gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Irmãs Galvão

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17 05 2012

Da varanda rimos do mundo

Se o campo estivesse ali, teria um rio correndo tranquilamente. Árvores, uma cerca ao longe. Mas ali não era sítio verde e sim uma vila na cidade. Vila Dionízia, zona norte de São Paulo, onde casas cor de tijolo e cimento tomaram conta de todos os morros e o verde virou gente. No meio de todo a

17 05 2012

É preciso morrer pra vender discos no Brasil!

Ricardo Tacioli – Quando o disco Nóis e a viola foi gravado? Mary – Esse disco foi lançado no fim de 2002. Agora estamos preparando um novo repertório, se bem que já temos umas 8 músicas gravadas. Quando a gente faz um disco, aproveita e grava mais músicas do que entram. Tacioli – E

17 05 2012

Iríamos ao Rio tentar um contato com Francisco Alves

Max Eluard – Quando vocês começaram, como as músicas eram aprendidas? Marilene – Aprendíamos em casa mesmo, porque com 5, 7 anos, não se tinha outra escola. Mary – Havia vitrola de corda, 78 rotações e o pai e a mãe cantavam... Max Eluard – Vocês tinham rádio em casa? Mar

17 05 2012

O que é o sucesso?

Max Eluard – Em algum momento vocês tiveram medo de se deslumbrar demais com aquele mundo todo? Marilene – Não. Mary – Não. Max Eluard – Era o pai de vocês que ajudava nisso? Marilene – Sim, sempre. Mary – Olha, sempre fomos tão ingênuas! Nunca tivemos essa coisa de querer

17 05 2012

Participamos de um festival da Rádio Record

Max Eluard – E que outras coisas vocês gostam de fazer além de cantar? Marilene – Fora cantar? Cantar. [ri] Mary – É engraçado. Quando vamos a uma festa, as pessoas nos pedem o quê? Pra cantar. Se vai para um lugar tem que estar disposta a cantar, porque se não estiver bem, é melho

17 05 2012

Vamos ao supermercado sentir a audiência do programa?

Almeida – Vocês se sentiam estrelas antes do casamento? Havia assédio? Tudo bem, a TV estava muito no começo, outra dimensão perto de hoje em dia, mas vocês chegaram a sentir isso? Mary – Não. Nossa vida sempre foi normal. [risos] É, mesmo porque essa história de assédio é de um te

17 05 2012

Só a mídia não viu Tião Carreiro & Pardinho

Tacioli – Mas vocês, como nós, assistiram ao surgimento desses novos artistas jovens da música sertaneja, como Sandy & Junior. Vocês chegaram a se ver nesses artistas mirins? Mary – Existe muita identidade, principalmente em Sandy & Junior. Nós fomos amigas dos avós deles, o Z

17 05 2012

A Jovem Guarda acabou com tudo? Nada! O público fiel continuou

Max – Quando estourou o rock’n’roll e o iê-iê-iê vocês eram novas, adolescentes. Vocês se interessaram por esses gêneros? Mary – Olha, não é porque nós somos da música sertaneja que a gente não acompanhou. Nós sempre ouvimos tudo. Elis Regina foi nosso ídolo, mas na época d

17 05 2012

Viemos de SP pra gravar e vocês não vão nos gravar?

Tacioli – Qual foi a primeira música sertaneja que vocês gravaram? Mary – Foi “Carinha de anjo”, uma música que achamos no interior de Minas Gerais. Almeida – Como era? Mary e Marilene – [cantam] “Carinha de anjo / Boquinha de rosa / Caipira formosa / Flor do meu país / Me d

17 05 2012

Participamos de um único filme. Chamava-se A vaca foi pro brejo

Tacioli – Que história curiosa vocês têm dessa época em que vieram para São Paulo e começaram a fazer shows com os artistas de rádio? Mary – Tem uma coisa que a gente lembra com saudade. Eliana e Adelaide Chiozzo eram nossos ídolos no cinema, né? E elas cantavam em dupla, cantavam

17 05 2012

Vamos casar, mas você não canta mais

Max Eluard – Quem escolhia o repertório nessa época em que vocês gravaram os primeiros 78 rotações? Mary – O povo. Max Eluard – Como assim? Mary – A gente cantava um ano no rádio pra sentir, por meio das cartas, as mais pedidas. Aí levava pro Diogo Muleiro. Ele ia lá em casa,

17 05 2012

Fomos alertadas para não irmos à festa de premiação do Grammy

Mary – “O calor dos teus abraços” nos projetou nacionalmente. Fizemos muitos shows de norte a nordeste, né? E nos deu Disco de Ouro e várias coisas. Com músicas desse disco e mais outras fizemos uma coletânea. Fizeram muito sucesso em Portugal. Hoje a gente tem notícia, através da I

17 05 2012

Fomos revelação do 4º Centenário de São Paulo

Max Eluard – Vocês nunca mudaram de São Paulo depois que vieram pra cá? Mary – Não, nunca mais mudamos. Max Eluard – Vocês gostam daqui? Marilene – Gostamos. Mary – Gostamos... Gostamos muito! E tem mais uma coisa, quando viemos para cá, em 1952, em 54 era o 4º Centenário de

17 05 2012

Um dos nossos sonhos é gravar com a Rita Lee

Almeida – Vocês têm projetos para o futuro, antigos ou recentes, mas que vocês ainda não realizaram? Mary – Temos. Almeida – Quais? Mary – [silêncio seguido de risos] Vamos cantar fora do Brasil. Já que temos nossa presença em Portugal, Canadá, Estados Unidos – em alguns E

17 05 2012

Fizemos um disco com músicas do Baden, Raul, Cartola e Chico

Tacioli – Vocês estavam falando de “Beijinho doce” virar um rock’n’roll e do medo de sua repercussão. Houve algum momento na carreira que vocês sentiram alguma pressão, uma coisa negativa, por terem adaptado uma música ao outro estilo? Mary – Não. Tacioli – Das pessoas fal

17 05 2012

Em 1954, um astrólogo disse que faríamos sucesso na 3ª idade

Tacioli – Da discografia de vocês, há muita coisa em catálogo? Mary – Tem muita coisa fora de catálogo, m as ainda tem algo à venda. Se bem que mulher no Brasil... É muito difícil, né? Tacioli – Acho que foi a Inezita Barroso que falou que mulher artista no Brasil só é valoriz

17 05 2012

Um fã pagou R$ 400,00 por um LP nosso

Max Eluard – Em algum momento, vocês sentiram a música sertaneja como uma camisa-de-força? Vocês tiveram vontade de gravar outros estilos, fazer outro tipo de música? Mary – Não. Nós gostamos muito da música sertaneja. Fazemos isso com muito amor. Marilene – E mesmo quando quisemo

17 05 2012

O Zeca Pagodinho é uma das coisas mais honestas

Max Eluard – Hoje, o que vocês gostam na música brasileira, independentemente do gênero? Mary – Adoro o Zeca Pagodinho. Adoro. Fico muito emocionada com ele. Onde sei que ele está dando entrevista, eu paro para assistir. Choro com as coisas dele. Acho o Zeca Pagodinho uma das coisas mais

17 05 2012

A música caipira ainda canta o homem do campo

João Paulo – Mas esse processo abrangeu toda a música brasileira e não somente a sertaneja. O brasileiro tinha vergonha da música brasileira em geral. Mary – Acredito que sim. Todos passaram a dar mais valor ao artista brasileiro. Mas a música sertaneja não pode ser comparada com o q

17 05 2012

Vamos mudar o rumo dessa prosa?

Max Eluard – Vocês se dão muito bem, né? Marilene – Muito. Se eu fosse sapatão casava com ela! [risos] Max Eluard – Seria incesto. [risos] João Paulo – Duplo pecado. Max Eluard – Mas houve algum momento em que uma se encheu da outra? Marilene – Ah, não. Da minha parte,

17 05 2012

Pelo amor de Deus, parem de se beslicar e cantem sério!

Tacioli – Vocês tem disco ao vivo? Mary – Não, mas vamos fazer. Do jeito que o show é. Almeida – Desse jeito mesmo? Sem roteiro, com as piadas? Mary – Do jeito que é. Marilene – Fizemos uma vez, no SESC Pompéia, um show que foi produzido pelo Dr. Brás Bacarini. Ele é advoga

17 05 2012

Vocês vão ver duas velhinhas assanhadas

Tacioli – Vocês tem uma relação forte com o campo? Nascendo em Ourinhos, Palmital... Mary – Nascemos na cidade, fomos criadas na cidade. Tacioli – E que relação existe a partir da música sertaneja... Mary – A gente convive muito com o pessoal do interior, de roça, fazendas...

17 05 2012

O Geraldo Meirelles foi um pioneiro da TV brasileira

Max Eluard – Vocês já desfilaram em Carnaval? Mary – Ah, já desfilamos pela Vai-Vai. Pensa que não? Adoro carnaval, adoro. Tanto fiz que um dia peguei o Thobias [da Vai-Vai] e disse que era um sonho da gente desfilar numa escola de samba, mas tinha que ser a Vai-Vai. “É pra já... T