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Entrevistas de música brasileira

Moacyr Luz

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07 05 2002

Devoto dos bons temperos

Moacyr Luz nos recebeu acompanhado do amigo, produtor e conviva assíduo de suas iguarias às sextas-feiras, Zé Luiz, nosso anfitrião no paulistano Villaggio Café, local do encontro. Ao comando de ambos, o bom Barbosa serviu doses de boa uca, oferecida pelo entrevistado para descontrair falas e

07 05 2002

Moro no mesmo prédio do Aldir Blanc

Ricardo Tacioli - O fio do microfone é curto. Moacyr Luz - Você quer que eu ponha? Tacioli - Pode ser? Moacyr - Estou aqui para isso, bicho! Zé Luiz - O Moacyr trouxe especialmente para a gente, né?! Moacyr - Esta é uma cachaça maravilhosa. É de um amigo meu do Rio de Janeiro. Cac

07 05 2002

O meu pai morreu no domingo, três dias depois dos meus 15 anos

Monteiro - Em seus 15 anos, o que te empolgava musicalmente? O que você ouvia? Moacyr - O que me chamou a atenção - você vê que loucura... Barbosa, meu irmão! [Moacyr pede para completar o copo] O meu pai tinha morrido no domingo, três dias depois dos meus 15 anos, e eu fui para a casa de

07 05 2002

A música que é feita no Rio é uma música popular

Max Eluard - Moacyr, a que se deve todos esses encontros, essa proximidade com essas pessoas? Moacyr - Tem uma diferença que eu gostaria que fosse entendida. Vi a entrevista que vocês fizeram com o Gudin e uma vez nós conversamos um pouco sobre isso aqui mesmo no Villaggio, naquela mesa do ca

07 05 2002

As pessoas conhecem os meus sambas, mas tenho muitas canções

Tacioli - Moacyr, até seus 15 anos de idade que tipo de referência musical você privilegiava? Moacyr - Meu avô era clarinetista, músico de orquestra e de banda. Isso é uma parte harmônica da minha vida. Morei com o meu avô na rua Souza Lima, em Copacabana, logo depois do túnel, quase ch

07 05 2002

Em 1984 , o Aldir Blanc me escolheu para ser seu parceiro

Sérgio Seabra - Você tinha 30 anos quando gravou seu primeiro disco, né? Moacyr - Isso. Seabra - Então, você levou 15 para poder se expressar musicalmente. [Daniel Almeida e Dafne Sampaio acabam de chegar] Daniel Almeida - Opa, tudo bem? Sou o Daniel. Prazer. Moacyr - Tudo bem? Como

07 05 2002

"Anjo da Velha Guarda" é um samba que me surpreende diariamente

Max Eluard - Moacyr, vendo a sua obra composta e gravada percebe-se que todas suas músicas são muito populares. Moacyr - São. Max Eluard - O que uma música popular tem que ter em signos, em qualidade de sensação? O que faz uma música ser popular? Moacyr - Olha, pra gente poder ter uma

07 05 2002

Pra mim o cantar nunca existiu como objetivo

Monteiro - Até agora você falou da paixão de tocar, mas não citou o cantar. Como é que você resolveu cantar? Moacyr - O projeto que você idealiza na sua vida... "Pô, vou ser um compositor! Então, faço as minhas músicas, as pessoas gravam, e nos fins das tardes - igual ao Hemingway -

07 05 2002

A música está parecendo um condomínio

Monteiro - Você estava falando de música popular, do Paulinho da Viola, mas hoje ele não faz mais o hit que as pessoas assobiam na rua, esperando o ônibus. O que você acha que mudou nessa relação? Moacyr - Não quero falar pelo Paulinho, não tenho condição de falar sobre isso. O que pa

07 05 2002

O cara no 1º disco já ganhou mais que o Tom Jobim em 30 anos!

Tacioli - Moacyr, de que forma esse mecanismo, essa estrutura em torno da música interfere na hora de compor, ainda mais para você, que não rumina uma composição, você não a deixa na gaveta, ela já nasce pronta? Moacyr - Olha, o constrangimento por viver numa situação em que teria que

07 05 2002

Meu nome é rádio comunitária!

Max Eluard - O que eu acho triste nisso tudo, Moacyr, não sei se você concorda, os artistas que surgem fora do eixo Rio-São Paulo têm que se transferir para cá para que a carreira seja reconhecida. Por exemplo, o Zeca Baleiro, que é maranhense, o Chico César, que é da Paraíba. Moacyr -

07 05 2002

O Tom é um dos responsáveis por eu beber demais

Monteiro - O fato de você ter cruzado com o Hélio aos 15 anos de idade e ter começado com música naquele momento, deu uma guinada em sua vida. Música, além de pagar as contas, serve para quê? Você acredita na música como instrumento de mudança? Moacyr - Olha, eu não tenho muito essa

07 05 2002

Fiz uma música para o meu pai, mas não consegui cantá-la

Max Eluard - Uma coisa que estou percebendo é que você é muito sensível com a música. Moacyr - Puta que pariu! Max Eluard - Há algum estudo ou um labor? Porque da maneira como você compõe, vê a música e sente as coisas, é tudo emoção. Moacyr - Estudei para tocar violão. Chegue

07 05 2002

O meu apartamento se chama "Coração do agreste"

Almeida - Moacyr, você havia citado um monte de intérpretes mulheres. Moacyr - Gravei com o Emílio Santiago, Elymar Santos, Gilberto Gil, Pery Ribeiro, 14 Bis, Mestre Marçal. Tacioli - Mas percebe-se... Moacyr - Uma miscelânea? Tacioli - Uma preferência das intérpretes pela sua mús

07 05 2002

Perdi noites de sono torcendo por você no Festival!

Tacioli - Moacyr, eu gostaria de... Moacyr - Não está no fim, não, está? Tacioli - Estamos encerrando, [risos] mas antes eu gostaria de saber sobre o Festival da Música Popular que a Rede Globo organizou e que você participou. Com que expectativas você entrou no Festival? Moacyr - Entr

07 05 2002

Casquinha é a natureza, é a terra cheirando

Tacioli - Como produtor, o que você buscava nos discos do Guilherme de Brito [n.e. Samba guardado, Lua Discos, 2001] e do Casquinha [n.e. Casquinha da Portela, Lua Discos, 2001]? Moacyr - Vou aproveitar a oportunidade do site Gafieiras para conversar sobre isso. Quando fiz o Mandingueiro, eu ti

07 05 2002

O Guilherme de Brito tem os anjos do bem e do mal ao seu lado

Rozana - Você falou do Casquinha, mas não comentou do Guilherme. Moacyr - Vou contar três casos ocorridos muito antes de sonhar em fazer esse disco com o Guilherme. Percebo isso no trabalho de parceiros: às vezes, o cara só fala do letrista, não fala do compositor. Outras vezes, só fala

07 05 2002

Não gosto de ser chamado de sambista. Sou um compositor!

Max Eluard - Moacyr, você tem um disco só com canções, além outras canções compostas, mas parece-me que o espaço do samba é muito maior. É verdade? Moacyr - Ele foi sendo ocupado. Max Eluard - O samba foi tomando conta. Moacyr - Eu vou dizer uma coisa: estou muito atento ao que se

07 05 2002

A música "Obrigado", do Gudin, é o meu bastão

Almeida - Moacyr, você frisou muito que você é compositor, mas em seu último disco você está como intérprete. Fiquei curioso para saber o que você teve que deixar de fora. Moacyr - Na reta final deixei de fora... O que eu deixei de fora? Não me lembro. Tinha uma música do Zé Keti qu

07 05 2002

O Hélio me ensinou a ouvir e o Aldir me ensinou a falar

Max Eluard - Uma coisa que percebi nessa nossa conversa que começou há três dias é que você preza muito a parceria. O que você acha que um parceiro acrescenta? Qual é a diferença entre compor sozinho e com parceiro? Moacyr - Olha, eu, hoje, aos 44 anos de idade, sou parceiro do Aldir Bla

07 05 2002

Conheço esse acorde!

Monteiro - Sobre esse novo disco, de novas composições... Moacyr - Aqui, ó! Eu e o Martinho. É, foda, é? Eu e Martinho, que mundo, né? [risos] [canta "Zuela de Oxum"] "Me veio à mente um som / Não identifiquei, não/ Peguei meu violão e comecei a dedilhar / Então, eu me toquei / que o

07 05 2002

Sou a favor da bola de couro, pesada

Max Eluard - Moacyr, diz aí, você gosta de futebol? Moacyr - Adoro futebol. Max Eluard - Qual é o seu time? Moacyr - Flamengo. Max Eluard - E o que você está achando dessa seleção? Moacyr - Eu estava conversando sobre isso com o Zé antes de vocês chegarem. Participei do Pasquim h

07 05 2002

Vou contar uma outra para vocês

Moacyr - Tô precisando tomar um chope. Estou com a boca ressecadíssima. Vocês conhecem um filme do Candeia, não sei se é do... Seabra - Leon Hirzsman. Moacyr - O Leon Hirzman fez o do Nelson Cavaquinho. Ele fez o Candeia? Dafne Sampaio - Ele fez um sobre o Candeia, também. É colorido,