gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Programa Ensaio

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10 07 2012

O silêncio vem de Laranjeiras

A voz, densa e repleta de pausas, fôlegos e lembranças, corria. Driblava o foco do abajur, flertava com a mesa forrada de lanches e biscoitos de polvilho, e dialogava com o alto-falante de Laranjeiras. Cravado no sofá, com o corpo fixo e com os olhos libertos e ligeiros, seu dono, Fernando Faro.

10 07 2012

Quem vai ser meu pai agora?

[Enquanto a equipe prepara os equipamentos de gravação] Sérgio Seabra – Esse gol do Alex você viu? Ricardo Tacioli – Eu não vi esse, não! Max Eluard – Como corintiano, eu tive de engolir. Seabra – Eu, como são-paulino, bati palmas. Fernando Faro – Mas foi um gol fantá

10 07 2012

Quero montar uma televisão, respondi ao Boni

Tacioli – Que imagem você construiu dele depois de sua morte? Faro – Fui para a Globo em 76, 77, e foi um negócio assim: saí da Cultura e o pessoal da Tupi foi em cima de mim. Saí da Cultura de manhã e à tarde o pessoal da Tupi já estava lá. Aí eu disse: "Tudo bem, vamos acertar o

10 07 2012

O Marçal tlocava a letla!

Ana Costa Santos (Analu) – Quais discos? Faro – Com o Marçalzinho, você o conhece? É o Marçal cantando as coisas do pai e do padrinho dele, o Bide [n.e. Marçal interpreta Bide e Marçal, EMI-Odeon, 1978]. Tacioli – Saiu pela Som Livre? Faro – Não. Gravei na Odeon. Foi uma hi

10 07 2012

Não tenho boa memória. É a qualidade da emoção

Seabra – A sua memória é boa? Faro – Não, não tenho boa memória, esqueci essa música. [risos] Seabra – Mas, em geral, você considera que sua memória é boa? Faro – Baixo, não é que eu tenha boa memória, tenho sabe o quê? Acho que é a qualidade da emoção. Entende o

10 07 2012

Meu primeiro emprego foi num jornal comunista

Max Eluard – O seu grande trabalho é na televisão. Faro – É. Max Eluard – Você nasceu em Laranjeiras. A televisão chegou lá outro dia. Como? Qual é a relação da televisão com Laranjeiras? Faro – Baixo, não tem. A relação da televisão com Laranjeiras é a seguinte: eu

10 07 2012

E o Ensaio começou assim...

Max Eluard – Mas e a música, Faro? Faro – Baixo, a música entrou de uma forma! Quando saí da Paulista, depois que fiz aquele teatro do "Inácio Brinquinho", fui para o jornal, porque o Costinha chegou e disse, "Figura, não dá para te trazer para o Artístico, porque ele está sobreca

10 07 2012

Mas que merda de cantor! Chamem o Nelson Gonçalves!

Seabra – Você era repórter de geral? Faro – Não, eu era o diretor do jornal. Isso durou dois anos. Até que cheguei para o Rizini e disse: "Rizini, não quero mais." "Mas você não pode parar!" "Não, não quero." Não agüentava fazer aquele caminho – da minha casa, passar pela rua

10 07 2012

Você está no ar, Décio! Faz alguma coisa!

Max Eluard – E o Móbile? Faro – O Móbile foi o seguinte: um dia o Cassiano chegou para mim, em 62, 63. "Baixo, você precisa fazer um programa para mim, sábado à noite, onze e meia." Eu disse, "Tudo bem. O que você quer?" "Ah! Faz o que você quiser!" [risos] "Não, Baixo, o quê? "Nã

10 07 2012

Quando faço o Ensaio, tento me comportar como um alquimista

Max Eluard – Nesse experimentalismo todo, tinha uma busca consciente ou você ia na intuição? Faro – Consciente... Tinha sim. Por exemplo, eu acreditava e acredito muito num negócio chamado cruzamento de mídia, de linguagem. Por que o Joyce? Por que o Lewis Carroll? [n.e. Autor de Alic

10 07 2012

Tudo o que o brasileiro fala e faz é brasileiro

Max Eluard – Você teve alguma formação musical? Faro – Não, nenhuma educação musical. Só rádio. Max Eluard – Você era um bom ouvinte? Faro – Sei manejar muito bem aquele aparelho. [risos] Analu – Você ouvia muito rádio em Laranjeiras? Faro – Muito. Era só o qu

10 07 2012

Não conheço música, mas eu sinto quando um treco está bom

Max Eluard – Quantos discos você produziu, Faro? Faro – Ih! Disco à beça, Baixo! [silêncio] Dos quais eu me lembro? O primeiro disco da Cristina, o segundo, o terceiro. O primeiro disco do Gudin, o disco do Paulo Cesar Pinheiro, a maioria dos discos do Paulinho da Viola, disco do Marça

10 07 2012

Onde está a verdade?

Max Eluard – Onde a música mais te realiza, Faro? Faro – Baixo, eu sempre falo para os alunos "Se eu der duas músicas para vocês, por exemplo, 'Travessia' e 'Índia', em qual vocês votam?" "Travessia" é um negócio fantástico, os acordes do Milton. É difícil você imaginar que um m

10 07 2012

Música de qualidade é uma coisa elitista

Tacioli – Baixo, você falava que a memória que te guia não é a cronológica, é a afetiva. Pensando na música, você consegue determinar o momento em que viu que a preservação da memória da música era importante e quando começa a se pautar por isso? Faro – Sabe o que é, Baixo

10 07 2012

Escuto um pianinho e descubro que é o Johnny Alf

Analu – Onde você conheceu João Gilberto? Faro – O João Gilberto? Na Tupi. Havia um programa apresentado pelo Hélio Souto e um dia o João foi participar. Ele chegou cedo – o que é raro – e ficou no estúdio. Ele contou uma historinha que eu acho incrível. Ele disse que na Bah

10 07 2012

Preservação da memória é sobrevivência

Max Eluard – Faro, só mais uma pergunta: do seu trabalho, o que você acha que vai ficar pra música? Qual é o seu legado pra música? Faro – Todo esse trabalho que eu fiz com o MPB Especial, com o Ensaio, com os discos, com os teatros. Tudo isso eu acho que vai ficar. O Ensaio, o MPB s