gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Ná Ozzetti

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23 02 2008

Uma palavra de cada vez

Era a segunda vez que o Gafieiras saía de São Paulo para entrevistar alguém. O cantor e compositor Noite Ilustrada foi o primeiro a receber a equipe, lá em Atibaia em 2001. Sete anos depois, já sem o Fusca creme de Daniel Almeida, o Gafieiras corre para Jundiaí, cidade vizinha da capital pauli

23 02 2008

O que mais penso é se os bichos estão felizes

Ricardo Tacioli - Aquela entrevista que fizemos aqui, Ná, foi em 2000, 2001... [ n.e. Entrevista em vídeo conduzida por Max Eluard, Ricardo Tacioli e Daniel Almeida meses antes do surgimento do Gafieiras ] Ná Ozzetti - Foi 2001, depois fiquei lembrando. O festival [da Globo] foi em 2000. E

23 02 2008

Minha brincadeira era na rua

Almeida - Ô, Ná, você é de São Paulo... Sempre viveu em São Paulo antes de vir pra cá [pro sítio no município de Jundiaí]? Ná - Sempre. Almeida - E como era sua relação com os bichos morando numa cidade grande? Ná - Quando era criança morava em casa. Sempre cresci com cachorr

23 02 2008

Vi aparecer a luz de mercúrio, que pra nós foi a glória

Max - Acho que você viveu a perda dessa cidade que você cresceu, né? Ná - Eu me lembro que, quando era criança, a rua não era nem asfaltada. E aí fizeram um loteamento, um tal de Parque Antártica. Parece que era tudo arborizado ali perto do Palmeiras; aí lotearam e meu pai foi daquela

23 02 2008

Meu prazer é o que virá

Tacioli - E como é sua relação com o tempo? Você tem saudade ao olhar a infância, os anos 1960, a adolescência...? Como você lida com o tempo? Ná - O passado... Olha, não sou muito de sentir saudade. Não tenho saudade de nada. Lembro com prazer das coisas boas, das ruins trato de esq

23 02 2008

O ideal de cidade sempre foi o Rio de Janeiro

Tacioli - Essa sua vinda pra Jundiaí tem a ver com sua relação com a casa da infância, de ter um quintal, um espaço? O que você buscou vindo pra cá? Ná – Depois que estava aqui fiz uma associação... No primeiro momento não foi com a casa, nem com a infância. Na verdade, sempre go

23 02 2008

Se tiver que voltar pra cidade, volto

Max - O que você ganhou já de mudar pra cá? O que mudou na sua vida? Ná - Primeiramente, deixa eu só responder uma pergunta que acho que foi o Tacioli fez... Eu não estava infeliz na cidade, de jeito nenhum, não procurei... Max - (...) Fugir. Ná - Não! O que aconteceu foi o seguint

23 02 2008

Quer algo mais paulistano que Titãs e Rita Lee?

Dafne - Ná, você falou agora do Rumo, de ser um negócio tipicamente paulistano, e toda sua carreira aconteceu em São Paulo. O que tem de bom e de ruim em ser tipicamente alguma coisa, no caso, paulistano? Ná - Digo tipicamente paulistano porque a gente foi criada na cidade, e de certa for

23 02 2008

Eu vivia para o Rumo, não vivia para a Ná

Tacioli - Você acha que a Ná Ozzetti em carreira-solo tem uma comunicação diferente com o público daquela da época do Rumo? Ná - É que no Rumo não existia a Ná Ozzetti. Eu vivia para o Rumo, não vivia para a Ná, entende? Acho que o grupo tem isso, o que é muito bacana. Tinha o mai

23 02 2008

O Dante era o campeão dos festivais

Max - Você, a Marta [Ozzetti, flautista] e o Dante [Ozzetti, violonista, compositor e arranjador] começaram a se interessar por música juntos? Como foi? Ná - Nossa família sempre gostou muito de música. A gente ouvia muita música em casa. Então já tinha essa vontade e estudamos numa e

23 02 2008

Queria aprender a cantar rock daquele jeito

Max - Qual foi a primeira [cantora] que você cantou igual? Ná - A primeira de todas, sem pensar em técnica, foi a Rita Pavone. Depois, na sequência, a Elis Regina, desde a aparição dela no festival... Tacioli - Desde a Brotolândia? [ n.e. Referência ao disco Viva a Brotolândia, o pri

23 02 2008

Eu era uma esponja captadora

Max - Agora, apreciação de gênero e de estilo, você não tinha muito preconceito também, rock, Bethânia... Dafne - Junto com essa pergunta. Pra você, as coisas que você gostava, elas iam se acumulando ou uma descoberta negava a outra? Ná - Acho que iam se acumulando. Porque a paixão

23 02 2008

Minha voz se aproximava mais da brejeirice da Carmen Miranda

Almeida - Como foi sua primeira apresentação como cantora, independentemente de estar num banda ou não? Você estava cantando igual à Elis ou à Bethânia? [risos] Ná - A primeira vez que me apresentei foi como backing do Dante [Ozzetti] num desses festivais de colégio. Era um samba. Tin

23 02 2008

Era muita teoria pra mim; queria cantar!

Dafne - Ná, como foi o seu primeiro contato com o canto falado? Ná - Primeiro, entrei no grupo. Tacioli - Entrou como? Ná - Vou explicar então. Estava cursando Artes Plásticas e vivia cantando. Essa fase das Artes Plásticas foi a que mais cantei na vida porque tinha que fazer os traba

23 02 2008

A emoção era musical

Tacioli - Isso era 70 e... Ná - Isso era 1979. Comecei a cantar as músicas do Sinhô pra esse novo trabalho, e na minha cabeça era isso... Cada compositor do Rumo cantava sua própria música e como eu não compunha, então não ia cantar as músicas do Rumo. Só cantaria mesmo as dos antig

23 02 2008

O Rumo fazia música por diletantismo

Tacioli - Como era rotina do grupo? Ná - Nossa, super organizado, super... A gente tinha ensaios semanalmente, umas três vezes por semana. Primeiro, na casa do Hélio. Eram sempre à noite porque a essa altura todo mundo já trabalhava. O Rumo fazia música por diletantismo. Todo mundo tinha

23 02 2008

O Itamar era um general

Tacioli - Mas aquela postura rock'n'roll que você falou da Rita Lee, que lhe causava admiração, você exercitava isso de alguma forma no Rumo? Me parece que o Rumo era muito comportado: tinham os ensaios, todo mundo estudava... Daniel - Muito acadêmico... Ná - É. Tacioli - E ao mesmo

23 02 2008

Foi um sucesso, o Rio de Janeiro entendeu o Rumo

Almeida - Você pontuaria alguns momentos do Rumo que foram plenos? Ná - Olha, acho que todo o tempo que o Rumo existiu foi bacana, sempre foi pleno. Acho que teve um momento muito especial que foi o Rio de Janeiro. A gente, em 1983, foi fazer uma temporada lá de duas semanas. E era de quart

23 02 2008

Quantas vezes não ouvi isso: "Você canta?"

Tacioli - Você falou dos circos no Rio de Janeiro. Em São Paulo, onde eram esses pontos de concentração? Ná - Nessa época, o Lira Paulistana começou a fechar e surgiu o SESC Pompeia, que foi a primeira ação cultural do SESC. E o Rumo começou a fazer suas temporadas lá; e não soment

23 02 2008

"Quantas pessoas estão assistindo a gente?" "51 milhões!"

Tacioli - Falando em TV, fora o programa Fábrica do Som, o Rumo... Ná - A gente foi no Fantástico uma vez, acredita? Dafne - Teve o clipe do Fernando Meirelles [ n.e. da música “Bem alto” ]... Ná - Mas não deu em nada. [risos] Aquilo e nada foi a mesma coisa, porque também não e

23 02 2008

Eu compraria esse disco?

Max - É algum dilema pra você pensar nessa questão da comunicação com seu público e o que você fazer da sua verdade? Como equalizar essas duas coisas? Ná - Olha, pra mim, se faço um trabalho, se me dedico a um trabalho, pra mim é ele ali. Não tenho problema com isso. Claro, se não

23 02 2008

Quando entrei no Rumo fui estudar canto lírico

Tacioli - Antes da gente começar oficialmente a entrevista você dizia que estudou os cachorros, como também as árvores. Essa questão da profundidade, quando você gosta de um assunto, sempre permeou sua vida? Gostar de cachorro é uma coisa, mas gostar e estudar é outra... [risos] Ná -

23 02 2008

Tentei montar uma fábrica de macarrão com um amigo

Max - Como você se vê como artista? Qual a sua função como artista? Você pensa nisso? Ná - Não penso muito nisso, da minha função. Eu faço, não sei... Max - Não no sentido de ser útil, mas qual o seu ofício, qual o mandato da artista? Ná - Na verdade, faço música por amor

23 02 2008

Dei aula pro Tony Bellotto

Max - Você tinha prazer em ensinar? Ná - Sim. Ver uma pessoa progredir... Tem alunos que te dão muito prazer, uns mais que outros. Sim, tinha muito prazer em dar aulas. Hoje é difícil conciliar porque sobra pouco tempo, mas naquele momento... Tinham alunos que me estimulavam. É engraçad

23 02 2008

Sou super espiritualizada, mas não lido com religiões

Tacioli - Ná, como você lida com o fim das coisas? Ná - O fim? Depende do que, né? [risos] Tem coisas que dou graças a Deus que terminam, tem coisas que são muito dolorosas, depende do quê... Tacioli - Fim da vida. Ná - Não gosto nem de pensar nesse assunto. Mas é engraçado... A

23 02 2008

Nossa, tô falando de uma forma tão hermética

Ná - Tem uma coisa que acho muito interessante e que meu professor de ioga fala porque a gente fica muito na mente... O que é a meditação? O que é a oração? É abandonar sua mente um pouco, sair dessa coisa racional e entrar numa outra frequência. É você permitir isso. Acho que a natur

23 02 2008

Tem o cantinho da Alice

Tacioli - E no sítio, qual é o seu espaço predileto? Ná - Depende. A gente vai criando uns cantinhos nossos. Tenho um quarto, que é o quarto que estudo canto e que pratico ioga. É meio um quarto das bagunças minhas. Preciso ter esse cantinho. Gosto muito desse cantinho do piano. Vira e

23 02 2008

Quero gravar um disco na linha do Estopim

Almeida - A gente foi somente pra trás. E o que você está fazendo daqui pra frente? Ná - Tô com dois projetos paralelos. Surgiu um terceiro agora. [ri] Vou tocar os três ao mesmo tempo. Um é mais imediato, até o Tacioli sabe porque a gente está fazendo junto, que é interpretar músic

23 02 2008

Ainda bem que surgem os projetos que rendem shows

Dafne - Só mais uma. Você falou de projetos que vieram pra você, projetos que você foi atrás. Na sua carreira solo, você tem algum balanço, de você ir mais ou de receber mais e encampar? Ná - Acho que no começo sempre conduzi mais os meus projetos. Aí surgiu o Love Lee Rita, mas log

10 07 2012

Com quantos nãos se faz um som

A notícia tocou mais que sua música e correu rápida. Itamar havia morrido. Talvez já estivesse cansado. A gente nunca sabe. Hospitais, remédios e médicos cansam qualquer um. Mas o discurso articulado, cheio de braços e artérias, seguia contundente. Chicoteava o pop, as gravadoras, os vizi