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Entrevistas de música brasileira

Inezita Barroso

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09 07 2012

Na cola de São Gonçalo

Numa praça no centro de São Paulo há uma igrejinha. Dessas com bancos de madeira, Via Sacra nas paredes, confessionário e sacristia. No altar, bem, no altar não há nada. O santo que dá nome à igreja não está lá. Simplesmente a imagem de São Gonçalo não existe na cidade. Essa foi uma

09 07 2012

Eu não acho defeito em São Paulo

Inezita Barroso – Isso aqui é maravilhoso. Ricardo Tacioli – Você mora nessa região há muito tempo? Inezita – Há 20 anos. Eu já morei no São Vicente de Paula, mas sempre por aqui. Nasci na Barra Funda, aqui do outro lado do Minhocão. Estou acostumadíssima com esse pedaço. Dan

09 07 2012

O Viaduto do Chá era o ponto do suicídio

Almeida – Inezita, em relação ao rio Tietê, você se lembra quando começaram a falar que a coisa estava mudando, quando começaram a falar “Gente, o rio não está mais limpinho. Não tem mais peixe, não dá mais pra ver o fundo do rio”. Você se lembra? Inezita – Faz tempo també

09 07 2012

Ela foi aos EUA e trouxe a novidade: mulher podia tocar violão

Max Eluard – Você é católica, Inezita? Inezita – Eu sou. Max Eluard – De formação? Inezita – Formação, família inteira, primeira comunhão, filha de Maria, procissões, cantei no coro. Então vem vindo, né? Max Eluard – Você começou cantar na igreja ou... Inezita

09 07 2012

Meus tios foram pra Revolução de 32

Henrique Parra – Entre o aprendizado com o caipira e aquele vindo do estudo formal, como você se sentia? Inezita – São duas coisas diferentes, raízes diferentes, né? Porque no piano você estudava coisa erudita e todos aqueles compositores, Chopin, Bach, Brahms, e na viola eram as modas

09 07 2012

Aqui em São Paulo havia muito serão

Max Eluard – Inezita, como era lidar com eles, tendo esse machismo junto? Houve um momento em que você conseguiu o respeito deles? Inezita – Total, total, porque era mulher justamente. Eles achavam que eu era mais fraca, que eu não ia dar soco na cara de ninguém, mas se precisasse eu da

09 07 2012

“Vamos patinar perto da casa do Mário de Andrade?”

Tacioli – E um desses vizinhos era o Mário de Andrade? Isso foi durante a infância? Inezita – Foi na infância. Eu tinha uns 9, 10 anos. E foi na rua Lopes Chaves, que agora foi cortada pela rua Mário de Andrade, que passa no meio, que vai dar aqui na Conselheiro Brotero. Ele morava ali

09 07 2012

Tradição liga o passado, o presente e o futuro

Tacioli – É correto a gente falar em “folclore”? Inezita – Eu falo errado. [ri] O pessoal caçoa de mim, porque todo mundo diz fol-clo-re. Tacioli – Não digo pela dicção, mas a palavra folclore o que define? Inezita – Define as mais profundas tradições de um povo em todos

09 07 2012

Se ele não me apoiasse, eu trocava de marido

Tacioli – Inezita, como foi a primeira vez em que você subiu no palco pra cantar? Inezita – Já moça assim... Demorou bastante tempo. Só fui retomar a carreira e ser profissional depois que me casei, em Pernambuco. Tacioli – Quando? Inezita – Em 1953. Fui pra lá pra fazer pesq

09 07 2012

Recebi seis reais de direitos autorais

Max Eluard – Nessa viagem pelo interior, o que você cantava nas rádios? Inezita – Música de São Paulo, do Rio Grande do Sul. Era um sucesso, porque ninguém antes de mim foi. Fernando – Eram músicas tradicionais do sul? Inezita – Era “Tristeza do Jeca”, o próprio “Boi

09 07 2012

O Juscelino toda hora me chamava pra cantar em Brasília

Tacioli – Inezita, a senhora falou que os estrangeiros gostavam e eles lançavam seus discos, mas você não sabia. Que tipo de música eles gostavam? Inezita – Esse tipo de música brasileira, folclórica, regional, caipira, nordestina. Você vê que o Luiz Gonzaga fez muito sucesso por l

09 07 2012

Isso não é televisão, é um café-concerto!

Tacioli – Nos anos 50, logo que voltou pra São Paulo, a senhora era a musa da intelectualidade paulistana, não? Inezita – Era. Tacioli – Como era isso? Inezita – Era por causa do TBC [n.e. Fundado em 1948 pelo industrial italiano Franco Zampari, o Teatro Brasileiro de Comédia f

09 07 2012

Uma coisa que eu odeio é versão!

Tacioli – No começo da TV, em seus primeiros dez anos, havia algum programa similar ao Viola, Minha Viola, ou algum que falava de folclore? Inezita – Não, na TV tinha muita orquestra, grandes orquestras. A Tupi tinha duas orquestras, a Record tinha duas orquestras, uma pra rádio e outra

09 07 2012

Não vendo a minha arte nem morta!

Fernando – Já que você falou em mudanças, como foi a mudança da música nesse tempo? Inezita – Não mudou nada. A raiz não muda... Fernando – Mas mudam as histórias... Os conflitos continuam os mesmos? Inezita – A mesma coisa... Agora, nessa que eles chamam de sertaneja, eles

09 07 2012

O Daniel é o único que tem ordem para pôr os pés no Viola

Tacioli – Mas, Inezita, você acha que a instrumentação ajuda a definir o estilo? Inezita – Muito! Tacioli – Vou pegar um outro exemplo... Pode-se cantar samba com instrumentos até não percussivos, né? Inezita – Exatamente! Tacioli – Se define o samba pelo ritmo, pela...

09 07 2012

Sou agradecida a Papai do Céu, ao Roberto e ao Erasmo!

Max Eluard – Inezita, houve algum momento de baixa em sua carreira em que você falou “Eu preciso fazer alguma coisa, está ficando difícil...”? Inezita – Teve. Max Eluard – Como foi? Inezita – Foi na época da Jovem Guarda e da Bossa Nova. Eu acordava às seis horas da manh

09 07 2012

O caipira é um modo de ser

Fernando – E como está o espaço para a música caipira na TV? Inezita – Bem, graças a Deus, está bem, está muito mais aberta, muito mais. Eu só lamento que tem muitos programas que começam e duram dois, três meses. Por que? Porque eles misturam alhos com bugalhos. Porque não tem u

09 07 2012

Falou em mãe dá morte

Fernando – E o que é, Inezita, ser caipira? Inezita – Ah, é uma criatura fora do normal, é a criatura melhor que existe no Brasil! Fernando – Pela natureza, pela... Inezita – Ele é bom, ele é ligado à família, estupidamente ligado à família. Se precisar ele morre por um f

09 07 2012

É muito rock e pouca música brasileira

Henrique – Há duas semanas, eu não me lembro exatamente se foi no dia do seu aniversário, mas eu a vi no Bar do Alemão... Inezita – Ah, é, fui com o Pelão. Ele não sai de lá. Henrique – Não somente na história de São Paulo, mas os bares foram um ótimo lugar ambiente de encon

09 07 2012

Estou ouvindo discos com sons de água

Gafieiras – Inezita, o que você tem ouvido? Inezita – Ah, ultimamente, como eu ando muito nervosa, muito estressada [risos], estou ouvindo aqueles discos com sons de água. [risos] Aquilo é bom, gente! Amansa pra chuchu. Tenho que ter secretária eletrônica, porque se eu pegar o telefon

09 07 2012

Amo dar aula em faculdade

Gafieiras – Você nunca pensou em se mudar de São Paulo e ir morar na fazenda? Inezita – Não. Eu passei um ano no litoral, na praia que eu amo também, né? Gafieiras – Passou um ano? Inezita – Passei, porque eu estava muito cansada. Foi nesse tempo que eu larguei a televisão. F

09 07 2012

Você está querendo me embebedar?

Gafieiras – Só mais uma questão. Com as comemorações de aniversário de 80 anos, do sucesso do Viola, hoje você se sente totalmente prestigiada e vê a música caipira reconhecida como ela deveria ser? Inezita – Vejo, vejo, mas é um cristalzinho, você não pode largar até [risos],