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Entrevistas de música brasileira

Benjamim Taubkin

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26 05 2012

Cruza, cabeceia e defende

Estávamos naquela correria habitual para achar o endereço e chegar no horário para a entrevista com Benjamim Taubkin quando uma forte chuva desabou sobre o Butantã, bairro da Zona Oeste de São Paulo. Um pouco adiantados, e sem enxergar nada por causa do tempo fechado, estacionamos os carros no

26 05 2012

Num lugar que não se conhece, você fica mais vivo

[ Enquanto a equipe ajusta os equipamentos de vídeo e áudio... ] (...) Renato Nery - Agrada o formato MP3? Benjamim Taubkin – Saiu um (artigo) na piauí em que o cara fala que nunca se ouviu tanta música com um som tão ruim [ n.e.: A reportagem intitulada "Baixa fidelidade", assinada p

26 05 2012

Nossos heróis eram o Elvis, Beatles e Rolling Stones

Taubkin – Vocês querem tomar alguma coisa? Tem suco, água, pão de queijo... Podemos tomar daqui a pouco... Fiquem à vontade. Tacioli - Você disse que morou em vários lugares de São Paulo. Em que bairro você nasceu? Taubkin – Eu nasci no Jardim Europa. Nasci na Rua Suécia, esquina c

26 05 2012

A primeira coisa que fez muito sentido foi Led Zeppelin e Cream

Dafne – Então, as primeiras noções musicais estavam ali na família, mas a sua mãe chegou a te ensinar de alguma forma? Taubkin – Não, não. O ensino dela veio pela convivência. Teve uma experiência quando tinha 9, 10 anos de um professor de piano para os três filhos. E me lembro que

26 05 2012

Juscelino é um cara que dá saudades do que não vivi

Tacioli - Os seus pais esperavam o que de você, profissionalmente? Taubkin – Sem dúvida, uma faculdade, uma profissão liberal, alguma coisa economicamente representativa. Dafne – Mas nem que fosse músico erudito? Taubkin – Aí teria que... Sabe quando você vai tendo o aval oficial?

26 05 2012

Talvez o filho mais rebelde fosse eu

Max Eluard – Já que a gente entrou nessa seara, Benjamim, pensando a cultura e Ministério da Cultura hoje, como você vê a atuação do Gilberto Gil, um músico como você, que está aí há cinco anos. [ n.e.: Cargo que ocupou de janeiro de 2003 a 30 de julho de 2008; a entrevista é de mar

26 05 2012

Boate eu achava careta, mas ia ver show de rock

Tacioli - Você falou do piano, mas houve uma vontade de aprender outros instrumentos? Com essa sua formação de ouvinte da cultura pop, piano não é uma coisa que você leva nas costas pra tocar, não tem a mobilidade do violão, da guitarra... Taubkin – Chegou a passar uma guitarra na minh

26 05 2012

Com 17 anos eu comecei a organizar concertos

Tacioli - Pra mim é uma surpresa a sua trajetória. Max Eluard – Essa sua faceta rock and roll. Dafne – E também por começar a tocar com piano, que não é um instrumento fácil assim, aos 18 anos de idade. Taubkin – Foi muito curioso esse meu desejo - queria muito tocar piano - e a

26 05 2012

O Vinicius e o Jobim não aconteceriam hoje

Dafne – Isso vem de uma experiência coletiva da música? Taubkin – Isso vem muito de experiência coletiva quando você encontra 10, 15 músicos que tenham essa preocupação, quando isso passa a ser uma conversa valorizada. E eu era, em geral, o mais novo nesses lugares, então ficava ouvi

26 05 2012

A Ópera do Malandro foi o meu primeiro trabalho em SP

Tacioli – Onde você tocava? Qual era o circuito? Taubkin – Então, comecei a fazer isso em 1981, 1982, quando fui me profissionalizar. Quero dizer, um pouco antes fui me profissionalizar como músico. Mas ainda não tocando a noite. Acho que o primeiro trabalho organizado que tive foi a pe

26 05 2012

“Precisamos fazer alguma coisa pela música brasileira!”

Dafne – Você falou do América Contemporânea, da América Latina... A gente podia voltar um pouco pra esse lado produtor-agregador. Taubkin – Foi uma coisa meio fortuita. Com 16, 17 anos tinha um amigo músico, mas que acabou se dedicando à publicidade, que se chama Lino Simão. Lino Marq

26 05 2012

Não é ir atrás de uma lei e vender um projetinho

Dafne – Ele estava no Me dá um mote? Taubkin – Ele tocava baixo, era o contrabaixista do Edu. Tudo isso em 1973. Em 1974, a vida acontecendo, a vida rolando, um amigo falou - essas coisas de amigo de um amigo - que conhecia um cara que estava coordenando um movimento dentro da Secretaria de

26 05 2012

Toquei onde todos tocavam: Baiúca, Padock...

Dafne - Quando você se dedicou, quando você optou pela música ficou um tempo... Taubkin – Fiquei uns oito anos sem mexer com projetos. Tacioli - Sem mexer com produção. Taubkin – Sem mexer com nada com produção. Produção voltou quando estava tocando à noite, em 1984, então come

26 05 2012

O imaginário do piano é como foi o do saxofone

Tacioli - E hoje em dia você tem vontade (de tocar novamente na noite) ou freqüenta alguns bares pra ouvir o que se toca? Taubkin – Tiveram tantas coisas que aconteceram desde então. E uma delas, que vivo já há alguns anos, se deve ao fato de ter o selo. Muito também por causa do Mercado

26 05 2012

Eu não gosto muito da postura classista

Max Eluard – Nessa trajetória teve algum momento em que você se viu a ponto de desistir, algum golpe, ou a vida sempre lhe tratou muito bem? Taubkin – Olha, são duas coisas, sou grato à vida, posso te dizer isso sem a menor dúvida. Eu sou completamente grato à vida, completamente. Teve

26 05 2012

A OMB não serve pra nada

Max Eluard – Dentro dessa consciência de classe, como você vê a OMB (Ordem dos Músicos do Brasil)? Taubkin – Da pior forma possível. Acho terrível, terrível, terrível! Não faz sentido nenhum a existência da OMB. Sei que existem movimentos que até tentam reorganizá-la, mas por mim

26 05 2012

O Radamés é um dos heróis da minha vida

Tacioli - Mas pintou uma tristeza em algum momento nessa luta com a OMB com relação aos colegas? Taubkin – Gozado, quando ele perguntou sobre a tristeza na música, se existiram momentos em que fiquei muito triste ... Tiveram duas coisas que foram simbólicas, significativas. Uma quando conh

26 05 2012

O Núcleo só existiu na crise

Max Eluard – E como você vê a relação do artista, qualquer que seja a sua área, com o mercado e a liberdade criativa? Taubkin – A gente vive um momento muito interessante. Eu não reclamo dele. Dafne – Quero acrescentar uma pergunta à dele. Taubkin – Claro. Dafne – E como a s

26 05 2012

“Vamos fazer nós mesmos a distribuição de discos”

Max Eluard – Montar um selo, uma gravadora, pensar distribuição, eram coisas que algum de vocês tinha afinidade ou vocês foram aprendendo juntos? Taubkin – A gente aprendeu junto. Eu tinha tido uma pequena experiência antes; o Rodolfo Stroeter [ n.e.: Baixista, produtor e diretor musica

26 05 2012

Nunca fizemos conta!

Max Eluard – Vocês criaram um mercado? Taubkin – Criamos, e era um mercado que estava aí. Existia uma demanda latente. Agora, claro, a indústria como um todo entrou (em crise), porque se ela estivesse boa, a gente tinha um mercado. Isso a gente sentiu de cara. A gente foi a menina dos olh

26 05 2012

O mercado ideal pra mim não é eu vendendo 100 mil discos

Max Eluard – Começar um negócio que estava em decadência... Taubkin – Não, e tomar empréstimo... Uma coisa que a gente sempre tomou cuidado foi “Nunca fazer empréstimo! Nunca entrar em buraco!”. Isso também foi uma sorte. Mas, de qualquer forma, quando a gente parou, parou e separ

26 05 2012

Minha missão é essa: poder viver criativamente

Max Eluard – E é somente por esse sentimento, por ter essa delimitação, que você não encarou o download, ou existe alguma questão ideológica? Taubkin – Não, sabe que já há muitos anos, quando comecei a fazer essas eleições, “Isso não faço, isso faço, aquilo não isso, aquilo

26 05 2012

É muito legal ler McLuhan hoje

Tacioli – O que a internet trouxe de bom para a música brasileira? Taubkin – Muita coisa. Em todos os sentidos. Acho que não somente pra música. Bom, a circulação de informação está aumentando. Acho que agora ela começa a encontrar a sua própria linguagem com MySpace e YouTube. Pas

26 05 2012

Tenho um desconforto quando meu nome está à frente

Ângulo – Você está numa fase aglutinadora, ainda mais vendo este projeto da América do Sul... Taubkin – Você sabe que não tinha percebido isso. Gozado, quando fui masterizar os discos, a Jade (Pereira), que estava fazendo a masterização na Classic Master, do Carlinhos Freitas, falou:

26 05 2012

O povo consome a mesma coisa ruim que a elite

Dafne – Mudando um pouco de assunto. Talvez vá ao encontro da história do Gil... Taubkin – Ah, posso depois responder essa pergunta. Dafne – Não tinha lido na Folha um texto que o Tacioli me mandou depois por email. Era a coluna da Bárbara Gancia, em que ela falava de um modo muito ag

26 05 2012

Manter a sociedade civil e governo separados é importante

Max Eluard – Concordo que esse limite não pode ser muito pastoso, mas por outro lado, esse governo foi o primeiro a trazer a sociedade civil para o diálogo... Taubkin – Concordo com você, mas quando vejo a história da Câmaras (Setoriais de Cultura), por exemplo, que a princípio é uma.

26 05 2012

Às vezes política cultural se transforma em evento

Dafne – Mas parece um rescaldo da ditadura. Taubkin – Você sabe que é fácil embutir política cultural nas leis de patrocínio. Cem por cento é pra fomento, pra pesquisa; show mal dá vinte, 30% e pronto. Mas vai criando base. O cara fala: "Pô, vou ser prejudicado agora?". Agora, mas da

26 05 2012

Será que é o prenúncio de uma Renascença?

Nery – É uma coisa que sinto muito nesse governo é que há uma visão bastante diferente de cultura. Por exemplo: a gente teve um ritmo de visão em que a cultura era como se fosse a tradição do país. E neste governo foi essa postura da “questão da invenção”. Não querendo julgar iss

26 05 2012

O primeiro papel do artista é ser fiel à sua música

Nery – Posso fazer uma especulação diante daquilo que você falou antes? Taubkin – Pode. Nery – Você questionou se a gente não está está vivendo um outro Renascimento. Não seria por que a gente está de encontro a um mundo medieval? Taubkin – Quando você vai pensar a política