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Entrevistas de música brasileira

Dominguinhos

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30 08 2013

No salão vazio

No fim dos anos 1950, quando dava os primeiros passos na carreira profissional, o pernambucano José Domingos de Moraes era conhecido apenas pelo apelido de infância, pela habilidade com a sanfona e pela pontaria nos gramados. Ponta-direita, Neném era um exímio cobrador de faltas. Naquela épo

30 08 2013

Roberto Carlos fazia show no Asa Branca

Ricardo Tacioli – Dominguinhos, amanhã tem entrevista com o pessoal do Recife que vem pra cá? Dominguinhos – É, tem. Eles vão lá em casa. É uma besteirinha... falar sobre o Gonzaga. Tacioli – Onde é a sua casa, Dominguinhos? Dominguinhos – Fica ali na Guilherme Dumont Villare

30 08 2013

Eu frequentava muito a casa do Garrincha

Max Eluard – Mas já foi melhor tocar na noite, em boate, em casas (noturnas)? Dominguinhos – Em boate foi, mas tá tudo acabado, no Rio de Janeiro, aqui (em São Paulo). Eu toquei muito na noite do Rio, nos dancings; toquei nas boates quase todas no Rio de Janeiro, em Copacabana, Leblon,

30 08 2013

Gonzaga me chamava de filho postiço

Pavan – Dominguinhos, você falou que não era somente “Asa branca”. A comparação que sempre fazem em relação à sua música é com a de Gonzaga, que é a mais óbvia. Dominguinhos – É. Pavan – Só que eu acho que tem uma coisa de harmonia e de desenhos melódicos quando você

30 08 2013

Na hora de improvisar fica tudo meio parecido

Pavan – E o aprendizado musical que você tem do Gonzagão, você perguntava coisas pra ele, como é que ele fazia alguma harmonia? Como era esse negócio, era só olhando? Dominguinhos – Era só olhando, (ele) não passava nada, não. Ele só tratava de tocar, eu tava de olho e pronto. Eu

30 08 2013

Luiz Gonzaga e eu apoiávamos Collor

Pavan – Dominguinhos, você disse que não se falavam em forró, falavam em baião, né? Dominguinhos – Só baião. Pavan – Qual é a diferença do baião para o forró, xote...? Tacioli – (...) Arrasta-pé? Dominguinhos – O baião tem uma batida, o forró tem outra, que é mais

30 08 2013

Na escola batiam muito na gente

Tacioli – Você nasceu em Garanhuns? Dominguinhos – Foi. Tacioli – E saiu de lá com 15 anos? Dominguinhos – Não, com uns 13 anos. Tacioli – Treze anos? Dominguinhos – É. Tacioli – Que lembranças você tem desse período, dessa primeira infância de Garanhuns? Como era

30 08 2013

Jorge Veiga enchia o saco de Jackson do Pandeiro

Tacioli – Dominguinhos, perguntei dos lugares que você frequentava em Garanhuns, e se quando era moleque você brincava em algum lugar... Dominguinhos – Ah, brincava, brincava... Tacioli – Quais eram e como eram esses lugares? Dominguinhos – A gente mesmo fazia os brinquedos, né?

30 08 2013

Achei (a letra de) "Tenho sede" meio estranha

Manu Maltez – Nos lugares em que você tocou, isso no começo (de carreira), lá pro Norte, você viu muita briga? Quando você estava no salão e a coisa ficava feia, você tinha que sair correndo ou continuava tocando? Dominguinhos – Tinha muita briga de faca. A gente estava tocando em u

30 08 2013

O Chico levou 15 anos para botar a letra

Manu Maltez – E com o Chico Buarque, você leva a música e ele põe a letra? Dominguinhos – Tem caso esporádico, porque ele sempre teve seu trabalho. Ele não precisa de (parceiro). Acho que ele só pega um parceiro ou outro, né? Hoje em dia, ele faz isso com os músicos que tocam com e

30 08 2013

O meu caminho é o dom

Pavan – E, Dominguinhos, de onde vem a inspiração? Dominguinhos – É uma coisa momentânea, é um momento bom em que você está ali. Pode ter muita gente perto, (você) vai tocando, vão surgindo as coisinhas, você não se incomoda com quem está em volta, sabe? Tacioli – Mas precis

30 08 2013

O Chico Anysio é meu parceiro

Tacioli – Dominguinhos, em relação a forma como o Nordeste é representado, seja no humor ou na música, você tem alguma ressalva? Dominguinhos – Nós estamos muito bem na fita, porque o Norte-Nordeste é um enxame de grandes compositores e de humoristas formidáveis. O Ceará é um cel

30 08 2013

Vinha uma vontade imensa de chorar

Tacioli – Dominguinhos, o que te angustia, que te dá medo? Dominguinhos – A morte... É a coisa mais certa que tem e que a gente não tem uma explicação. Em 2006, 2007 eu fiz uma operação de câncer no pulmão. Eu já estava com o dia da operação marcado, voltei do Ceará, encontrei

30 08 2013

De gravar eu não gosto!

Tacioli – Você falou da boemia. A boemia também já te fisgou? Dominguinhos – Não. Tacioli – Nunca, nunca? Dominguinhos – Não, eu era um profissional da música. Tocava das dez (da noite) às quatro da manhã e ia embora para casa. Manu Maltez – Ia dormir, não ficava. Domi

30 08 2013

Tem um jeito de tirar (as músicas) das editoras

Pavan – Você falou dos direitos autorais dessas músicas, Dominguinhos. A sua obra é sua? Como é hoje em dia? Dominguinhos – Não. São músicas feitas e entregues a várias editoras e elas criam dificuldade. Eu mesmo libero a minha parte. Minha parceira ou parceiro libera também, mas

30 08 2013

"Tem bailarina?"

Tacioli – Quando nasceu esse medo de avião? Dominguinhos – Eu andei por mais de 30 anos dentro de avião, do ruim ao melhor. E aí, o medo foi se acumulando. Manu Maltez – Você gravou uma música que fala de avião, em que você está lá em cima pensando...? Dominguinhos – Foi o

30 08 2013

Não tenho medo do povo

Tacioli – Dominguinhos, Sivuca teve um namoro com a música clássica... Dominguinhos – Tocou muito. Tacioli – Você já se aproximou dela, já teve interesse em ter esse flerte com a música clássica? Dominguinhos – Não, não tive, não! Cada macaco no seu galho. [risos] Pavan

30 08 2013

Arrigo Barnabé, grande músico

Tacioli – Dominguinhos, gostaria de agradecer em nome do Gafieiras por você ter dado duas, três horas de seu tempo pra gente... Dominguinhos – Ah, mas tem que ser! Eu que agradeço a vocês! Se um dia quiserem fazer alguma coisa assim com minha filha Liv é só falar que eu falo com ela.