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Entrevistas de música brasileira

Caetano Veloso

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04 06 2012

Por um dedo se conhece o gigante

Tacioli - Seu Vieira, e o que o senhor espera desse show de hoje, desse encontro? Vieira – Acho que vai ser de alto nível. O Riachão tem história, tem música simples e bonita. Eu vou fazer a minha parte, vou fazer o que posso. O meu repertório foi escolhido pelo Zeca Baleiro. Nós ensaiam

10 07 2012

Visto?

Não, o Gafieiras não entrevistou Caetano. Gostaríamos, afinal ele gosta de falar e a gente de escutar (e falar também, só que menos), mas vocês sabem como é essa história de grandes figuras e pequenos meios de comunicação. Não há de ser nada. A gente ainda se tromba por aí. Por outro la

10 07 2012

Caretano sou eu

Bondinho – Quem é o Caretano? Caetano Veloso – O Caretano sou eu. Foi o Rogério Duarte [n.e. Baiano de Ubaíra nascido em 1939, Rogério Duarte é artista gráfico, músico, poeta e tradutor. Figura-chave do tropicalismo, criou célebres capas de discos de Caetano, Gilberto Gil, Jorge Be

10 07 2012

O show nasceu de um trabalho que eu e Macalé iniciamos

Bondinho – Na sua volta, o show que você fez mostrava um tipo de trabalho desenvolvido durante todo o tempo que você esteve fora, quer dizer, reapareceu diante do público aqui no Brasil com uma seleção de músicas, um tipo de apresentação, que provocaram impacto e uma série de interpreta

10 07 2012

“Isso aqui é uma prévia do espetáculo do Brasil”

O Bondinho – Eles haviam acompanhado alguma coisa, visto bossa nova ou alguma referência... Caetano – Se eles não sabiam muito bem de música brasileira, pelo menos de outras coisas do Brasil eles sabiam e o interesse deles já continha um elemento anterior ao próprio espetáculo. Entã

10 07 2012

Londres é muito chato, e é muito bom

Bondinho – Londres... o que foi realmente pra você. Teve um disco que você não fala dele com muito entusiasmo. Tem outro que você já fala com outra disposição... Caetano – É porque realmente teve duas fases muito diferentes. No princípio eu não gostei. Eu já tava com o saco cheio

10 07 2012

Sinto muita angústia, tenho muitos grilos estranhos

Bondinho – Já duas vezes, a gente conversando aqui, você citou a coisa descomprometida, o acaso... Caetano – ... influindo... Bondinho – diretamente no resultado do seu trabalho. Ao mesmo tempo, você refletiu tranqüilidade com relação ao que fazer quando pinta esse acaso. Isso é b

10 07 2012

Não descubro em mim nenhuma vocação para o poder

Bondinho – Veja fez um artigo sobre você, em cima do teu poder. Estabelecendo um poder, o poder de Caetano Veloso... Caetano – Eu falei que não tenho angústia em relação à criação, mas que tenho angústias em outras áreas; e realmente se há uma coisa com a qual eu tenho uma relaç

10 07 2012

Eu vi Cauby ser atacado pelas fãs violentamente

Bondinho – Você parece uma pessoa bem informada musicalmente, isto é, de ter ouvido música, de ter cantado música de diversos compositores. Quando disse que, se estivesse fazendo cinema, estaria também escrevendo sobre música, talvez seja por esssa carga informativa que você já tinha de

10 07 2012

Não sei se escrevo, se toco, se pinto, se faço filme...

Bondinho – Guilherme Araújo falou uma coisa interessante da época em que vocês foram pra São Paulo, de que você constituía de certa forma num tipo de problema pro grupo, porque você era uma pessoa criativa, tinha música, mexia com várias coisas mas não era um cantor, não era um compos

10 07 2012

Gosto muito de toda a coisa da fase tropicalista

Bondinho – E ao mesmo tempo tem a tua visão hoje do uso dessas diversas coisas na música, quer dizer, do ponto de vista de você fazer uma coisa ilustrativa, o próprio descontraimento de palco que você mostrou no show, quase uma cenografia própria. Tá tudo mais... Caetano – É, pra mim

10 07 2012

Sensibilidade, eu tenho de sobra, sou uma moça

Bondinho – Já que tamos nessa área, queria sua visão do chamado encontro com os concretistas de São Paulo. A ligação que você teve com a poesia, Haroldo de Campos, naquela época. Caetano – Eu não conhecia a poesia concreta, nem as pessoas que faziam e pra dizer a verdade não sabia

10 07 2012

Fui mais influenciado por Glauber do que por Beatles

Bondinho – Como se relacionaria o trabalho de vocês, na época, com o deles – identificação, influência, eram trabalhos paralelos ou o quê? Caetano – O fato deles terem despertado nosso interesse pra determinadas coisas deve ter, sem dúvida nenhuma, influenciado nosso trabalho, ajuda

10 07 2012

A América toda é uma cafonada de cima a baixo

Bondinho – O Rio sempre comandou a criação brasileira mesmo do ponto de vista da importação dessa criação nascida em outros estados. Era um negócio centrado. Mas hoje imagino que esteja havendo uma descentralização. As criações regionais, sejam baianas, sejam mineira... como é que vo

10 07 2012

É também um privilégio não ter raízes

Bondinho – Agora, você entende as suas coisas sem a Bahia, sem a sua existência, a sua formação baiana? Caetano – Não, de jeito nenhum. Mas isso é muito complicado, porque não tenho nenhum interesse em regionalismo, tá entendendo? Eu tô ligado com a Bahia concretamente e só sai no

10 07 2012

Na Bahia não tem nenhum psicanalista

Bondinho – É engraçado a volta da coisa: na época do tropicalismo houve muita preocupação com a palavra importação: o debate todo era em torno da “importação”. Hoje as coisas se modificam. Fala-se muito do regionalismo tal e tal e se descobrem coisas dentro do Brasil. Quase uma vira

10 07 2012

Desde a bossa nova tomei a atitude de João

Bondinho – O encontro com João Gilberto, o negócio de você vir aqui, cantar com João... Caetano – Meu encontro com João foi uma coisa da mais profunda importância pra mim, porque... eu creio que deva ser pra quem quer que encontre com ele, que tenha algum tempo com ele, porque João...

10 07 2012

Chega de Saudade mudou a forma do povo ouvir conversa

Bondinho – Uma pergunta, sem sentido provocativo, mas para o sentido de colocação de sua parte: João recebe uma série de não entendimentos dentro do Brasil, seja por parte da imprensa, enfim, uma série de não entendimentos, tanto que ele vem, fica um pouco, e sai. Qual é a sua visão dis

10 07 2012

Não tem uma cantora no Brasil melhor que a Elis

Bondinho – Ela (a Elis Regina) não teria sido a pessoa que mais se expôs a esse dado de consumo? Caetano – Não sei se foi a que mais se expôs, mas é uma pessoa que ficou num lugar muito ruim. Porque você não pode dizer, por exemplo, que ela se entregou mais aos meios de comunicação qu

10 07 2012

Gil é um dos músicos mais bacanas que tem no mundo

Bondinho – O saturamento do pop: como ele chegou a você... Caetano – Olha, aconteceu de maneira muito pessoal, que coincidiu com o estado geral da música pop no mundo. Como naquela época da tropicália quando eu tive muito interesse em ressaltar diversos pontos que eram maliciosamente ignor

10 07 2012

Afirmar raizezinhas nacionais não resolve o problema

Bondinho – Numa certa época do tropicalismo, vocês questionavam criticamente as incoerências da importação que transformava, da importação que não transformava, e abriam a área de atrito da MPB, porque, mesmo transformando, vocês tavam usando uma importação, enfim, já havia milhares