gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Hip hop

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18 05 2012

O rap é o meu facão

Estava combinado: rua Treze de Maio, às 20h. Era uma terça-feira. O Bexiga, bairro paulistano que nunca dorme, assistia ao encontro da equipe do Gafieiras. Um já estava lá, outro estacionava a viatura e os três demais desciam a rua que abriga cortiços, a Igreja Achiropita, bares, cantinas e f

18 05 2012

Sou um nômade, estou sempre mudando de lugar

Ricardo Tacioli - Você está aqui, nesse escritório, há quanto tempo? Thaíde - Faz bastante tempo, viu? Uns cinco, seis anos. Tacioli - E qual sua relação com o Bixiga? Thaíde - Passei a conhecer o Bixiga por causa da [Escola de Samba] Vai-Vai, do Sambarilove e daquelas histórias do

18 05 2012

Dá pra sentir São Paulo em várias cidades do Brasil

Max - Tem uma coisa que o Vanzolini fala de São Paulo... Thaíde - Quem? Max - O Paulo Vanzolini. Ele fala que as pessoas dizem que São Paulo é uma cidade fria, uma cidade violenta e tal, mas que nunca encontrou um povo tão acolhedor como o daqui. Que quando te chama de irmão, te coloca de

18 05 2012

A gente passava vagalume na roupa e brincava de alienígena

Max - E como foi sua infância nesta cidade, Thaíde? Thaíde - Na infância... vivia na periferia mesmo. Não tinha esse negócio de vir para o Centro. Só vinha para o Centro com a minha mãe na época de Natal. Gostava de vir no Natal porque é uma época em que criança vê tudo maior. Par

18 05 2012

O dia inteiro, rádio na AM, entendeu?

Tacioli - Thaíde, você falou da infância... muita brincadeira de rua... Thaíde - Muita brincadeira de rua. Coisa que não se vê mais hoje. Uma época que também não tinha quase nada, né cara? Não tinha internet, não tinha videogame, não tinha nada. Tinha TV e rádio. Tacioli - Isso

18 05 2012

A letra de “Ronda” é muito louca

Tacioli - Você se policia? Fala assim “Puxa, não é uma coisa tão bacana pra falar mesmo que emocionalmente tenha a ver com a minha história...”? Thaíde - Isso mesmo. Tem coisas que nem falo porque talvez aquilo vá saciar apenas a minha vontade. E nem sempre é bom você saciar apena

18 05 2012

Minha falha foi não ter colocado um “e” no rap brasileiro

Dafne - Thaíde, mudando um pouco de assunto, você acha que o rap somente poderia ter nascido em São Paulo? Thaíde - Não. Mas graças a Deus que nasceu, né? [risos] Acho que poderia ter nascido em qualquer lugar, sem dúvida nenhuma, desde que as pessoas o fizessem direito, com seriedade,

18 05 2012

O hip hop começou como consciência, mas também é negócio

Dafne - Quando você acha que o rap brasileiro começou a ter uma cara própria? Thaíde - Olha só, na década de 1990 acho que ele começou a se firmar mais. Porque daí começaram as misturas com música popular brasileira, aí as coisas começaram a ficar melhor. Mas assim, na época a gen

18 05 2012

Aqui um não gosta do outro e pronto

Dafne - Estava pensando algumas coisas do rap brasileiro comparando com o rap americano, que já é um puta poder, sei lá, há um dez anos, é um puta poder econômico... Thaíde - Há mais tempo. Hoje domina totalmente o mercado. Mas há mais tempo é um poder. Dafne - Ele se transformou num

18 05 2012

Muitos me vêem como... tem várias visões aí, bicho

Dafne - Sua carreira já passou por muitas coisas, teve muitas mudanças e agora você está numa carreira solo. Como você acha que é visto pelos rappers de hoje? Thaíde - Muitos me vêem como... tem várias visões aí, bicho. Muitos me vêem como um cara que se vendeu para mídia, outros

18 05 2012

Livro bom é aquele que mostra alguma coisa

Tacioli - O livro foi uma primeira experiência de organizar essa tua memória, não? Thaíde - É. O livro [ n.e. Pergunte a quem conhece: Thaíde, 2004 ], na minha opinião pessoal, um livro bom é aquele que mostra alguma coisa, fotos, gravuras, essa parada toda. Não tenho paciência de ler

18 05 2012

Quer sossego? Vai para casa, tranca tudo e fica de boa

Tacioli - Thaíde, no começo da entrevista você dizia que esse caos de São Paulo te alimenta e você precisa dele. Quando você precisa de silêncio, para onde você vai? Onde você busca esse silêncio? Thaíde - Na minha casa. Tranco tudo, fico com a minha filha e se ela não está, fico so

18 05 2012

Não sabia que ia chegar aos 40

Max - E como você sente o tempo? Como você se vê envelhecendo? Thaíde - Olha, mano, tem uma coisa que não sei se vou conseguir... mas me vejo fazendo rap, entendeu? Fazendo tudo que gosto de fazer. Quero voltar a dançar break, quero treinar aqui no Garrido [ n.e.: também conhecido como

18 05 2012

Tinha que escrever em cima de uma música gringa

Daniel - Você lembra qual foi a primeira letra que você escreveu? Thaíde - A primeira letra que escrevi é uma música que diz assim... é “Minha mina” que escrevi ouvindo “My Adidas” do Run-DMC [ n.e. Primeiro single de Raising Hell(1986), terceiro disco do grupo novaiorquino ]. Fo

18 05 2012

E o que a gente fazia? Apertava o botão e entrava na via certa

Daniel - Que equipamentos você dispunha nessa época? Thaíde - Para escrever ou para fazer show? Daniel - Para fazer som, as bases, qual que era o equipamento que você tinha? Thaíde - Olha só. Lembro que na época morava na Vila Missionária e a gente tinha um rádio de pilha, pequeno, p

18 05 2012

Escrevo melhor com raiva que triste

Max - Teve algum momento, nessas dificuldades todas, que você pensou em desistir? Que baixou a... Thaíde - Pensei sim. Daniel - Arrumar um trampo, pagar as contas... Thaíde - Pensei sim, pensei. DJ Hum também pensou. E foi daí que surgiu “Corpo fechado”. A gente pensou que nada ia

18 05 2012

Tenho certeza que iria ficar só naquele disco

Daniel - Como é que foi que começou sua amizade com o DJ Hum? Thaíde - Não gostava de dançar em baile, como falei pra vocês, gostava mais de dançar na rua. Daniel - Que época que foi isso? Thaíde - 1984, 1985, por aí. Os caras da Back Spin Crew falaram, “olha, tem uma casa da ho

18 05 2012

Sempre respeitei outros músicos porque gosto da música

Tacioli - Como você lidava com outros gêneros, outros grupos? Sei lá com os punks de São Paulo, com os rockers... Thaíde - Olha só como foi a situação. Alguns punks sempre respeitaram a gente, sempre. A gente teve envolvimento com alguns punks... o Crânio, por exemplo, que já faleceu

18 05 2012

Porque o rap é a maneira como se declama a poesia, né?

Dafne - Você faria outro tipo, outro gênero de música que não rap? Você se imagina fazendo? Thaíde - Faria desde que meu canto fosse rap. Porque o rap é a maneira como se declama a poesia, né? E não necessariamente o ritmo. Posso fazer rap com samba, forró, funk carioca, frevo... com q

18 05 2012

A gente ouve rap de madrugada, com raiva, sono, fome, sede...

Dafne - Você falou agora que, no começo, o rap teve mais espaço no underground do que na periferia. Há um tempo, sei lá um mês atrás, estava conversando com um amigo e ele começou falando sobre Racionais, que era uma bosta, mas generalizava para o rap brasileiro de um modo geral. Falando q

18 05 2012

“Então toma”, escrevi com uma fúria tremenda

Max - Você tinha falado que a raiva te impulsiona a escrever... tem alguma coisa que está te subindo pela garganta, dando nó na garganta... Thaíde - Com certeza. Se falar não tem graça, quando lançar a próxima música você vai se ligar . [risos] Daniel - Então canta. Thaíde - Vou e

18 05 2012

Se não fosse uma pessoa conhecida já tinha feito muita merda

Dafne - Tem alguma coisa que te incomoda no Brasil como está agora? Thaíde - Sempre falo o seguinte... acho que a falta de respeito é a base de tudo que acontece de ruim no mundo inteiro. A gente vem sofrendo com falta de respeito há muito tempo. As pessoas tentam disfarçar com uma coisa ou

18 05 2012

“Você não quer fazer o teste? Vamos fazer o teste!”

Dafne - Como surgiu o primeiro convite pra você trabalhar como ator e como é que... porque assim o Majestade... Majestade não, porra... Thaíde - Obrigado, obrigado. Não chega tanto. [risos] Dafne - Diamante, é Diamante... é que na cabeça veio o Carandiru. [risos] O Diamante foi unanimid

18 05 2012

Nem passa pela minha cabeça dizer que sou ator

Tacioli - Essa exposição no cinema e na TV trouxe alguma novidade pra você em comparação com a do trabalho musical? Thaíde - Claro, com certeza. As pessoas me respeitam muito mais como artista, começa por aí. Já me respeitavam como músico, mas agora me respeitam como artista um pouco m

18 05 2012

O rap mesmo não tem espaço na MTV

Tacioli - E essa exposição que você teve na MTV, frente às câmeras, te ajudou? Thaíde - Ajudou. Porque no estúdio era aquele lance de... é só você e a câmera, mas esquece que é a câmera e que a gente está aqui. Você vai estar falando para milhares de pessoas e tem que estar o mais

18 05 2012

Todo mundo pode lucrar

Max - Os caras são uma TV comercial e estão ali para fazer grana, mas pensando assim está faltando uma visão mais ousada do empresário que comanda. Porque, a gente está falando que o rap é um mercado hoje gigantesco, em expansão... Thaíde - O mercado do hip hop no Brasil ainda é muito

18 05 2012

A situação atual é assim... é a imagem

Daniel - E no rádio, Thaíde? Thaíde - Já fiz uns programas em rádios comunitárias, mas nunca em rádio grande. Mas é legal fazer rádio, é um bagulho louco. Tacioli - Você acha que o pessoal do rap, tanto faz rádio ou TV, ele está antenado? Thaíde - Está. Porque é o seguinte.

18 05 2012

O hip hop é minha casa e o rap é meu quintal

Tacioli - E o rap brasileiro, como é é visto lá fora? Thaíde - Ele não é visto, nem ouvido, né? Não, não. As pessoas, alguns brasileiros que vão pra lá levam discos porque gostam, comentam e tal. Aí se cria uma certa comunidade, vamos dizer assim, de pessoas que gostam do rap brasi

18 05 2012

A nossa moeda é o real, entendeu? No pé da letra mesmo

Tacioli - Funciona direito autoral para o rap? Thaíde - Funciona. Por exemplo, recebo de coisas que tocam em rádio, de outro grupo, outro artista que tocou uma música minha em tal show, em tal lugar, recebo sim, mas é aquela merreca... a gente recebe em reais, né filho? A nossa moeda é o r

18 05 2012

Quem não acredita em Deus, não acredita em si próprio

Tacioli - E Deus, você acredita? Qual sua relação com a espiritualidade? Thaíde - Cara, vou falar um lance pra você... quem não acredita em Deus, não acredita em si próprio. Essa é pura realidade. Você pode acreditar em tudo, pode acreditar no Buda, pode acreditar no candomblé como