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Entrevistas de música brasileira

Luiz Tatit

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22 09 2014

De olho no tempo

Ele tem muitos afazeres. E faz todos. Tem pavor do tempo em vão e de tudo perfeitinho. É organizado, metódico, objetivo. Paulistano nascido em outubro de 1951 no bairro de Pinheiros, Luiz Augusto de Moraes Tatit é um sujeito das palavras. É também da música, do ritmo, mas com a letra ali, mon

22 09 2014

O Rumo começou aqui

[Enquanto Daniel Almeida prepara os equipamentos de áudio e Max Eluard e Rune Tavares os de gravação audiovisual] Ricardo Tacioli – Luiz, quando quiser… Já preparamos o circo. Luiz Tatit – Eu vou ficar aqui? Daniel Almeida – Isso. Rune Tavares – Só vou pedir pra você co

22 09 2014

A paixão do meu pai era o Tom Jobim

Tacioli – Tatit, queria que você falasse um pouquinho da sua casa, por onde a música chegava, de seus pais, de seus irmãos... Como era esse ambiente na infância? Luiz Tatit – O meu contato com música sempre foi pela música popular, pela canção propriamente. E veio sobretudo pelo

22 09 2014

As canções do Erasmo e do Roberto eram muito boas

Dafne – Engraçado que você falou que ele gostou logo de cara de bossa nova. Então, ele fez uma passagem tranquila do samba-canção pra bossa nova, coisa que muita gente da geração dele não fez. Ele manteve essa curiosidade em relação à música. Isso de alguma forma influenciou voc

22 09 2014

Nunca senti a música como profissão

Dafne – O seu aprendizado de violão começou cedo, com 11, 12 anos... Luiz Tatit – É, foi por aí. Dafne – Isso então foi em meados dos anos 1960, Jovem Guarda. Como foi esse aprendizado? Começou na rua e tal, mas como ele foi caminhando? Luiz Tatit – Tirando do alto-falan

22 09 2014

Compus 200 canções antes do Rumo

Max Eluard – Luiz, mas mesmo pra você esse espaço que a música ocupou e vinha ocupando nos intervalos da vida acadêmica, isso também mudou. Hoje a proporção deve ser diferente... Luiz Tatit – Ah, sim. Hoje eu lido muito mais com música do que lidava antigamente. Antigamente eu lid

22 09 2014

O violão não era instrumento para a universidade

Dafne – Voltando um pouco (na fase) pré-Rumo, como foi sua decisão pela faculdade? Como surgiu “Vou fazer tal coisa”? Luiz Tatit – A decisão da faculdade foi completamente circunstancial. Na verdade, entrei em Comunicações na ECA, Escola de Comunicações e Artes, que era uma fac

22 09 2014

"Será que toda música popular não é calcada na entoação?"

Dafne – O insight da entoação como surgiu? Luiz Tatit – Na verdade, nós estávamos nessa busca... Isso aí eu relato n'O cancionista. [n.e. Livro de Luiz Tatit lançado em 1995 em que estuda a obra de 11 compositores brasileiros, de Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues e Luiz Gonzaga a Rob

22 09 2014

O rap é a canção pura

Tacioli – Luiz, se você tivesse ouvido antes sambas-de-breque, como os de Jorge Veiga, Moreira da Silva –, esse insight teria vindo antes? Luiz Tatit – Daí, retrospectivamente, quando fui ver isso houve quase uma avaliação retroativa de tudo que eu já conhecia: o samba-de-breque

22 09 2014

Os músicos (de hoje) são melhores que os de antigamente

Max Eluard – Você vê na música brasileira hoje algum trabalho que segue esse caminho, com esse ponto de intersecção da poesia com a música? O que você vê na música brasileira hoje de interessante? Luiz Tatit – De produção? Max Eluard – De produção. Luiz Tatit – Ah,

22 09 2014

Não produzo nada por prazer

Tacioli – Luiz, vamos voltar um pouco, nem falo do Grupo Rumo, mas dos anos 1970, a esse período da universidade. Qual era o grande barato de ser universitário nos anos 1970? O que vocês curtiam fazer em São Paulo? Fale um pouco dessa vida mundana. [risos] O que você pode falar? Luiz

22 09 2014

(O Rumo) está começando a ser reconhecido

Tacioli – Você disse que em boa parte do tempo está envolvido com o trabalho. E o trabalho é sempre árduo. O que te dá prazer? Luiz Tatit – Quando o trabalho está pronto! [risos] Tem alguns momentos que o trabalho me satisfaz, por exemplo, sai um artigo que eu queria que saísse, da

22 09 2014

Todo mundo é meu concorrente

Tacioli – Você estranharia se se tornasse uma figura de sucesso midiático com mais de 30 anos de carreira artística? Luiz Tatit – [pausa] Olha, não me surpreenderia, até isso é possível! [risos] Você sabe que tornar uma figura célebre e se aproveitar de alguma atividade, de uma m

22 09 2014

Fazia as músicas praticamente sozinho

Max Eluard – Agora, como você pensa o álbum, Tatit? Você pensa em um conceito ou você vai compondo músicas e, de repente, você vê ali, no que você já tem, uma liga? Luiz Tatit  – Normalmente é isso. Você tem as canções e daí você tenta ver se há algo, um elemento constant

22 09 2014

Não gostava de compor música infantil

Tacioli – Luiz, o Rumo produziu o disco Quero passear, com músicas para crianças. Do Rumo vieram o Paulo (Tatit) e o Hélio (Ziskind). Também vi no YouTube o vídeo da música "Daninha e a pulga" e achei bacana pela experimentação sonora. A música infantil é um espaço para a experiment

22 09 2014

Explosão não é o negócio dessa turma!

Tacioli – Você achava essa história de música infantil desvirtuaria o projeto inicial do Rumo, porque várias pessoas do grupo compondo é um outro desenho...? Naquele momento você acha que não era bem por aí..., como era? Luiz Tatit – Não era o que eu gostaria de fazer na época.

22 09 2014

A Zélia Duncan foi a experiência mais pop que tive

Tacioli – Não sei o seu horário, se tem compromisso ou não, mas já estamos terminando. Luiz Tatit – Eu tenho um almoço, mas ainda estamos dentro da faixa. Tacioli – Você se imagina ou imagina um tipo de parceria com um compositor muito popular ou a sua música sendo interpretada po

22 09 2014

Nunca tive uma inspiração na vida!

Tacioli – Luiz, você tem pavor ou medo de alguma coisa? Luiz Tatit – Barata! Barata é a única coisa que me tira do sério. Tacioli – Aquela música da Palavra Cantada não é sua, né?! [n.e. Sandra Peres e Paulo Tatit cantam a tradicional "A barata diz que tem" e o "Duelo de mágicos

22 09 2014

O tempo é o meu tema na vida

Max Eluard – E sua busca hoje, Tatit, ainda é a mesma? Ela mudou? Em que ponto ela mudou? Ou você está mirando outras coisas? Luiz Tatit – A gente vai mudando a cabeça com relação as mesmas coisas que sempre procurou, o ponto de vista vai mudando, mas o que eu busco no fundo é sempre