gafieiras

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Entrevistas de música brasileira

André Abujamra

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09 07 2012

A supermáquina de destribificar

Já se vão 14 meses desde que baixamos ali na Lapa, num casarão espaçoso, próximo ao trânsito maluco da Cerro Corá, mas com alma de morada do interior. Nesse breve período, três matrimônios gafieirenses foram pro brejo, a trilha de um filme que estava sendo fornida por nosso entrevistado j

09 07 2012

Já começou, seus viados!

André Abujamra – Legal, hein? Você está filmando em black and white? Max Eluard – Eu ia passar agora para black and white. Abujamra – Hã. Max Eluard – Ela tira foto também. Abujamra – Que legal! Muito legal. Ricardo Tacioli – Tá rolando? Daniel Almeida – Tire isso do c

09 07 2012

O Babenco te deixa nas trevas pra você criar melhor

Almeida – André, falando em sobra de música e que não foi aceita, como foi trabalhar com o Babenco? Não deve ter sido fácil, não. Abujamra – Cara, não foi fácil trabalhar com ele porque tem gente que te faz trabalhar pelo sofrimento. Eu sofri muito para trabalhar com ele. A primeir

09 07 2012

Descobri que posso fazer tudo

Max Eluard – Então, André, você começou muito cedo e muito novo nos Mulheres. Quantos anos você tinha? Abujamra – Puta, nos Mulheres eu tinha 21, 22 anos, cara. Rosselli – Alguém já assistiu aos Mulheres ao vivo? Eu ia sempre aos shows de vocês no Mambembe, no Paraíso. Abujam

09 07 2012

O orixá que me guia é o da transformação

Almeida – Você é um cara que trabalha em muitas frentes. Em algum momento isso te angustiou? Abujamra – No final dos Mulheres Negras, a gente teve uma crise... O Mauricio Pereira é Escorpião com Escorpião, e eu sou Touro com Gêmeos. Tenho o pé no chão com a cabeça na Lua. Sou bem lo

09 07 2012

O Mauricio é um guerrilheiro ideológico. Eu sou um anarquista

Tacioli – Para os Mulheres, esse período de dez anos foi importante. Abujamra – Ô, foi muito importante. Antigamente a gente tinha a coisa do sucesso, do pop, de fazer viagens, mas hoje eu tô cagando, CA-GAN-DO pra gravadora, eu tô cagando pra fazer ou não sucesso. Eu já fiz sucesso in

09 07 2012

Inventei um verbo: destribificar!

Max Eluard – Pra você, o que importa a música? Abujamra – Eu respeito música porque respiro música. Eu, com três anos de idade, escutava uma sinfonia do Prokofiev [n.e. Sergey Prokofiev, 1891-1953, compositor erudito russo autor da ópera Guerra e paz e das trilhas sonoras de dois filme

09 07 2012

Eu queria ter feito a ‘Eguinha Pocotó’!

Tacioli – Mas quando você diz que gosta da Sandy & Junior, o que é gostar? É pegar o disco e curti-lo ou é simplesmente respeitá-lo? Abujamra – Não, eu gosto. Mas o meu gostar como músico... se você fosse minha namorada, você iria me bater, porque quando a gente fosse ouvir um

09 07 2012

Uma laranja em cima de um tubo de ensaio vira obra de arte

Tacioli – Você não acha que essa visão da arte e do mundo que você tem pode esbaçar seu poder crítico, tanto para se criar, quanto para se colocar dentro de um meio? Abujamra – Eu acho que tudo na vida tem um limite. Eu não vou pedir para o Chitãozinho & Xororó fazer o que ele

09 07 2012

Antes do meu filho nascer, eu tinha medo do escuro

Rosselli – Tá gravando? Tacioli – Tá, sim. Max Eluard – André, é engraçado, estou achando um pouco difícil te entrevistar. Abujamra – Por quê? [risos] Max Eluard – Pelo sentimento de que é difícil fazer uma pergunta, sacumé? Abujamra – Pode perguntar. Max Eluard

09 07 2012

Se o Tom Zé existe, quem não vai acreditar no ser humano?

Max Eluard – Sem ver a questão localizada e abrindo bastante o zoom, você vê um grande nome do mundo nessa questão política e social? Abujamra – Sempre existiu. Há uma teoria que diz que os gays nunca foram nem mais, nem menos, a única coisa que muda é o marketing disso. Na Roma an

09 07 2012

Meu pai respira arte 100% da vida

Max Eluard – Como é a relação com seu pai, esse seu otimismo em contraposição com o pessimismo dele? Abujamra – Nossa, eu tenho conflito desde que nasci. Pô, ser filho do Abujamra é foda, meu! É o peso da camisa. Ser filho dele não é fácil, não. Sabe aquela coisa do negro, de q

09 07 2012

Fiz um disco louco com o Pato Fu. A gravadora nem olhou!

Rosselli – Posso puxar um assunto novo? Abujamra – Claro. Os caras não sabem mais o que perguntar! [risos] Rosselli – Como foi trabalhar com o Pato Fu e com o Charlie Brown Jr.? Abujamra – Bom, com o Pato Fu eu fiz um disco. Foi assim: eu estava lançando o Karnak e a Fernandinha c

09 07 2012

Estou numa puta crise artística depois que o Karnak acabou

Max Eluard – O que te chama atenção na atual música brasileira? Abujamra – Pô, eu tô meio... Antes de falar isso, vou falar o que está acontecendo... Como faço muito longa-metragem, muita trilha, estou mixando tudo em 5.1. Então, pra mim o estéreo está velho, estou cansado de esc

09 07 2012

Ô, dá uma balinha dessa pra mim!

Dafne – Vi o show de despedida de vocês em Ribeirão Preto, no Teatro Municipal. Acho que vocês fizeram uma turnê de despedida pelo interior... Abujamra – Fizemos. Max Eluard – Com os Mulheres vocês acabaram sabendo que ia acabar. Abujamra – Sabíamos que ia acabar. A gente some

09 07 2012

Os Mulheres já fizeram show para uma pessoa

Max Eluard – Vi uns três, quatro shows do Karnak. Surpreendentes! A coisa cênica era muito forte. Era você quem pensava? Abujamra – Eu pensava, mas no começo a gente tinha aula de mitologia grega [risos], a gente tinha ensaio de teatro. Depois de 10 anos, as coreografias saíam... Pô,

09 07 2012

Vou fazer um disco com 800 milhões de músicos

Almeida – Os Mulheres faziam sucesso fora das grandes cidades? Sei lá, em Ribeirão parecia que rolava... Abujamra – A gente estava numa época legal. Os Mulheres Negras tocavam na rádio. Rosselli – É que não tinha nada parecido com isso, né? Abujamra – Na época, você não ti

09 07 2012

Se curto Ben Harper, vou procurá-lo em MP3

Rosselli – Você lida bem ou é uma coisa sacal essa coisa da Web? Abujamra – Não vivo sem. Se tá piscando a porra da Internet ali, fico desesperado. Eu não vivo sem. Tenho um motoboy 512. [risos] Trabalho com publicidade para sobreviver. E no meu contrato está lá, que não preciso ir

09 07 2012

Que papo é esse de direito autoral?

Tacioli – E como você vê os artistas que aparecem na TV fazendo campanha contra a pirataria? Abujamra – Aparecem porque vivem dessa grana. Meu, é o seguinte... vamos supor que você é um rei, um rei medieval... Não havia gravadora nessa época, certo? Aí você chega pra mim e fala...

09 07 2012

Farei um longa de ação!

Almeida – Entre todas essas atividades que você leva, eu queria saber se você também escreve? Mas não letras de música, mas curtas, filmes... Abujamra – Tenho a maior vontade. Tô escrevendo um longa. Almeida – Um longa? Abujamra – É. Tô escrevendo. Vou captar, dirigir, edita

09 07 2012

Vou fazer 80 releases diferentes do meu novo CD

Tacioli – André, seus trabalhos costumam ser bem aceitos pela crítica. Como é sua relação com ela? Há alguma expectativa? Abujamra – Sou muito desorganizado com relação a isso. Se você perguntar pra mim se tenho algum material... Não tenho material nenhum e tenho um certo pé atr

09 07 2012

Não vejo a hora de voltar pra essa fumaça maravilhosa

Tacioli – E sua relação com São Paulo? Abujamra – Eu amo São Paulo, cara. Quando vou para o Rio de Janeiro a trabalho, não vejo a hora de voltar pra essa fumaça maravilhosa, esse caos. Eu amo São Paulo, sou apaixonado! Almeida – Mas sua casa parece de cidade do interior. Abujam

09 07 2012

Fui eu quem descobri o Fábrica Fagus

Tacioli – Mas falando de São Paulo... existe uma música paulistana? Dá pra falar nesses termos? Abujamra – Cara, a gente tá fudido. O músico paulista é fudido, porque mistura muito. Então a gente não tem uma cara, e até se prejudica no Brasil por causa disso. A minha música mesmo

09 07 2012

O que pegou foi essa sonoridade pop com world music

Tacioli – O Mauricio [Pereira] falou na entrevista que ele concedeu pra gente de um show de vocês em que o palco... Abujamra – ... Que o teclado caía? Foi maravilhoso, sensacional! A gente ficava muito puto porque o pessoal ria da nossa cara e a gente fazia um trabalho instrumental séri

09 07 2012

O ratinho da Folha é meu!

Tacioli – Mas esse sucesso lá não os estimulou a ficarem lá? Isso não chegou a passar pela cabeça? Abujamra – Olha, a gente tinha uma turnê lá esse ano [n.e. 2003], mas foi cancelada porque acabou a banda. Os caras de lá ficaram maus. Havia cinco shows para 2004. Cancelados também

09 07 2012

Achei Carandiru [o filme] muito delicado

Max Eluard – André, você já teve algum bode em fazer publicidade? Abujamra – Já, já tive muito bode. Mas já passou. Tenho que sobreviver, né? Max Eluard – Mas hoje você encontra prazer em publicidade? Abujamra – Encontro, porque tô em casa. Ninguém me enche o saco! [Abujam

09 07 2012

Meu pai jogou no juvenil do Internacional de Porto Alegre

Tacioli – O que você ainda não fez e tem vontade de fazer? Abujamra – Dirigir um longa. Tenho um filho... Não plantei árvore, vou plantar... Acho que o livro, quando eu ficar mais velho, vou fazer também. Mas eu quero dirigir filmes... Meu negócio é cinema, viu? Já fiz 19 longas, tra