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Entrevistas de música brasileira

Mônica Salmaso

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16 05 2012

Tem alguém do outro lado

Não será surpreendente se um jovem leitor da presente entrevista, ao término da leitura, espelhar-se na cantora paulistana e decidir-se por um caminho profissional que não o "artístico". Poderá, sim, optar por ser professor de biologia, padeiro, jornalista, profissão qualquer que lhe ocupe o

16 05 2012

Parecia que eu estava no Globo de Ouro

Ricardo Tacioli – Vamos lá. Falávamos do Festival. Fala, Serjão? Sérgio Seabra – Dá uma olhada aqui? Mônica Salmaso – Não estava melhor o outro? Seabra – Está com chiado. Daniel Almeida – E aí, Tacioli, está me ouvindo? Tacioli – Estou. Seabra – Está ouv

16 05 2012

Me sinto muito mais um padeiro do que uma diva

Seabra – Mônica, indo de um pólo ao outro, num show seu que eu vi, do Benjamim [ Taubkin ] com uns colegas latinos... Mônica – O Carlos Aguirre. Seabra – Isso, lá no auditório do SESC Vila Mariana. Digo de um pólo ao outro porque nessa apresentação você e o Benjamim quiseram

16 05 2012

A função da arte é colorir a vida do outro

Tacioli – Você acha que isso é “geracional”, algo de sua geração, ou vem dessa coisa de disco independente? Porque se você tem uma grande gravadora, há uma estrutura maior e as coisas não costumam se comportar assim. Mônica – Eu acho que sim. As coisas são mais escancaradas

16 05 2012

“Peixes é assim: quem pega, frita e come!” Fodeu!

Flávio Monteiro – Você já falou do Globo de Ouro. Quando é que a música começou a ter importância em sua vida? Nessa época de Globo de Ouro você já pensava nisso? Mônica – Desde pequenininha eu gostava de cantar. Gostava, assim... Monteiro – Sua família é...? Mônica

16 05 2012

A Rosi Campos era um ícone pra mim

Dafne Sampaio – Como foi a reação em sua casa? Mônica – Esses dias a minha mãe lembrou disso. Eles foram legais. Segundo a minha mãe, ela estava já cansada de me ver aflita, porque é insuportável. É uma hora meio cruel, né? Meio não, é uma puta de uma crueldade você pegar um

16 05 2012

Cantei “Espanhola” poucas vezes. Eu tinha os meus limites

Tacioli – Mas havia algum receio de se tornar, unicamente, mais uma cantora da noite? Mônica – Teoricamente eu tinha, mas, na verdade, era o passo que eu tinha pra dar. Eu não tinha outro passo pra dar. Eu pensava, achava que não era legal. Por outro lado, foi uma fase em que aprendi

16 05 2012

A idéia de gravar um disco de afro-sambas foi do Gudin

Seabra – Então, qual foi sua primeira música gravada? Mônica – A primeira, primeira mesmo, foi “Cidadela”, uma música no disco do Mário Gil que ele fez enquanto eu cantava no Café Paris. Foi um disco independente [n.e. Luz do cais]. Depois, acho que a segunda foi no Canções de

16 05 2012

Eu sou operária. Não sou independente!

Seabra – Você acha que, mesmo sendo independente, cria-se um roteiro do que é artista, de como ele deve proceder? Mônica – Como? Roteiro? Seabra – Como se comportar na hora de dar entrevista, você cria um meio de como se comportar ante a mídia, essa coisa. Mônica – Bom, pri

16 05 2012

Eu quis ser perfeita!

Tacioli – Como é que você ouve hoje o Afro-sambas? É a mesma coisa que você ouviu há oito anos? Mônica – Não, não é a mesma coisa. Mas eu reconheço que é, entendeu? Ele é muito lindo, mas eu sinto... Não sei se quem ouve de fora... Eu nunca vou conseguir, embora adoraria poder

16 05 2012

Eu poderia ter me tornado uma jornalista feliz

Monteiro – No início você falou em delinear a carreira artística. Você acha que esse disco virou referência para aquilo que você fez na seqüência? Mônica – Acho. Em todos os sentidos. Isso porque eu nunca escolhi, nunca pensei, “Bom, eu quero ser uma cantora autoral e quero fa

16 05 2012

Fiz a campanha do Lula. Estou lá no coro gritando!

Almeida – Mônica, publicidade nunca esbarrou nessa área de segurança, como você falou, “Daqui não passa”? Mônica – Porque eu já fiz bastante. Almeida – Então, isso nunca...? Mônica – Olha, sabe o que é gostoso... Primeiro porque gosto de estúdio. Eu adoro estúdio!

16 05 2012

“Linda! Bonita! Poderosa!”

Tacioli – Você falou de poder se tornar uma cantora pop. Você construiu um público fiel... Mônica – Espero que sim. [risos] Tacioli – Não, construiu. Você sente algum tipo de policiamento pelo que você pode vir a gravar? Entende? De decepcionar um público fiel. Ao falar que vo

16 05 2012

O Unplugged da Björk foi o único que me chapou

Mônica – Vocês não querem tomar água? Vamos? Ê, água! Pausa, então. [risos] [Enquanto serve água aos entrevistadores] [risos] Mônica – Vocês perderam a fita da Maria Alcina? Tacioli – Não, não perdemos. Com quem ficou a fita da Maria Alcina? Mônica – Porra, M

16 05 2012

"É marmelada! É marmelada!"

Tacioli – Você falou que a final do Festival foi bastante... Mônica – Foi mais chata! Tacioli – Foi chata. Eu não lembro quem foi que anunciou a campeã. Foi o Serginho Groisman? Mônica – Foi. Tacioli – A campeã foi “Tudo bem, meu bem”. Mônica – Foi gozado. Ta

16 05 2012

Era como se eu fizesse um disco a cada bimestre

Seabra – Mônica, você já está numa fase de escolha de repertório para o próximo trabalho? Mônica – Comecei agora, porque vou assinar um contrato com a Biscoito Fino. Então, a princípio, esse contrato é um contrato longo de três discos. E agora é que eu estou com vontade de pe

16 05 2012

Estou cheia de negócio de energia criativa acumulada

Tacioli – Mas você estava falando do disco novo. Mônica – Esqueci! Então, eu não sei, eu passei... O problema é esse momento em que estou. Ele se resolve, não é nenhum problema horrível, mas é um problema, é engraçado. É que eu fiquei esses dois anos (2002 e 2003) em mundos,

16 05 2012

Poucas vezes aprendi com a crítica

Seabra – Mônica, você falou que o público grita “Linda! Escandalosa!” [risos] Por outro lado, quando você pega uma crítica toda adjetivada, superlativa, qual é a sua reação? O que você espera do crítico? Mônica – Então, são duas coisas. Primeiro que todo mundo gosta de el

16 05 2012

Tenho resistência estética ao improviso melódico

Tacioli – Mas você acha que pode ser mais ousada em seus trabalhos? Mônica – Acho. Mas eu nunca tive esse ímpeto natural. Eu acho que eu sou... Um passinho, outro passinho, outro passinho... Eu sou assim. Então, dentro da linguagem da música, do Afro-sambas até o Voadeira, existem

16 05 2012

Gostoso é gravar ao vivo no estúdio

Tacioli – Você gravaria um disco ao vivo? Mônica – Gravaria. Mas desse jeito aí, que tem sido feito disco ao vivo, é uma outra coisa, né? No Voadeira tem algumas faixas que foram gravadas ao vivo, dentro do estúdio. Tem um lado do ao vivo que é tocar junto simultaneamente que é mu

16 05 2012

Com a matéria do NY Times na mão, fizemos uma turnê nos EUA

Monteiro – Seus discos lançados lá fora já sofreram alguma mudança? Mônica – São os mesmos. Monteiro – São os mesmos que saíram no Brasil? Mônica – São. Monteiro – Você já fez show lá? Mônica – Eu fiz e vou agora, de novo. Eu fiz. Eu tinha ido, já, fazer

16 05 2012

Teoricamente um disco não vive mais do que dois ou três anos

Seabra – Você gostaria de ter um sucesso que permitisse ter um secretário pra fazer a parte chata do trabalho? Mônica – Então, estou num lugar, não é de sucesso, é de quantidade de trabalho. Talvez o sucesso dê uma visibilidade. Por exemplo, você pensa assim se estourar, “Bom,

16 05 2012

Na linguagem do caboclo há uma coisa irmã com a do malandro

Seabra – Queridos, temos cinco minutos. Quatro agora. Dafne – Considerações finais... Tacioli – Mônica, você acha que existe um canto brasileiro, uma forma de cantar brasileira? Mônica – Existe uma alma brasileira na música, que não é a maneira de cantar. Não sei exatam