gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

Cristina Buarque

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26 05 2012

Esquina de vozes, risos e lágrimas

O quarto exalava aquela impessoalidade de flats e residences e coisas afins. Tão pequeno: o banheiro logo em frente à porta, o sofá, um armário, frigobar e, após dois degraus acarpetados, o quarto com duas camas de solteiro. No fim de tudo, no fim do quarto, a sacada. A menor sacada do mundo. E

26 05 2012

Plano para se fazer disco tenho um monte

Cristina – Cyro Monteiro, Aracy, Pixinguinha. Mas também fui perdendo muita coisa pelo caminho. Esse negócio de emprestar, nego não devolve, isso acontece muito. Mas a minha discoteca não é grande coisa, não! Tenho muita coisa porque vou comprando em fita. Em fita tenho o completo da Arac

26 05 2012

A arte era uma coisa mais livre

Tacioli – Cristina, você está falando que precisa de uma gravadora, ainda mais se tratando dessas músicas antigas. Como é sua relação com as gravadoras? Você começou na RCA, né?! Cristina – É, comecei na RCA, onde gravei dois discos. Depois fui para a Continental, fiz um disco. E

26 05 2012

Se algum selo topar, lanço o disco Cristina e Mauro Duarte

Zeca – Como é que foi a distribuição desse disco independente, o Cristina e Mauro Duarte (Coomusa, 1985)? Cristina – Foi debaixo do braço mesmo. A gente ia fazendo show e levando LP para vender. Fizemos uma tiragem de 2000 exemplares, que era o mínimo que se fazia. Chegamos ainda a le

26 05 2012

O pessoal da Velha Guarda não fazia música pra ser gravada

Tacioli – Queria que você falasse um pouquinho sobre sua infância, como era, e como surgiu sua relação com música. Que tipos de recordação dessa época você tem? Cristina – Quem me apresentou essas figuras do samba antigo que gosto até hoje, Mário Reis, Francisco Alves, aquelas c

26 05 2012

Estudei Fonoaudiologia

Tacioli – Cristina, você nasceu em São Paulo, mas mora no Rio há anos e grava muito sambista carioca. Como você definiria sua relação com São Paulo e Rio de Janeiro? Cristina - Engraçado, não sei te dizer isso, não. Tacioli – Ao mesmo tempo, sua primeira gravação foi uma músi

26 05 2012

Eu cato, não sou pesquisadora!

Tacioli – Cristina, você se considera uma pesquisadora? Cristina – Eu cato, não sou pesquisadora. O pesquisador é aquele cara que tem um material enorme, fruto de anos de levantamento. Muita gente acha que sou pesquisadora, mas não sou, não! Dou umas catadas, ou faço, esporadicamente

26 05 2012

O cara que toca pagode não conhece Ataulfo Alves

Tacioli – Cristina, quando você conheceu o Herminio Bello de Carvalho? Cristina – Conheci o Herminio há muito tempo, mas só fiquei mais próxima dele depois da homenagem ao Maurício Tapajós, em 95. Fizemos vários trabalhos juntos. O Maurício queria fazer um lançamento dos discos da

26 05 2012

No Brasil não se noticia cultura

Tacioli – Cristina, dá para dizer que essa turma mais nova de sambistas tem um fundo ideológico ao optar por esse repertório e esses artistas da velha guarda? Como uma espécie de resistência? Cristina – Ah! Acho que eles cantam o que gostam, mesmo! E de repente um conhece duas ou trê

26 05 2012

O importante hoje é o ritmo para o pessoal sair dançando

Tacioli – Nós entrevistamos o Mauricio Pereira e ele afirmou seu desencantamento com a arte, com a música. Um dos temas interessantes da conversa foi a perda do sagrado na arte. Segundo ele, por uma série de circunstâncias, hoje não se produz mais clássicos. Como você definiria o sagrado

26 05 2012

Tenho fama de boêmia, mas durmo muito cedo

Tacioli – Cristina, estamos quase encerrando. Cristina – Vou só ligar pra baixo para, de repente, segurarem um pouco. Às vezes tem aquele negócio de "Meio-dia tem que sair, senão paga outra diária". Mas nesse hotel eles são ótimos. "Não, qualquer coisa fale com o Tiago". O Tiago

26 05 2012

O samba é tratado como uma coisa menor

Tacioli – Você guarda alguma mágoa na sua trajetória artística? Cristina – Mágoa?! [respira fundo e começa a chorar, de brincadeira] Nhé, nhé, nhé!! [risos] Hoje, sinto assim, às vezes dá vontade de parar, e aí entendo essa história da Aracy, porque tudo é difícil, você tem

26 05 2012

Enterro no Irajá é uma festa! Sempre saio trêbada!

Tacioli – Em outubro de 2001 Nelson Cavaquinho teria completado 90 anos. Cristina – A data de nascimento do Nelson Cavaquinho é muito confusa, porque ele nasceu em um ano, mas foi registrado em outro. Outro dia eu estava comentando que se os 90 anos dele foram em 2000, como o do Adoniran,

26 05 2012

Todo mangueirense é, no fundo, um bom portelense

Zeca – Estas histórias que você está contando são todas de sambistas mais velhos, mas como é que foi o enterro da Clara? Deve ter sido barra pesada. Cristina – Da Clara foi uma loucura. Todo mundo ficou sem entender, um negócio absurdo, uma coisa de erro médico. Foi choque anafilát