gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Jards Macalé

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18 05 2012

Da música pra fora

Parecia mentira, coisa de 1º de abril, mas era a mais pura verdade. Jards Macalé iria fazer dois shows no Villaggio Café, sexta e sábado e, conseqüentemente, ficaria alguns dias em São Paulo. Combinamos então com Zé Luiz Soares, proprietário do Villaggio, de falar com o homem antes do almo

18 05 2012

Ficava surpreso como o Itamar conseguia fazer tanta música

Enquanto aguarda Jards Macalé e José Luiz Soares Jr., a equipe consome algumas cervejas, ouve a rádio sintonizada pelo dono do bar (Alpha FM) e prepara o equipamento para a entrevista. Mais tarde, surge a dupla. José Luiz Soares Jr. – E aí, Tacioli, cortou a juba? Ricardo Tacioli

18 05 2012

Quem tem Barão não tem que lamber saco de Rolling Stones

Tacioli – Você falou que neste contato com o Itamar você se encontrava numa fase pouco criativa. Quando foi isso, Jards? Jards – De vez em quando, pinta; de vez em quando, não pinta. De repente você tem muita coisa na cabeça, de repente você não tem nada na cabeça. Eu fico variando

18 05 2012

São os músicos quem bancam esse delírio

Zé Luiz – Somente para ilustrar o que o Tacioli perguntou. Eu, como contratante, como produtor de shows, estou do outro lado e sei o absurdo que é isso. Por exemplo: um programa de shows no SESC é fiscalizado pela Ordem. Aí exige-se dos produtores uma tal guia, um formulário em cinco via

18 05 2012

Nas Dunas da Gal ficavam todos os doidos possíveis

Tacioli – Hoje faz 42 anos do golpe militar. Você lembra onde estava nesse 1º de abril? Jards – Eu estava rindo da ditadura. Era 1º de abril e eu estava crente de que era tudo mentira, brincadeirinha da rapaziada pra dar porrada, mas no dia seguinte não havia riso nenhum. Eu estava v

18 05 2012

Somos todos presos políticos

Tacioli – Você falou que antes o Brasil cultivava uma visão otimista, com muita coisa nova acontecendo. E hoje, o que você vê? Jards – Olha, uma vez o Hélio Oiticica me disse: “O Brasil é o país dos dedos-duros. Todo mundo é dedo-duro, é um horror!". E não mudou muito, tem to

18 05 2012

Só porque belisquei a bundinha de uma menininha...

Tacioli – Jards, parte da música nos anos 1960 se posicionava de alguma forma. E hoje, em um momento tão negativo quanto aquele, a música tem um papel? Jards – Tem um papel higiênico de tanta merda que se ouve no rádio. Porra, desliguei o rádio! Eu, que gosto de música, desliguei

18 05 2012

Briguei com um dos maiores torturadores

Tacioli – O que você fez pra ser expulso do Colégio Militar? Jards – Briguei com um dos maiores torturadores da lista do Tortura Nunca Mais!, que era capitão da minha companhia, o Capitão Zaniti. Ele é o terceiro da lista de torturadores. Ele era o capitão da companhia, eu era inte

18 05 2012

Abri a TV para saber de onde saíam aquelas pessoas

Tacioli – Você tinha quantos anos quando seu pai faleceu? Jards – Quinze. Tacioli – Até essa idade, como era o ambiente na sua casa? Jards – Um amor! Pessoas comuns com uma ternura entre todos. Agora, a minha avó era especial, porque era a minha madrinha também. Ela era secr

18 05 2012

Fui expulso do Municipal pelo meu próprio pai

Tacioli – E o que você ouvia de música na infância e na adolescência? Jards – Essa fase foi maravilhosa, porque meu pai tocava acordeom rudimentar, minha mãe canta maravilhosamente bem e amava a Rádio Nacional. Ela fazia meu pai levá-la à Rádio Nacional. Era fã do Orlando Silva

18 05 2012

Qual é o nome da sua manicure?

Renato Nery – Jards, você está vivendo um momento criativamente bom. O que faz você viver este momento bom? Jards – Por que a sua unha está assim e a minha não consegue ficar desse jeito? [risos] Renato – Não sei. Jards – O que você passa? Renato – Eu não passo nada.

18 05 2012

Foi o que o João Gilberto me ensinou

Tacioli – Jards, e o João Gilberto na sua história, como foi? Jards – Eu sempre amei. O Nelson Motta chegou em 1958 lá em casa. “Tem um cara que vem aí, você precisa ver como toca um violão e canta! E tem uma música que é a primeira que vai sair. Quer ver?” Aí me mostrou rud

18 05 2012

Vou à falência quase todo dia

Max Eluard – Mas voltando para a questão do anarquismo. Você acha que o anarquismo é um sistema viável dentro da nossa sociedade? Jards – Eu acho que sim, é só pensar. É só refletir, com reflexão, pensar exercício de pensar. Max Eluard – É uma mudança muito mais interna d

18 05 2012

Como carioca, achei o projeto do JK uma merda!

Zé Luiz – Seria o JK também um canastrão? Jards – Isso é você que está dizendo. Zé Luiz – Não seria? Estou perguntando, Macalé. Jards – Não, mas eu estou respondendo. [risos] O presidente bossa nova. Não, o Juscelino me parece uma pessoa legal, eu não sei. Aí, tudo pr

18 05 2012

Tizuka, pelo amor de Deus, me mate!

Max Eluard – E sua relação com o cinema, Jards, como começou? Jards – Começou com uma Super-8 que comprei em Manaus, na Zona Franca. Eu sempre estive perto do cinema. Minha avó, como eu disse, me levava pequenininho pra ver cinema, Cine Arte. E eu sempre gostei de cinema, muito. Tan

18 05 2012

A bossa nova não existe. O que existe é samba

Tacioli – Jards, tem surgido convites para trabalho de ator? Jards – Interessante que não. Mas de vez em quando... Atualmente quem me procura pra trabalhar em cinema e em outras coisas são os filhos dos meus amigos. São os filhos do Glauber, os filhos do Joaquim Pedro, os filhos do Ne

18 05 2012

Não vou ao meu próprio enterro

Tacioli – Jards, e como é a sua relação com a finitude, com o fim das coisas? Jards – Depende. Até algum tempo atrás eu vivia com muita tristeza e com muita apreensão esse negócio de finalizar, mas a Lygia Clark [n.e. Pintora e escultora mineira (1920-1988) ], minha amiga pessoal,

18 05 2012

O violoncelo é uma mulher completa

Tacioli – Então, vamos fechar a conversa. E o violão brasileiro, Jards? Jards – Não me fale desta mulher perto de mim. [risos] Isso aí é sagrado! Não vamos botar mulher no meio. Dafne – Olha o que você vai falar, hein? Ele já escondeu a mão. [referência ao Renato Nery, dono

18 05 2012

Fui copista da Orquestra Sinfônica Brasileira

Tacioli – Quando você estava começando no instrumento, o João Gilberto não havia como violonista. Quais eram as suas referências? Jards – Baden Powell, Garoto, Luís Bonfá, Bola Sete, Dilermando Reis, os violonistas daquela época. Descobri que o melhor estudo é o ensaio. Eu batia

18 05 2012

A gente não vai comer, não?

Tacioli – Será que existe uma supervalorização do que foi produzido naquele período e não do que foi feito dez anos pra cá? Ou será que a obra, se é que dá pra dizer isso da sua própria obra, teve uma conotação muito mais forte do que o trabalho mais recente tem hoje? Jards –