gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Riachão

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04 06 2012

Para qual lado você dribla?

Dois entrevistados de uma vez. Refém não da circunstância, mas da oportunidade, o Gafieiras propôs a entrevista conjunta, realizada primeiro com Mestre Antônio Vieira e depois com Riachão, terminando-a com os dois em volta da mesma mesa. Tal como aconteceria no show do projeto Sotaques do samb

04 06 2012

"Você tem fôlego pra gravar isso?"

[Dafne Sampaio e Sérgio Seabra conversam com Seu Vieira à beira-piscina enquanto Ricardo Tacioli procura uma extensão para o gravador de mini-disc] Antônio Vieira – (...) Teve um concurso de folclore em Santos há uns 3 ou 4 anos, com todos os estados do Brasil. E nesse concurso tiramos

04 06 2012

Um dia o Brasil vai conhecer o meu trabalho

Tacioli – Chegou a extensão! Vamos parar um pouco. A gente já começa. [Riachão chega cantarolando] Vieira – Isso aí é um dínamo. Isso não pára! Tacioli – Seu Vieira, o senhor pode colocar o microfone, por favor? Vieira – Fica mais perto, né? Tacioli – O senhor prefer

04 06 2012

A Alcione gravou pouca música do Maranhão

Seabra – E nesse cofo havia músicas com as letras e partituras? Vieira – Não, as partituras não tem. Tem somente a parte musical. Agora, tem as letras e as entrevistas das pessoas que conheceram meu trabalho, que prestaram depoimento, né? Um livro grosso. Agora, esse livro é interessa

04 06 2012

Reggae não é música do Maranhão

Tacioli – Seu Vieira, e qual é o som do Maranhão? Ele tem um? Vieira – Tem um som especial. E eu convido a vocês para que visitem o Maranhão na época de junho, de 20 a 30 de junho. Música falada não adianta, tem que ser ouvida. Pra vocês chegarem e ouvir as músicas do Maranhão na

04 06 2012

Meu tempo era esse mesmo!

Tacioli – Seu Vieira, o senhor acha que demorou muito tempo pra sua obra ser conhecida? Vieira – Não, eu acho é o seguinte: nós morarmos no extremo Nordeste, que é muito mais longe do que a Bahia, que está bem aí. O Maranhão está no extremo Nordeste. Aí é difícil, com pouco recu

04 06 2012

Sempre fui solitário!

Seabra – O senhor não gravou, mas a música estava muito presente no seu dia a dia. Como era isso? Vieira – A música é a minha distração. Chego do meu trabalho, pego meu violãozinho e vou para meu quarto. Seabra – Mas sempre foi uma coisa mais solitária ou o senhor era um músico

04 06 2012

A função da música é tornar a pessoa melhor

Tacioli – Mudou muito o Maranhão da juventude do senhor pra hoje? Vieira – Como todo, tudo tem progresso, né? Na natureza nada estaciona, tudo é progressivo. Mas muita coisa que nós ainda conservamos, aquele tradicionalismo, principalmente a minha geração, a mais velha, né? Agora a

04 06 2012

Fui sargento do Exército na época da Guerra

Tacioli – Seu Vieira, nos anos 40 o senhor participou dos Anjos do Samba, um quinteto? Vieira – Eu fui sargento do Exército na época da Guerra. Fui convocado. E lá eu fiz ligações com alguns músicos desse grupo, os Anjos do Samba. Aí eles vendo a minha habilidade como compositor, n

04 06 2012

Preto tem que saber alguma coisa pra não ser carregador

Seabra – A música que você compunha era sempre acompanhando uma letra que você estava fazendo? Vieira – Não, é o seguinte: primeiro escolho um tema. Depois de escolher o tema, vou à letra. Depois de fazer a letra, vou para a música. Eu sempre escolho um tema. Por exemplo: a música

04 06 2012

"Porque a noite negra é muito feia"

Seabra – Só retomando, o senhor ia contar a história do “Poema para o azul”... Vieira – Pois bem, então a minha madrinha disse assim, “Rapaz, por que tu fica só olhando para o céu azul?" Eu a chamava de tia, porque ela me tratava como sobrinho. "Titia, porque a noite negra é mu

04 06 2012

Minha avó era uma mulata, filha de escravo

Seabra – Então, para terminar essa história da letra da música. O senhor faz a letra, mas a música o senhor faz na cabeça e sai cantando, não é ao violão? Vieira – Antigamente eu não fazia ao violão. Hoje eu pego o violão pra fazer, porque já sei tocar um bocadinho. Seabra –

04 06 2012

Gosto das músicas românticas

Tacioli – Falamos bastante sobre os temas para as composições, mas há um dele em que o senhor mais privilegiou, um tema mais recorrente? Vieira – De que eu goste mais? Tacioli – Qual é? Vieira – São as músicas românticas que vocês não conhecem ainda. Todo mundo acha que eu s

04 06 2012

Não procuro dicionário pra botar palavra em música

Tacioli – Seu Vieira, o senhor compõe há muito tempo. Qual foi período mais produtivo? E por quê? Vieira – Não, eu não tenho período criativo, porque eu venho compondo... Olha, a minha distração é compor. Tacioli – Mas houve uma época em que o senhor compôs mais? Vieira

04 06 2012

Fui criado ouvindo música clássica

Tacioli – Seu Vieira, já vamos conversar com o Riachão, mas antes gostaria de fazer mais duas perguntas. Dafne – Três. Quero fazer a minha. Tacioli – O senhor foi criado com essa família, né? Vieira – Família dos Lomba. Tacioli – O que o senhor ouvia lá, já que era uma

04 06 2012

No Maranhão há muita gente loura

Dafne – Todo mundo sabe, agora nem tanto, mas sempre foi difícil viver exclusivamente de música no Brasil. Na época do senhor era ainda mais. Então pra sobreviver... Vieira – É, você tinha de aprender muita coisa. Dafne – Eu queria que o senhor contasse um pouquinho das atividad

04 06 2012

Fiz o primeiro jingle para a Cola Guaraná Jesus

Luiz Paulo Lima – Posso fazer uma pergunta? Falamos de Deus aqui, mas lá no Maranhão Jesus é rosa, né? Conta essa história da Cola Jesus. Vieira – Lá nós temos um farmacêutico-químico que criou várias coisas. E uma das coisas que ele criou foi um refrigerante que hoje é chamado

04 06 2012

Vou ouvir o que o Riachão vai dizer

Seabra – Agora, Seu Vieira, a gente vai pegar o Riachão, que está quietinho, louco pra falar. Vieira – Que é um dínamo, um dínamo. Isso não pára! Seabra – Então, apresenta o Riachão pra gente. Quem a gente vai entrevistar agora? Vieira – Olha, fui conhecer o Riachão em pes

04 06 2012

A música vem de vez no meu juízo

Tacioli – Logo que nós chegamos, vocês estavam tomando café. O que vocês conversavam ali, você pode falar pra gente? Essa é a primeira vez que vocês vão tocar no mesmo palco, né? Riachão – É, naturalmente para mim vai ser um grande prazer. Aqui em São Paulo tive momentos outros

04 06 2012

Vocês perdoem o meu esquecimento

Tacioli – Você falou que, com exceção das outras músicas, a da Rainha Elizabeth é uma das músicas invocadas. Há alguma palavra diferente...? Riachão – Sim, porque ela é um samba-canção e não é uma música assim do va va va, como “Cada macaco no seu galho”, “Pitada de taba

04 06 2012

Chegou um mensageiro com uma camisa de Pelé

Tacioli – Em relação a São Paulo, o que você se lembra, Riachão? Riachão – Estive em São Paulo pela primeira vez graças a uma reunião realizada pela Rádio Sociedade da Bahia. Meu caso todo é sempre música. Eu vim em um ônibus. E, no caminho, Jesus mandou um samba. Esse samba hom

04 06 2012

Entrei no rádio cantando música sertaneja

Tacioli – Riachão, como era o Batatinha? Riachão – Batatinha foi um grande amigo, companheiro lá da Bahia. Ele trabalhava como datilógrafo, na imprensa, e eu como cantor. Eu fui cantor primeiro que Batata. Batata entrou pra ser artista na chegada de Antônio Maria. Antônio Maria foi qu

04 06 2012

Eu bebia, mas cumpria a minha obrigação

Tacioli – Trinta anos ali, Riachão, sempre cantando música sertaneja? Riachão – Não. Fui cantando no começo. Em dado tempo, eu cantava também meu chorinho sertanejo, umas músicas que eu fazia, uns ranchozinhos, “Linda Morena”. [canta] "Ô minha linda morena / Eu tenho pena de te..

04 06 2012

Eu era levador de irmãos para o cemitério

Seabra – Isso, na verdade, foi uma transformação da sua vida...? Riachão – Da minha vida, de sertanejo para o samba. Seabra – Nessa época você estava mais boêmio? Riachão – Não, a boemia sempre foi comigo, desde nove aninhos de idade que eu canto. Tomar cachaça comecei com

04 06 2012

"Riachão, esta mulher quer te levar para o Rio"

[Já no 27º andar] Riachão – Nós estávamos... Tacioli – Vamos esperar eles encerrarem ali. Riachão – Mas foi emocionante esse dia da Rainha Elizabeth. Tacioli – Qual foi a repercussão? Riachão – Havia muita gente pra ver a chegada dela, muita alegria. Mas mais emocionante

04 06 2012

A beleza do Carnaval da Bahia se acabou

Seabra – E sua história com o Carnaval de Salvador? Você participava? E como foi com a chegada dos trios elétricos? Riachão – É, a beleza do Carnaval da Bahia se acabou, porque no Carnaval da Bahia daquele tempo o povo ficava na avenida, em toda a avenida, a família sentada na porta. T

04 06 2012

Eu não canso de falar!

Tacioli – E hoje, Riachão, onde você fica, o que você faz no Carnaval? Riachão – Só fiz um Carnaval tem aí dois, três anos, por causa do filme. O produtor do filme queria fazer uma passagem, não sei nem se essa passagem não passou no filme, porque eles gravam muitas coisas, mas mui

04 06 2012

Carnaval é gozação

Vieira – Uma vez eu fiz uma música de Carnaval no Maranhão, no tempo da eleição. Era mais ou menos assim: [canta em ritmo de marcha] "Lá vem a corriola de puxa-saco, marreteiros e cartola / Lá vem corriola / Quem conhece (...) / Faz o povo não dar bola / Pra ele não tem polícia / Não

04 06 2012

O malandro chorava porque o samba estava morrendo

Tacioli – Riachão, como perguntamos para o Seu Vieira, você acha que a sua vida teria sido diferente se você tivesse vindo pro Rio? Riachão – Eu acredito que estaria diferente. Porque aqui no Rio de Janeiro e em São Paulo – São Paulo naquele tempo não, mas agora é uma boa para qu

04 06 2012

A rádio me chamava de Cronista Musical da Cidade

Seabra – Riachão, quando Jesus lhe manda um samba, ele manda inteirinho? [risos] Riachão – Inteirinho. Seabra – Você depois não tem que dar uma trabalhadinha? Riachão – Não, não, não. Vem logo assim. Todo samba vem logo, como eu cantei o negócio da baleia pra vocês e tant