito bem, mas não é albina

Dafne – E o apelido Sivuca surgiu como? Sivuca – Essa é uma boa pergunta. Quando eu cheguei em Recife, em 1945, fiz o primeiro programa da Rádio com o nome deste tamanho assim, Severino Dias de Oliveira. Aí o maestro Nelson Ferreira [n.e. Nelson Heráclico Alves Ferreira (1902-1976),

13 05 2012

Há uma escola brasileira de sanfona

Tacioli – Sivuca, só uma definição: é sanfona ou acordeão? Sivuca – Tanto faz. Tacioli – Porque eu li numa matéria que você não gosta de acordeão? Sivuca – Não gosto?! Pode chamar por qualquer nome. Agora, que sanfona é o nome que quase 40 milhões de nordestinos dão

13 05 2012

“Conte comigo quando chegar ao Rio”, disse o Gonzagão

Seabra – Sivuca, como foi o seu primeiro encontro com Luiz Gonzaga? Sivuca – Meu primeiro encontro com Luiz Gonzaga foi em 46 na Rádio Clube de Pernambuco. Eu tocava lá e ele, já famoso, foi fazer uns programas lá. Chegou e me viu tocando. Falou, “Que diabo é isso? Como é que se

13 05 2012

“Na minha banda eu não quero nenhum boêmio!”

Tacioli – Sivuca, como é sua relação com Itabaiana? Você visita a cidade? Sivuca – Volta e meia eu ia lá. Aliás, o afinador da minha sanfona era de Itabaiana. Era um senhor, tinha uns 60 anos, muito inteligente. Era ele quem fazia as geladeiras elétricas que chegavam lá, adaptava

13 05 2012

“Sivuca, no mundo existem flautistas e Altamiro Carrilho”

Almeida – A primeira vez em que você foi pra Europa, você era muito novo? Sivuca – Para Europa? Eu tinha 28 anos. Almeida – E como foi essa experiência? Sivuca – Em 1957, uma lei passada no Congresso pelo então presidente Juscelino Kubitschek promovia a divulgação da músi

13 05 2012

Eu tinha a carteirinha do Partidão

Almeida – Por que erro de cálculo? Sivuca – Erro de cálculo, sim, porque em 1º de abril houve aquela coisa que se chamou de revolução. Aí eu fiquei numa situação meio lusco-fusca, porque eu tinha a carteirinha do Partidão. Mais cedo ou mais tarde eu ia ser pego, no mínimo pra s

13 05 2012

"Vou levar seu guitarrista comigo", disse Belafonte

Tacioli – Sivuca, como apareceu a oportunidade de trabalhar com a Miriam Makeba? Sivuca – Miriam Makeba foi em 1965, no final do ano. Ela precisava de um violonista, um contrabaixista e um percussionista. Aí eu fui lá fazer um teste de violão na mão. Quando me mostravam como era o ri

13 05 2012

Participei da campanha O Petróleo é Nosso

Seabra – Sivuca, eu queria voltar, se você quisesse falar a respeito, sobre o que te levou a tirar uma carteirinha do Partidão? Sivuca – Ideologia. Participei ativamente, garotão com 19, 20 anos, da campanha o Petróleo é Nosso; e lá em Recife eu tocava em comício, fazia discurso in

13 05 2012

A música é dividida em duas: a boa e a ruim

Felippe – Sivuca, esse momento da sua vida profissional, depois de ter percorrido tantos gêneros com tantos repertórios gravados e executados no Brasil e no mundo, como você caracterizaria essa vinda para o âmbito mais erudito? Sivuca – Eu não diria que foi o último estágio da min

13 05 2012

Os garotos precisam estudar teoria musical

Tacioli – Sivuca, você acha que a música erudita no Brasil pode ter um caráter popular? Sivuca – Não só pode, como já é. Você tira, por exemplo, Villa-Lobos [n.e. Maestro, compositor e violoncelista carioca (1887-1959)], Radamés Gnattali [n.e. Pianista, regente, compositor e arr

13 05 2012

O Brasil não precisa de imitação

Tacioli – Sivuca, dos músicos novos que estão tanto em rádio como lançando discos, quem lhe atrai musicalmente, quem você acha interessante? Sivuca – Olha, tem muita gente boa aí. Por exemplo, aqui tem um grupo que está meio esquecido, mas é um grupo e tanto, que é o Pau Brasil,

13 05 2012

Eu usava “João e Maria” pra fazer serenata em Recife

Tacioli – Sivuca, o Chico fez a letra de “João e Maria”. Como foi seu primeiro contato com ele? Sivuca – Foi através, é claro, da fama. Eu já o conhecia, mas quem me apresentou ao Chico foi o saudoso Paulo Pontes, teatrólogo, que estava organizando o repertório para uma apresen

13 05 2012

Ainda não escutei “Adeus, Maria Fulô” com os Mutantes

Tacioli – Sivuca, de música cantada de sua autoria, essa foi a de maior sucesso? Sivuca – Os grandes sucessos foram: “Adeus, Maria Fulô”, que eu fiz em parceria com Humberto Teixeira, e que foi gravada originalmente em 1950 por Camélia Alves. Muitos anos depois, o Secos e Molhados

13 05 2012

A Rosinha é uma das insubstituíveis

Dafne – O que foi tão legal no encontro com a Rosinha de Valença? [n.e. Célebre violonista e compositora fluminense (1941-2004)] Sivuca – Eu conheci Rosinha quando eu ainda trabalhava nos Estados Unidos. Ela trabalhava com Sérgio Mendes. E, é claro, aconteceu uma amizade entre uma R

13 05 2012

Um disco em que eu faria tudo de novo

Tacioli – Sivuca, você tem uma carreira discográfica extensa, mais de 50 discos. Dessa discografia, quais títulos você mais gosta, tem uma relação carinhosa ou uma história interessante? Sivuca – A minha carreira discográfica começou de fato quando passou a ter, digamos assim, a

13 05 2012

Ouvir rádio é uma maravilha

Tacioli – Sivuca, como é o seu cotidiano? O que você gosta de fazer? Sivuca – Eu gosto de ficar em casa, ler vez por outra, porque sou um pouco preguiçoso. Ouvir rádio, então, é uma maravilha. E agora eu tenho um terraço, que apelidei de meditônomo. É onde eu me sento pra contem

13 05 2012

O Hermeto é igual ao Brasil, não sabe o que possui

Tacioli – Sivuca, o que o senhor ouve em rádio hoje? Sivuca – Nada. Às vezes, a Rádio Cultura FM, porque eu gosto muito de escutar clássicos. E da música brasileira atual escuto somente alguns instrumentais. E tem coisa boa da música de câmara. Por exemplo: tem um Villa-Lobos grava