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Entrevistas de música brasileira

Luiz Melodia

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17 05 2012

Os pés no Morro de São Carlos

(20h30) São Paulo, 5 de junho. Décima entrevista do Gafieiras. Rua Tutoia, 77, Hotel Pestana. Denise, assessora da Indie Records, nos recebe no bar do hotel. Logo ele chegaria. Um possível contratempo na gravação de um programa de televisão causara o atraso. De bom grado sorvemos algumas c

17 05 2012

Não sou de ligar pra ver a MTV

[ Luiz Melodia chega do apartamento, de banho tomado, e senta-se ] Luiz Melodia – Dessa cervejinha também quero uma! Denise Souza – Vou pedir para o menino vir aqui. Espere só um pouquinho, Luiz! Melodia – E um pouquinho de água, também. Daniel Almeida – Luiz, e o programa

17 05 2012

Fiz minhas primeiras músicas com a viola do meu pai

Max Eluard – Como foi sua infância, Luiz? Melodia – [silêncio] Tive uma infância legal pra caramba. Humilde, porque sou cria do morro, Morro do São Carlos, divisa com Estácio. A época de garoto talvez tenha sido um dos momentos mais legais, embora difícil, família humilde, condi

17 05 2012

Pensei em desistir da música e fazer Zoologia

Max Eluard – Hoje em dia toda molecada que nasce na periferia, no morro, vê na música uma salvação. Todo mundo quer ter uma banda de pagode, de funk, de rap. Na sua época existia isso, de encarar a música como uma porta de salvação? Melodia – Não sei se era a salvação, porque

17 05 2012

O coquetel era pão com mortadela

Tacioli – Os Instantâneos chegaram a transitar em espaços profissionais? Melodia – Não. Era uma tentativa. Até porque quando você fazia show nos bairros, nos bailes, nada mais era do que uma tentativa de aparecer. Mas, por exemplo, nunca saímos – essa banda, Os Instantâneos –

17 05 2012

Nunca perguntei "Por que Oswaldo Melodia?"

Almeida – Luiz, você cantava música dos Beatles e não sabia inglês, "éramos pobres, não tínhamos condições". Em algum momento você sentiu que tinha que correr atrás para estar de igual para igual com outros artistas que já atuavam? Melodia – Eu não me preocupava com isso. Eu

17 05 2012

Como eu ouvia muito rádio, ampliei meu lance musical

Max Eluard – Se você pensar, morro é samba. É uma associação automática com o samba. Melodia – Agora, por que isso, velho? Max Eluard – Pois é, essa já é uma outra questão. Melodia – Engraçado! E negro, também, né? Max Eluard – Opa! Negro e samba. Melodia – D

17 05 2012

No Exército vi uns lances sérios

Tacioli – Mas antes da Gal gravar "Pérola negra", quando ainda você fazia dupla com o Mizinho, ou mesmo com Os Instantâneos, como você imaginava que era ser artista? O que significava para você? Melodia – Imagina que ser artista era se dar bem, não estar naquelas condições em que

17 05 2012

Era louco para ser jogador profissional

Melodia – Vamos continuar? Max Eluard – Você falou que tinha uma ligação muito forte com o esporte. Futebol? Melodia – É. Sou um jogador frustrado. [risos] Max Eluard – Tem mais cinco aqui. [risos] Almeida – Além da Zoologia e da música, o futebol chegou a ser uma opç

17 05 2012

A Gal pediu uma música, mandei, mas ela não gravou

Almeida – Luiz, fale dessa transição do morro com o Wally Salomão para quando "Pérola negra" iria ser gravada. Como é que foi quando você se ligou que a Gal iria te gravar? Melodia – Eu tinha certeza, até porque já tinha ficado bem amigo dessa turma que ia no morro. Almeida –

17 05 2012

Que porra de maldito é essa?

Tacioli – Luiz, como foi o processo para se chegar ao seu primeiro LP? Melodia – Foi natural, porque eu já tinha tantas composições, que o Guilherme Araújo – na época, o meu empresário, ou que ficou sendo o meu empresário – falou o seguinte para o Menescal, "Vamos gravar um

17 05 2012

Em Jequié ninguém me enche o saco!

Max Eluard – O que a música significa para você, Luiz? Melodia – Significa muito, embora eu não esteja compondo assim. Tô tão de saco cheio que não tenho composto. Mas tenho escrito, tenho mandado minhas... [ri] Nos dois últimos discos meus fui eu que escrevi tudo. Nunca fiz isso.

17 05 2012

Seria lindo se Sandy & Junior cantassem!

Tacioli – Você vê a música como um produto cultural? Melodia – Vejo, claro. Tacioli – Mas na hora da composição, você a encara assim? Muitos antigos sambistas de morro compunham para contar uma história para seus pares. Como isso nasce em você, Luiz? Melodia – Rapaz, eu me

17 05 2012

Rap só meu filho, Mahal

Max Eluard – Como você vê o cenário da música brasileira hoje, Luiz? Melodia – Rapaz, tenho as minhas dúvidas, sabia? Até porque não vi nenhuma segurança musical que eu pudesse falar, "Mais tarde vou sentar em minha casa e vou ouvir fulano de tal, fulano de tal". Tá muito rastei

17 05 2012

Coletânea é uma desgraça!

Tacioli – Luiz, você estava falando da reação que você tem com o sucesso. A partir do momento em que você gravou, teve suas músicas gravadas e teve um reconhecimento público, me parece que você tinha um certo medo do sucesso. Esse conflito em ser uma pessoa pública existia mesmo? Parec

17 05 2012

Se eu não gravar um disco de samba, não sou do São Carlos

Tacioli – Luiz, você estava falando da sua relação com o sucesso e do medo. O que é um sucesso saudável? Melodia – Saudável? Tacioli – É. Almeida – Boa ressalva. [risos] Melodia – Sabe o que eu acho um sucesso saudável? É você fazer a sua música, ela ser veiculad

17 05 2012

Estava apaixonado pelo Herman Hesse

Max Eluard – Compor e fazer música não é uma necessidade vital? O que eu quero dizer é que você faria música independentemente de quantas cópias você vendesse. Melodia – Lógico, eu acho que sempre foi isso. Se não for nessa onda, fica estranho pra caralho. Mas, se tenho que sub

17 05 2012

Chris Montez era o maior romântico

Sampaio – Você tem todo o Chet Baker. De seus álbuns que eu ouvi, Retrato do artista quando coisa é o mais romântico que achei. Mencionou, também, que sempre foi romântico. Que romantismo é esse? Melodia – Talvez venha do rádio, velho. Eu ouvia muito bolero e muita música românti

17 05 2012

A música brasileira é maior do que seus medalhões

Almeida – Luiz, o Caetano gravou uma música de sua autoria pela primeira vez em Noites do Norte? [n.e. O tropicalista registrou "Magrelinha" no CD duplo Noites do norte ao vivo, lançado pela Universal Music em 2001] Melodia – Demorou, hein, seu Caetano Veloso? [risos] Almeida – Está

17 05 2012

E o próximo disco será só com músicas minhas

Tacioli – Luiz, como você olharia para a sua carreira, do começo, em 1973, a 2001/02? Que mudanças houve nesse percurso que você consegue pontuar? Melodia – Houve muitas coisas positivas, mas ainda hoje acho que poderia ter uma atenção voltada ao que eu faço, uma mídia mais merec

17 05 2012

"Pô, você que é o Chico César?"

Tacioli – Luiz, quais são os seus conflitos hoje? O que te aflige? As suas aflições são as mesmas daquelas dos anos 70, quando você estava nos primeiros discos? Melodia – Não, embora eu esteja bem mais calmo do que no começo. Agora estou mais tranquilo, mas essa coisa de que todo mu

17 05 2012

A infância talvez seja a nossa época mais mentirosa

Tacioli – Enfim, para fechar. Você sente saudade de quê? Dos anos 60, 70, da infância? Melodia – Ah, tenho, pô! Principalmente da minha infância. Você não tem, não? Max Eluard – Porra! Almeida – Rapaz, eu não tenho. Melodia – Só se foi muito ruim. É mesmo? Não s

17 05 2012

Eu era mais fissurado pela música

Max Eluard – Luiz, hoje a música significa para você a mesma coisa que ela significava quando você começou a carreira? Melodia – Tem! Lógico que de maneira diferente. Hoje, sou menos fissurado. Antigamente, eu era mais fissurado. Estava toda hora... Hoje sou mais preguiçoso. [ri] Ma

17 05 2012

Acho um horror a sonoridade do Pérola negra

Max Eluard – Tem alguma coisa que a gente não perguntou e que você gostaria de falar? Seabra – Use a liberdade. Max Eluard – Como diz o Abujamra, "enforque-se com a corda da liberdade!" Melodia – Pô, o meu disco está aí, Retrato do artista quando coisa, isso é uma composiç