gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Música eletrônica

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10 07 2012

Felicidade em suaves prestações

Sua vida é espelho para qualquer garoto de periferia. Não se considera músico, mas é papa de um gênero. Seu nome é sinônimo de drum’n’bass. Wagner Borges é o DJ Patife, entrevistado ideal. Aquele que adora falar. Não à toa. No fundo, ele sabe que sua história passa a integrar os anais

10 07 2012

Demônios e Paulinho era o que eu tocava em festa de casamento

Gafieiras - O que é um DJ? Sensibilidade, ouvido e técnica? Patife - Pra mim, DJ é um cara que anima uma festa, que coloca as pessoas pra dançar... Básico assim, esse o típico DJ. O que precisa para ser um bom DJ? Botar uma pista abaixo! E claro que 99% das pessoas que se interessam em ser

10 07 2012

Eu escutava a história arte da música erudita

Gafieiras - Você quer beber alguma coisa? Patife - Quero água, por favor. Sem gás. Gafieiras – Você traz quatro águas. Sem gás. Gafieiras - Fale um pouquinho mais sobre essa história do drum''n''bass. Ele é um gênero aberto? Por onde chega, ele é capaz de receber e de incorporar

10 07 2012

Fui para Londres com 200 dólares no bolso pra ficar 22 dias

Gafieiras - Essa história foi rápida. Em 98 você começou a tocar somentedrum''n''bass em sua noite. Em 99 saiu seu primeiro disco. Patife - Foi no finalzinho de 99. O ano de 98 foi muito turbulento, só fui dar conta do que aconteceu em 2000, praticamente depois de todo resultado. Não sei s

10 07 2012

Acumulei uma dívida de 35 mil em passagens e discos

Gafieiras - Vocês tinham consciência do que haviam feito? Patife - Nada! Gafieiras - Havia um movimento ou era somente vocês mesmos? Patife - Era só a gente. Aí, na mesma época, ficamos sabendo que havia o Calbuque [n.e. Nome artístico do DJ e jornalista Carlos Albuquerque, um dos pr

10 07 2012

Meu primeiro sonho foi ter um bicicleta

Gafieiras - Engraçado, o drum''n''bass é uma música que nasceu na periferia, mas depende da sensibilidade pra ser um bom DJ, né? Ao mesmo tempo, é um negócio tecnológico e que custa muito caro. Você tinha noção disso? Patife - Você vai ver nos próximos minutos como eu não tinha noç

10 07 2012

Tudo mudou na hora em que botei aquela fitinha

Gafieiras - Você pensava “E se não der certo?”? Patife - Voltando nessa história. Peguei e fui estudar essa porra toda de novo. Sentei lá com o Copine, que financiou a passagem, e liguei pro Adrian. "Tô com a passagem na mão. Tô indo no vôo de segunda-feira a tal hora". "Cê tá lo

10 07 2012

Vai vender o quê? Dez cópias? Quem me conhece?”

Gafieiras - Essa relação dos gringos com vocês é diferente? Patife - Foi um choque. Por quê? Sei que em um mês em Londres, foi como um vírus. Foi muito doido! Gafieiras - As bases que vocês tocavam eram deles? Patife - É, a gente tocava o som que comprávamos lá na Galeria. E nisso,

10 07 2012

Bossa nova e MPB fui conhecer na Europa!

Gafieiras – Sobre ritmo, você disse que tem que explicar para o técnico o que você quer. Você procura ouvir música e ritmos brasileiros? Patife - Isso é uma coisa engraçada. Nunca tive informação de música brasileira. Nenhuma, nenhuma, nenhuma. Geralmente a gente absorve aquilo que

10 07 2012

A música eletrônica sempre foi instrumental

Gafieiras - Mas o que causava o choque? A letra em português? Patife - Primeiro de tudo: a letra em português, falando de samba. Sempre tivemos um preconceito da música eletrônica feita aqui mesmo. Pô, o Xerxes produz desde 94. Começamos a tocar jungle em 93, 94. Nunca tocamos a música do

10 07 2012

Eu não me sinto músico!

Gafieiras - Você parou num mesmo disco que o Tom Jobim. Patife - Calhou que, pra novela Um anjo caiu do céu havia o Jackson original no cotidiano da atriz, quando à noite ela ia pra uma balada. A Som Livre queria uma coisa pra ela dançar no clube. Aí os caras ligaram pro Marky, “Ô, faz u

10 07 2012

Tenho três letrinhas escritas

Gafieiras - Mas você se sente um compositor? Como é a parada? Músico instrumentista, beleza, mas compositor, não? Patife - Acho que aí a gente pode concordar. Até agora venho escrevendo letra também... Coisa que é mais fácil, porque o novo disco vai sair com 13, 14 faixas, todo produz

10 07 2012

Namorar eu gosto demais. Mas a última namorada foi em 94

Gafieiras - Patife, fale um pouquinho dessa história do jazz em seu trabalho, principalmente nas músicas que você produziu. Patife - Então, a história do jazz é a seguinte, que eu falei há pouco: sempre fui muito vidrado no som do saxofone. Outra coisa que comecei a fazer as músicas, d

10 07 2012

"Vamos fazer uma coisa juntos", disse o Paulo Moura

Gafieiras - Mesmo que você escute mais de perto os ritmos, querendo conhecer outras coisas, até hoje você não vasculhou a discoteca de seus pais, Lindomar Castilho, sertanejo. Ainda existe esse preconceito? Patife - Na verdade, não há mais preconceito, somente não me identifico com as p

10 07 2012

Não vou poder ser DJ a vida inteira

Gafieiras - Já rolou algum convite pra trilha sonora? Patife - Puta, nesse último ano pintou pelo menos uns três. Uma rapaziada de Porto Alegre, que está fazendo um curta pediu pra que eu fizesse uma história. Tem um povo daqui de São Paulo que também começou a fazer um filme, “Puta, m

10 07 2012

Não tenho noção do que a gente construiu

Gafieiras – Outros movimentos e ritmos musicais que surgiram na periferia, como o rap, ou mesmo o pagode, tem uma relação muito forte com a comunidade. Como é sua relação? Você quer ter esse estúdio pra fomentar a criatividade das crianças que estão lá, ou não tem nada a ver com ess

10 07 2012

Não construí aquela barrreira que o popstar constrói

Gafieiras – Patife, você vê com otimismo a música eletrônica no Brasil? Há, de fato, uma expansão? Patife - Vejo crescente num circuito alternativo. É a mesma pergunta de todo jornalista, nenhum passa em branco. “Você acha que a música eletrônica vai se massificar no Brasil, Pati

10 07 2012

A gente faz o drum'n'bass brasileiro

Gafieiras – Patife, você faz música brasileira? Patife – [silêncio] Eu acho que sim. Gafieiras – É importante cantar em português? Antes havia um preconceito, não? Patife – A gente tinha esse preconceito no início. Hoje não tem mais. Verdade, verdade. Mas, é isso que eu falo

10 07 2012

Um dia ainda vou fazer uns rap!

Gafieiras – Por você ter se envolvido com o rap, houve algum constrangimento quando você entrou na música eletrônica, afinal esta não é engajada como a primeira? Patife – Lá por 90, 91, 92, quando eu era de um grupo de rap, os caras ensaiavam em casa, que era o local onde havia mais

10 07 2012

Cachaça dos dois lados, da parte de mãe e de pai

Gafieiras - Fale uma letra de rap. Patife - Que a gente tinha? Gafieiras - É, de um rap de sucesso... Patife - Puta, de sucesso eu não lembro. Havia uma letra pro Carandiru... Lembro somente dos outros que não fizeram sucesso, mas a do Carandiru era... [canta] “Terror no Carandiru / Terr

10 07 2012

O que é a vida? Nascer, sofrer, se foder e morrer?

Gafieiras – Você é religioso? Você fala muito em Deus. Patife - O meu padrasto falava muito de espiritismo, Alan Kardec. Ele lia muito isso. Aí começou a me levar e minha irmã na rua Santo Amaro onde tem um negócio chamado “Federação Espírita do Estado de São Paulo”. Comecei a

10 07 2012

Sempre fui feliz, feliz, feliz... e duro

Gafieiras - E o que te perturba hoje? Patife - O que me perturba hoje é como está o mundo, a falta de respeito. A falta de respeito é simples. Você tá no trânsito, deixa o cara passar, tá ligado? Por exemplo, vou chegar num hotel cinco estrelas – aqui não acontece muito, mas fora você

10 07 2012

Ó, mãe, essa é sua casa!

Gafieiras - Você é mais feliz hoje por ter tudo estabilizado, não ter que lutar pelo básico? Patife - Hoje tenho tudo o que eu queria. Tudo tudo, tudo! Tenho um caranguinho, tenho um par de MK-2, que é o sonho de todo DJ, tenho um mixer, que é o meu titaniozinho, uma coisa que nunca pens

10 07 2012

DJ de viajar o mundo? Nunca me passou pela cabeça

Gafieiras - E aí, qual é a mensagem? Perseverança? Patife - A mensagem é a minha fé, cara! Perseverança, né, meu? É assim, você realmente tem que estar sentindo que é aquilo que você quer, não adianta dizer “Vou fazer uma faculdade de moda, porque é legal. Mas gosto de medicina