gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Maria Alcina

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19 05 2012

Onde foi parar a fantasia?

O que se espera de uma entrevista quando o nome é o de Maria Alcina? Que imagens vêm à cabeça? O que sobrou na memória da geração dos trinta e tantos anos que, crianças à frente de qualquer programa de auditório – Bolinha, Barros de Alencar, Chacrinha, Silvio Santos – gargalhavam daqu

19 05 2012

O Raul Gil foi calouro várias vezes... E gongado 17 vezes

Dafne Sampaio – O microfone tá bem? Giovanni Cirino – O microfone? Tá bem, tá ótimo. [risos] Maria Alcina – Vocês já têm um release meu? Gente, são trinta anos, né? Que beleza! [risos] É muito bonito isso. Tem coisa pra contar. [ri] Ricardo Tacioli – E fotos de arquivo, fi

19 05 2012

Essa coisa mais plural!

Tacioli – Há um tempo, em uma de nossas entrevistas, falou-se que as cantoras brasileiras de hoje têm uma forma de interpretação muito americanizada... Maria Alcina – Quem falou? Dafne – A Vânia Bastos. Maria Alcina – Sei. Dafne – Uma forma que virou padrão, um certo tipo

19 05 2012

Ui, tô comendo as penas!

Tacioli – A Aracy de Almeida fala em um disco [n.e. Ao vivo e à vontade, 1988] que quem apertava a buzina era o Silvio [Santos], mas bomba estourava na mão dela... Enfim, cada jurado tinha uma característica. No Raul Gil existe isso? Existem personagens? Maria Alcina – O programa do Rau

19 05 2012

A música hoje obedece um padrão internacional

Tacioli – As escolhas desses jurados representam um pouco a variedade musical que há no Brasil? Maria Alcina – Acho. E não somente no Brasil, mas no mundo, porque hoje não existe mais isso. Acho que a música hoje obedece um padrão internacional. Acho mesmo. Tacioli – Você consegue

19 05 2012

Arrumava casas, mas procurava aquelas que tinham rádio

Dafne – Você chegou no Rio em 1969? Maria Alcina – Acho que sim, 68, 69. 1968, porque eu era de menor na época, tinha uns 17 anos. Cantava nos lugares e depois me escondia. Só consegui ser crooner mesmo uns dois anos depois quando cantei no Number One. O Solano Ribeiro me viu no Number

19 05 2012

Há uma rua com o meu nome. Não sou uma qualquer

Tacioli – E como foi sua infância? Que imagem você guarda dela? Maria Alcina – Somente imagens boas. Sou uma pessoa que tive uma infância feliz. Sou uma pessoa feliz. Quando não estou feliz, fico dentro de casa. Enlouqueço em casa. Na rua estou sempre feliz. Minha infância teve quintal

19 05 2012

As luzes vinham de longe. Pareciam discos voadores

Tacioli – E como era o Carnaval de Cataguases? Dafne – Você pulava? Maria Alcina – Não. Tacioli – Não? Maria Alcina – Meu pai não deixava! Tacioli – E não havia escapadinhas? Maria Alcina – Havia sim, lá no Clube do Remo que era perto de casa, do outro lado do rio. A

19 05 2012

Na Bahia tem o trio elétrico. Em Cataguases, o sambulante

Tacioli – E o Carnaval de Cataguases mudou desse tempo pra época em que você foi homenageada? Maria Alcina – Acho assim. Tenho oportunidade de ir de vez em quando em quadras de escolas de samba em época de Carnaval e o que a gente vê na avenida nunca é o todo do que a gente sente numa

19 05 2012

Minha vida profissional começa por causa da Leila Diniz

Tacioli – O que lhe chamou a atenção no Rio de Janeiro? Que imagem você tinha do Rio? Maria Alcina – Puxa vida, agora eu não lembraria. Sabe o que acontece comigo? Eu tô sempre nos lugares por causa da sobrevivência. Eu sobrevivo primeiro pra depois ver o que... [ri]. É quase uma tr

19 05 2012

O Gil é minha primeira referência musical pra observar o mundo

Tacioli – E de onde vem esse seu gestual de palco? Maria Alcina – Ah, isso eu acho que é porque sou negra, família negra, batuqueira, Rancho Alegre... Aí entra toda essa coisa do Carnaval e da família do meu pai. É o sentimento da música, falo muito pelo sentimento da música. Tacio

19 05 2012

“Fio Maravilha” é um hino à liberdade

Tacioli – O surgimento do tropicalismo coincidiu sua chegada no eixo Rio-São Paulo, né? Maria Alcina – Começou em Minas mesmo. Ouvi o disco Tropicália lá em Minas e também tudo o que a gente via dessas pessoas. Minha geração foi uma geração que aprendeu e se criou artisticamente

19 05 2012

Bethânia mexeu comigo por causa do timbre da voz

Dafne – “Fio Maravilha” é de 1972 e o seu primeiro LP saiu somente no ano seguinte, em 1973. Maria Alcina – É, e o repertório foi basicamente o que eu cantava no Number One. As músicas da Carmen Miranda [n.e. “Alô, alô?”, de André Filho, e “Como vaes você?”, de Ary Barros

19 05 2012

Senti o que é fazer muito sucesso

Tacioli – Depois do festival e do primeiro disco, você tinha claro uma linha pra sua carreira? Maria Alcina – Não, você pode ver que quando conto sobre alguma coisa que aconteceu é porque aconteceu! [risos] Aconteceu! Nada programado. Tacioli – Mas esse ‘aconteceu’ em algum mome

19 05 2012

Não havia dinheiro nem para o táxi. Aí tomei ônibus

Tacioli – Qual foi o primeiro baque que você sofreu na carreira? Maria Alcina – Quando bate a conta. Eu tinha chofer, eu não dirigo... Tacioli – Quando foi isso? Maria Alcina – Anos 80. Eu não morava em São Paulo, morava no Rio. E quem pagava o chofer, e quem cuidava dos shows,

19 05 2012

Entrei com a rosa, passei no corpo, embaixo do braço e comi

Dafne – Em seu primeiro LP havia músicas nordestinas, como “Mulher rendeira” e “Paraíba”. Você cantava essas músicas na noite? Maria Alcina – Cantava, cantava. Dafne – E como foi o contato com elas? Maria Alcina – Eu cantava o que me dava vontade, mas quando você ouve

19 05 2012

Sou de uma geração em que ou se era intelectual ou brega

Tacioli – Mas esse incidente de 74 mudou algo em seus shows, em seu repertório? Maria Alcina – Não, eu acho que consegui driblar bem. O meu problema é o temperamento. Tenho esse temperamento. Eu me controlo pra ficar mais calma. Às vezes até fico calma uns 20 minutos do show, mas qua

19 05 2012

Eu era um anjo pra resolver os problemas das mulheres

Tacioli – Hoje você ainda sente que não é levada a sério da forma que gostaria? Maria Alcina – Também não tem mais nenhum problema, porque não tem mais tempo pra me cobrarem. Independentemente de qualquer coisa, eu sobrevivo e vivo de música, e exatamente por isso tenho liberdade p

19 05 2012

Se eu pego as músicas do Gerônimo, tenho certeza do sucesso

Tacioli – Hoje em dia dá pra conciliar vida artística com mercado? Maria Alcina – Não saberia te responder. Como cantora, precisava fazer um CD, ter grana pra bancar divulgação no rádio... Essa é a diferença de ser contratada por uma gravadora, pelo menos na minha época, né? A m

19 05 2012

Não posso mais ficar pensando nessa coisa de sucesso

Tacioli – Se hoje você voltasse a fazer sucesso em grande escala, como aconteceu nos anos 70, o que mudaria na sua relação com o sucesso? Lembrando que também por causa do mercado esse sucesso pode voltar a sumir... Maria Alcina – É, engraçado, né? Acho que não tenho mais essa visão

19 05 2012

O meu limite esbarra na parte comercial

Tacioli – E o que representa um desafio pra sua carreira hoje? Maria Alcina – A necessidade de sobrevivência. [risos] É verdade. Eu não posso rejeitar trabalho, você percebe? Tacioli – Há limite pra isso? Maria Alcina – No meu caso, não. É claro que não vou ficar nua na Play

19 05 2012

"Caralho, não tô morta!"

Tacioli – Alcina, esse é o Daniel. Daniel Almeida – Prazer. Desculpem-me pelo atraso. [risos] Maria Alcina – Ah, você fazia parte... Almeida – Faço. Dafne – Não faz mais. [risos] Almeida – Depois dessa não faço mais. Dafne – Você não precisa responder às perguntas

19 05 2012

O rap é muito cinematográfico

Giovanni – Como foi sua experiência com o rap? Maria Alcina – Pois é, gravei com o Júri Popular. Foi uma participação no CD deles. Eles me convidaram e eu gosto muito de rap. Tenho um amigo que é amigo deles, foi assim que aconteceu. É um CD maravilhoso, mas você não acha em lugar n

19 05 2012

Disseram-me que eu havia inaugurado o samba-pornô

Tacioli – O que você fazia nessa época em que você pegava ônibus? Shows? Maria Alcina – Sim, continuava fazendo shows. É que o show que custava X em uma época passa a custar Y em outra. Então não dá pra ficar com muita regalia. Tacioli – Claro. Durante a década de 70 quando voc

19 05 2012

Ídolos? Dalva de Oliveira e Maricenne Costa

Tacioli – Existe algum ressentimento com o Ney Matogrosso? Porque já lhe compararam com os Secos & Molhados... Maria Alcina – Olha, sou antes dos Secos & Molhados... Ele cantava fino e eu grosso, daquele mesmo jeito em Minas... E muitas pessoas me falaram que tinha muita vontade d

19 05 2012

Chamei a Aurora Miranda pra cantar e ela topou

Tacioli – E como foi essa quebradeira nos Estados Unidos? Maria Alcina – Olha, a primeira vez que fui pra lá foi em um carnaval. Carnaval já é uma quebradeira geral e eu cheguei lá toda fantasiada. O brasileiro quer ver a gente porque sente saudade da gente, do Brasil. Americano gosta

19 05 2012

Não tenho mais fantasias

Dafne – E depois do Bar Brahma, da festa dos 30 anos de carreira, o que vem pela frente? Maria Alcina – Não tem nada programado. Estou lá com o Gasparetto participando da Companhia das Luzes... Mas passo pra vocês qualquer novidade. Almeida – Mas pode ser sonho também. Essas coisas