gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Música instrumental

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04 05 2012

Tá muito moderno, menino!

“Vocês topam entrevistar o Raul de Souza, aqui no MIS, amanhã?”. Era um sábado à noite e quem estava do outro lado da linha era Teresa Benassi, amiga e coordenadora do setor de áudio e música do Museu da Imagem do Som paulistano. Oferta irrecusável. Não só pelo fato de que o carioca é

04 05 2012

Havia uma gafieira na Praça Onze que se chamava Cheira Vinagre

Raul Souza - Toquei aqui com o Guilherme Vergueiro, há muitos anos. Ricardo Tacioli - Há quanto tempo? Raul - Não sei. Rita, há quantos anos faz que eu toquei aqui com o Guilherme? Rita Menezes - Em 80. Raul - 80? Deve ser o quê, 88, não? Eu cheguei aqui em 86? Foi em 88. Rita - 88, e

04 05 2012

Com 14 anos eu me expulsei da igreja

Dafne Sampaio - Você é de Bangu? Raul - Não, nasci em Campo Grande, depois de Bangu. Como era a rua? Rua Matoso? Sei lá, aí eu já não sei. Cadê a certidão de nascimento? [ risos ] Quando eu volto para o Brasil tenho que ir para Campo Grande tirar... Uma confusão! Tudo errado, muito a

04 05 2012

Minha mãe era cartomante

Tacioli - Como era o ambiente na sua casa? Você falou que moravam todos juntos, seu pai, sua mãe, sua avó, seus irmãos... Raul - Tudo junto, tudo junto. Ali era o seguinte: do primeiro casamento do meu pai vieram dez filhos. A mulher dele morreu, e logo em seguida, sei lá, um, dois anos, el

04 05 2012

Toco qualquer instrumento

Tacioli – E como foi esse começo de vida de músico, Raul? Raul – Isso tudo que falei foi quando estávamos em Campo Grande. Quando nós mudamos novamente para Bangu – o papai havia sido foi transferido -, já tínhamos casa própria. Aí começou o meu lance todo com o regional. Tocar em

04 05 2012

E quem estava tocando lá? O Pixinguinha!

Almeida - E aí você ficou tocando tuba? Raul - Fui tocando a tuba. Fiquei empregado lá, com uniforme e tudo. Era na Fábrica Bangu. Logo o doutor Farias, que era o chefe-geral, falou pra mim: "Raul, desiste desse negócio aí. Não dá certo. Você larga as suas máquinas e leva mais de 15 pe

04 05 2012

O que vou dizer à mamãe?

Max Eluard – Nessa época, o que Pixinguinha representava pra você? Raul - As músicas que eu escutava dele, do grupo, juntamente com o Benedito Lacerda, eram uma coisa do melhor. Até então, eu havia escutado e conhecia jazz ou samba. Foi a primeira música de choro que eu comecei a ouvir d

04 05 2012

Aí passou o Jamelão e disse...

Tacioli - Que música você apresentou lá? Raul - Não me lembro, essa não me lembro. Tacioli - E o rapaz saiu... Raul - Ele foi embora. Tocou o negócio dele, um choro, e foi embora. Morreu logo em seguida, coitado. Também era do bairro, Realengo, uma estação antes de Padre Miguel. Toca

04 05 2012

Foi o Ary Barroso quem trocou o meu nome

Cirino – E o seu nome, Raul, quando mudou? Raul - Foi o Ary Barroso quem trocou o meu nome. No segundo programa do Ary que eu fui, dois meses depois do primeiro - eu viciei no negócio -, toquei o choro que eu queria tocar, aquele que o outro passou falando que era moderno. Aí, o Ary falou: "

04 05 2012

Tomava duas, três bolinhas pra ficar ligado

Max - Raul, sua memória é muito boa, você lembra de datas e de muitos detalhes... Raul - Graças a Deus. Você não imagina o que passou por aqui... Max - E como é sua relação com o passado? É uma relação de saudades? Raul - De saudades, é uma coisa interessante... Almeida - Não p

04 05 2012

Nos anos 50 parecia que o mundo ia dar certo

Tacioli – Qual foi sua impressão quando esteve pela primeira vez em São Paulo? Raul - Fiquei louco, porque o que havia de orquestra, de clube, de cabaré, de boate... E tudo com músico. Orquestra, arranjo, tudo, negócio lindo, bonito! É por isso que eu não queria perder. Eu não queria i

04 05 2012

Daqui a pouco vou ser apedrejado

Almeida - Quem eram os doidões, Raul, aqueles que você viu usando uns lances ou tomando bola? Raul - Porra, muitos, muitos. Eu conheci, quero dizer, no Norte, na minha primeira viagem que fiz pro Norte, pra Bahia. Da Bahia, fomos para Aracaju, e tudo de pau-de-arara. Um ano durou a viagem, por

04 05 2012

Como convidado especial Cannonball Adderley

Cirino - E como foi a passagem para o saxofone? Raul - Aí é triste. Cirino – Porque era uma coisa que você, desde criança, gostava... Raul - Aí foi triste. Quando cheguei nos Estados Unidos, eu já havia gravado com a Flora Purim o primeiro disco dela gravado lá na Milestone, Fantasy

04 05 2012

Você imagina o Sonny Rollins fazendo compras?

Cirino – E o saxofone, Raul? Raul - Agora, voltando para o saxofone. Depois do meu disco eu havia gravado com Sonny Rollins. [ n.e. 1930 | Saxofonista (tenor) norte-americano, autor de discos como Saxophone colossus, de 1956, e Alfie, de 1966 ] Foi ele quem me convidou. Eu havia mudado de Bost

04 05 2012

Como vou tocar trombone deitado?

Almeida - Você conta um monte de coisa, vai pra um lugar, muda, se está errado, volta e a coisa se certa. Você nunca sentiu medo? Raul - Não, medo, não. Sempre tive confiança no que vou fazer, mesmo sendo errado, como foi com a bebida, uma coisa errada. Bebi a ponto da auto-destruição po

04 05 2012

Lancei o trombone completo nos Estados Unidos

Max - Raul, e dessas histórias todas que você contou, o que ficou hoje pra você? Como está a sua vida? Raul - Maravilha, maravilha. [ pausa ] Estou vindo ao Brasil sempre, isso é bom para reciclar, ver os amigos. Poucos amigos, mais amigos fora. Aí fico triste porque o outro morreu, o outr

04 05 2012

O Toninho Horta é um gênio!

Teresa - Você já viu esse curta [ Viva volta ] que vai estrear amanhã? Raul - Ah é, vi no Rio. Vai passar amanhã. Tacioli - O que você achou? Raul - Está bom. Está curto, né? [ risos ] Curtinho. Teresa - Que justamente é o encontro da imagem e do som. É o filme e a música. Primei

04 05 2012

Sempre imaginava um remédio pra mim

Dafne - Raul, parece que o curta traz a história do búfalo, do passeio público de Curitiba. Qual é a verdade dos fatos? Raul - Está no filme? Dafne- Você não falou? Então não está no filme. Melhor ainda. Raul - Não, somente eu com a Bethânia já deu quase sete minutos. E a Bethâni

04 05 2012

Água, suco de abacaxi e muita feijoada

Tacioli - E qual seu remédio hoje, Raul, qual é o seu preparado, tônico? Raul - Água, suco de abacaxi e muita feijoada [ risos ] com aquele pé-de-porco, joelho. Eu levo a Yolene naqueles pés-sujos no Rio. Rabada, feijoada... Ela come tudo! Tacioli - Raul, como você analisa sua discografi

04 05 2012

O trompete é inimigo do trombone, que é inimigo do saxofone

Tacioli - Você falou do improviso, que improvisava bastante e que isso era uma das suas marcas. Esse virtuosismo, em algum momento aqui no Brasil, causou um isolamento, das pessoas dizerem "O Raul é diferente; vamos deixá-lo de lado." Houve esse tipo de coisa? Raul - Teve, e desde 56, depois

04 05 2012

O Coltrane tocava 4800 escalas num dia

Tacioli - Você já provou o que tinha que provar? Há mais alguma coisa pra provar? Raul - Provar, não, somente aconselhar. Por isso eu fiz os métodos para saxofone, trombone e trompete, pra deixar pra rapaziada aí. Eu não posso ensinar improvisação. Faço um acorde num piano e “Improvi

04 05 2012

O conselho do Jamelão? Esqueci...

Tacioli - Aquele conselho do Jamelão... Raul - Aquele eu esqueci... [ risos ] Aquilo de muito moderno, pelo amor de Deus. Ele quis me ajudar, pedindo para eu tocar uma música mais comercial, não tão complicada para o ouvinte... Pra mim, que estava vindo de Bangu, não queria nem saber. Se o

04 05 2012

Quero arrancar a perna do Roberto Carlos!

Tacioli - Raul, quero agradecer... Quem sabe numa outra oportunidade... [ risos ] Raul - Continua a história! [ ri ] Teresa - Esse material também vai para o acervo do MIS, que é uma outra forma de acesso, fora a dos meninos, pela Web, que você vai ver... Raul - Legal, legal. [ falando mai

13 05 2012

Meditônomo: entrada franca

Em João Pessoa, sentado no terraço de sua casa, faz orações de sanfona na mão. Apelidado Meditônomo, o terraço é seu altar. Seu deus é aquele Todo Poderoso, que ouve música e sabe dançar. Somente trabalho o traz a São Paulo, sorte do Gafieiras… E tudo começou numa terça-feir

13 05 2012

Se eu não estudasse música, seria sapateiro

Sivuca – (...) num dia de Santo Antônio, era 13 de junho de 1939, quando meu pai trouxe pra meu irmão uma sanfona de 2 baixos, um pote cheio de mangaba e um filhote de gato no bolso do casaco. Era uma terça-feira. Aí eu comecei a tocar e não larguei mais. Ricardo Tacioli – O senhor l

13 05 2012

O Guerra-Peixe me encaminhou para as orquestrações

Tacioli – E essa vontade nasceu quando o senhor assistia a organista? Sivuca – É, logo cedo. Quando eu tinha 8 anos fui fazer a primeira comunhão e lá escutava aquele som bonito do harmônio. Eu queria tocar aquele instrumento, mas passou. Peguei a sanfona e pronto. Aí fiquei com sanf

13 05 2012

Tem gente que toca muito bem, mas não é albina

Dafne – E o apelido Sivuca surgiu como? Sivuca – Essa é uma boa pergunta. Quando eu cheguei em Recife, em 1945, fiz o primeiro programa da Rádio com o nome deste tamanho assim, Severino Dias de Oliveira. Aí o maestro Nelson Ferreira [n.e. Nelson Heráclico Alves Ferreira (1902-1976),

13 05 2012

Há uma escola brasileira de sanfona

Tacioli – Sivuca, só uma definição: é sanfona ou acordeão? Sivuca – Tanto faz. Tacioli – Porque eu li numa matéria que você não gosta de acordeão? Sivuca – Não gosto?! Pode chamar por qualquer nome. Agora, que sanfona é o nome que quase 40 milhões de nordestinos dão

13 05 2012

“Conte comigo quando chegar ao Rio”, disse o Gonzagão

Seabra – Sivuca, como foi o seu primeiro encontro com Luiz Gonzaga? Sivuca – Meu primeiro encontro com Luiz Gonzaga foi em 46 na Rádio Clube de Pernambuco. Eu tocava lá e ele, já famoso, foi fazer uns programas lá. Chegou e me viu tocando. Falou, “Que diabo é isso? Como é que se

13 05 2012

“Na minha banda eu não quero nenhum boêmio!”

Tacioli – Sivuca, como é sua relação com Itabaiana? Você visita a cidade? Sivuca – Volta e meia eu ia lá. Aliás, o afinador da minha sanfona era de Itabaiana. Era um senhor, tinha uns 60 anos, muito inteligente. Era ele quem fazia as geladeiras elétricas que chegavam lá, adaptava