gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Música infantil

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19 05 2012

Reinações na casa da árvore

Ele é baixinho, nariz grande, cabelos grisalhos, leve topete e um sorriso que sai da boca e se espalha pelos olhos. Ele também é adulto, multi-instrumentista, paulistano do bairro de Pinheiros, compositor e ex-integrante do cultuado Grupo Rumo. O quê mais? Tem carro, casa e estúdio próprios, u

19 05 2012

Morei muitos anos na Teodoro Sampaio

[Enquanto a equipe ajusta os equipamentos no estúdio...] Ricardo Tacioli – Em Pinheiros? Hélio Ziskind – É. Tacioli – Em qual rua de Pinheiros? Hélio – Na Teodoro Sampaio mesmo. Morei muitos anos na Teodoro Sampaio, depois morei na Simão Álvares. Tacioli – E há 20 an

19 05 2012

Uma canção que sirva de contato entre adulto e criança

Tacioli – Hélio, vi numa matéria em que você dizia que não era correto se falar “música infantil”. Eu queria saber o motivo, até porque durante a entrevista falaremos muito de música infantil. É música para criança? Ou somente música? Como a gente pode falar? Hélio – É m

19 05 2012

O meu talento é dar forma auditiva para alguém

Tacioli – E esse mergulho na educação. Hélio – Então, a grande descoberta é: mesmo nas escolas que usam música o tempo todo para as comemorações e para os trabalhos, quanto tempo o professor de música tem com as crianças?” Uma aula por semana, 30 crianças na frente, em geral

19 05 2012

Quero chegar nos clássicos como Branca de Neve

Tacioli – Mas em algum momento te incomoda esse reconhecimento majoritário de seu trabalho com a infância? Hélio – Não, a única coisa que me incomoda é o horário, cara. Esse negócio de não poder tocar à noite é muito chato. Tocar a noite é muito bom, cara! Marcar um show 9, 10

19 05 2012

Por que as crianças não batem palmas nas músicas?

Tacioli – Esse seu trabalho com a educação, de ir às escolas, de que forma volta para a composição? Hélio – Volta de várias formas. Às vezes volta diretamente, como foi com uma música dos morcegos... Foi demais! Eu tenho filhos na Escola da Vila. Mais tarde, tinha amigos que depoi

19 05 2012

Quero fazer uma casinha onde moram os caras

Dafne – Durante toda a década de 90, as crianças foram cada vez mais bombardeadas visualmente. E isso não tem data pra acabar. Como enfrentar isso? Hélio – Então, acho que é isso, a experiência de contato com o som tem que ser significativa, tem que ir num teatro com um som grande,

19 05 2012

O próximo trabalho é fazer o Cem Dias Entre o Céu e o Mar

Max Eluard – Agora, como que você chegou na música infantil? Hélio – Então, no começo de tudo eu fazia trilhas. Trilha pra peça de teatro, pra jornalismo, trilha pra adulto, trilhas em geral. Fiz composição na ECA, me formei compositor lá. E concomitante a estudar na ECA, fui do

19 05 2012

Às vezes cansa você se preocupar com criança o tempo todo

Tacioli – Um álbum Cem Dias ? Hélio – Contar aquela história, ele atravessando de barco da África para o Brasil. E eu acho que no Cem dias muitas coisas serão cantigas de roda, porque no livro tem muita roda de baleia, roda de não-sei-o-quê, há muita situação que casa com isso.

19 05 2012

O número de CDs vendidos não interessa a grandes gravadoras

Diego – Ô, Hélio, eu queria saber se há uma pressão da gravadora em busca de resultados... Hélio – Não. Diego – Isso acontece muito com outros artistas, que têm que achar um limite de uma cota pra vender e tem que dar esse retorno para o investimento da gravadora, né? Héli

19 05 2012

A Adriana pensou um CD pra criança de uma forma livre

Tacioli – Hélio, você falou que gostaria de estar lá na colina juntos com os caras. Que são esses caras? Hélio – Não, basta estar incluído na MPB. Eu queria estar sob esse guarda-chuva. Então, só espero que essa coisa do infantil não me impeça..., quero dizer, há vários comp

19 05 2012

O João de Barro tem um grau de compactação louco

Tacioli – Hélio, dessas figuras que trabalharam com música infantil, quem fez um trabalho bacana, independentemente do tempo, da geração? Vinicius, João de Barro, outros, não sei? Hélio – Não, igual João de Barro não tem, porque não é somente a música, é a câmera dele. Só

19 05 2012

A música vive dos acertos dos relógios

Max Eluard – Hélio, sobre essa aceleração, você nota a diferença da época em que você começou a fazer música pra criança pra hoje? Hélio – Nossa, cara, isso é muito interessante, porque, às vezes, você passa muito tempo sem ouvir de novo os discos, né? Nós aceleramos toda

19 05 2012

Meu pai gosta de Altemar Dutra, cantores de voz forte

Tacioli – Hélio, o que você ouvia, que sons que havia em sua casa quando você era pequeno? Hélio – Eu ouvia bastante Robertos Carlos. Na parte de samba, Elis Regina com o Fino da Bossa, Jair Rodrigues, Miltinho. Internacionalmente, ouvia bastante Johnny Mathis, Trini Lopez, Johnny Ri

19 05 2012

Adoro o minimalismo, Steve Reich e Philip Glass

Tacioli – Hélio, reparo em muitas músicas suas que há uma pegada rock, de rock balada a rural, como você brinca em “Cocoricó”. Isso vem pela sua formação de ouvinte também? Hélio – É, mas tenho uma ligação muito mais forte com o samba. A quantidade de sambas que sei tocar

19 05 2012

O que atrapalhou o samba foi o baixo

Tacioli – Fazer o quê em Cuba, Hélio? Hélio – Fui lá visitar. Tinha umas pessoas de música pra criança, ganhei uma viagem junto com a Isto É e fui lá. Era uma matéria sobre música em Cuba e eu aceitei o convite de bom grado. Tenho vontade de ir tocar lá. E eu muito curioso com

19 05 2012

Conviver com o Luiz Tatit é uma escola

Max Eluard – Você pensa regularmente a música? Ela é um exercício, digo no sentido de pensar nos rumos da música? Hélio – Não nos rumos das música, mas nos meus assuntos... isso serve um pouco de guia. Por exemplo, com a história do Cem dias quero fazer uma música minimalista,

19 05 2012

O Rumo não entrou na Enciclopédia da Música Brasileira

Tacioli – Se o Rumo se juntasse hoje, ele daria certo, até por essas diferenças e as clarezas que vocês têm? Hélio – Não, continuaria dando errado exatamente por essas mesmas razões que permanecem ativas e ninguém vai mudar. [risos] Não, aconteceram muitas coisas boas. É sobre e

19 05 2012

Dá para viver em São Paulo

Tacioli – Comecei a pensar num texto do Wisnik que fala a música de São Paulo, de como ela é difícil de se mostrar pra fora de São Paulo, como ela é estranha para o resto do Brasil, por ter como particularidade a mistura. Não há uma cara. Hélio – Não sei se não tem uma cara de

19 05 2012

Conversei com o Pedro Bandeira sobre Harry Potter

Tacioli – Você não acha que essa presença gigantesca do SESC pode ser um inibidor desses pequenos produtores e das pequenas casas, até porque eles não têm a mesma estrutura do SESC? Hélio – Acho que não, acho que não. Tacioli – São grandes clubes de cultura, cada vez mais,

19 05 2012

O Rumo nunca entrou em nada

Tacioli – Hélio, novamente sobre a época do Rumo. Como era o Lira? Hélio – O Lira era um conjunto de pessoas muito interessante, muito obstinado, batalhador. Havia um que gostava da parte gráfica, havia um que gostava de iluminação, várias pessoas interessantes ali. Mas o centro em

19 05 2012

Não transformo borboletinha em fadinha

Tacioli – Você falou do Jorge Ben... Ele é uma figura importante na sua formação musical? Hélio – É. “W Brasil” é uma coisa! Não somente os temas são legais mas como ele é super diferente. O modo como a melodia vai se encaixando, parece que vai virando um consenso assim que

19 05 2012

Seria o equivalente ao Let it be

Dafne – Mudando de assunto, como você vê o disco infantil do Rumo e os seus? Hélio – Ah, são da mesma natureza, porque primeiro que o Luiz, que nunca deu pelota pra esse negócio de música pra criança, já saiu gozando... As músicas de crianças que ele fez são muito boas, cara!

19 05 2012

Estamos na boca de uma produção infantil urbana

Tacioli – E como é sua relação com quem produz hoje música para criança, como a Palavra Cantada, a Bia Bedran e os Los Musiqueros, com quem você tocou recentemente, né? Hélio – É. Com a Bia e com o Paulo eu não tenho muita relação, apesar de ter contato com o Paulo, com o pes

19 05 2012

A TV resiste em fazer um programa sobre o que é invisível

Tacioli – Ao Rio? Hélio – É. Tacioli – Por que essa motivação? Desbravar? Hélio – Fazer contato com esse mundo aí. Tacioli – Como é sua relação com o Rio, com música pra criança feita lá? Hélio – É zero por enquanto. Tacioli – Zero? Hélio – A gente

19 05 2012

O Didi faz filme, dá certo; faz programa, dá certo

Tacioli – Hélio, você gosta daquele disco dos Saltimbancos Trapalhões? Hélio – Eu gosto da música que a gente fez lá. Eu não me lembro mais desse disco. Tacioli – Que é um que tem o Chico... Hélio – Cada coisa que a gente já fez, né? Os caras olhavam pra gente como um

29 05 2012

Turma de dois é uma dupla

Tem gente que imagina os dois sentados à sombra de uma jabuticabeira, em um quintal ensolarado, cheio de árvores frondosas e crianças por todos os lados a cantar, correr e brincar. Tem gente que imagina uma dupla de pop stars, sem tempo ou paciência para assédio, entrevistas ou fotos, protegido

29 05 2012

Eu e o Hélio fazíamos trilha de rádio-novela e de dança

Gafieiras – Quando vocês realmente se conheceram? Vocês têm o registro da primeira vez que se viram? Sandra Peres – A gente é sócio há 16 anos, mas fazíamos aula na escola do Ricardo Brein, no Espaço Musical. Eu morava muito longe, em Santo Amaro, e o Paulo morava aqui. Claro que ele

29 05 2012

"Pô, poderíamos fazer um disco infantil!"

Gafieiras – Mas houve algum evento que despertou isso em vocês? Sandra – Tiveram umas férias... Na época eu havia conhecido o meu ex-marido que morava em Nova York. Eu ia direto pra lá. Ele é brasileiro, mas eu ia muito, ficava lá com ele, com a família dele. E num fim de ano em que e

29 05 2012

Tem pouquíssimas canções de ninar no Brasil

Gafieiras – Você se lembra de algum trabalho brasileiro anterior a esse, mas similar a proposta de canções de ninar? Paulo – De canções de ninar eu não me lembro. Eu me lembrava de coisas boas como Os saltimbancos. Sandra – Mas especificamente de canções de ninar, não. Paulo –