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Entrevistas de música brasileira

Xis

Foto: Max Eluard/Gafieiras

Xis

parte 2/26

São Paulo assusta a toda hora

Tacioli São Paulo te assusta, Xis?
Xis São Paulo assusta a toda hora, né? Porra, toda hora!
Tacioli O que te assusta aqui?
Xis Quando você está no trânsito, assusta quando você vai a um show e tem gente pra caralho, assusta quando você está no estádio… Quarta-feira fui assistir ao jogo do Corinthians…
Max Eluard – Trinta paus o ingresso.
Xis Porra… Trinta paus o ingresso, véio?! Porra, vou abrir isso… não é em off, não, vou abrir em entrevista mesmo… Pode colocar… Fiquei na Tribuna do Pacaembu, na quarta, porque jogo do Corinthians na Libertadores eu não perco… E aí tenho um amigo que trabalha na Coordenadoria de São Paulo, que faz vários trabalhos bacanas na Prefeitura. E eu liguei pra ele e falei: ”Pô, tô a fim de ver esse jogo, vamos aí?”. “Vamos, vamos lá que eu vou colocar você na Tribuna”. [risos] Aí fiquei na Tribunazinha ali do lado. Depois fui para outro pico mais alto, onde a Marta [n.e. Marta Suplicy, prefeita de São Paulo], quando quer assistir a um jogo, fica.
Max Eluard – Ali junto às cabines, né?
Xis – Lá em cima. É, o Galvão [n.e. Galvão Bueno, locutor da TV Globo] fica do outro lado. Pô, São Paulo assusta por isso aí, saída de estádio é muito confusa. Eu estava com um amigo de Angola, que está procurando lugar pra estudar. O pai dele o mandou para cá e ele está na Cohab e não sabe se estuda aqui ou no Canadá. Como eu não estava pagando e o dinheiro estava curto, falei “Tô com dinheiro aqui. Vocês vão na torcida dos caras, pra pagar ingresso mais barato”. E eles foram lá na torcida do México, do Cruz Azul. Eu ficava do celular pra eles: “Mano, eu tô vendo vocês!”. E eles do outro lado. E aí, pô, o moleque ‘tava de brinco… Como a gente anda, né? Mais hip-hop. Um molequinho, preto, assim, black, falou “E aí, do rap, tem um dinheiro aí?” Olhei pra ele e falei, “Mano, não tenho dinheiro. Tenho dinheiro, não, mano”. São Paulo assusta por causa disso, você não sabe quando vai sair confusão, em que momento vai sair uma festa, em que momento pode ficar tranqüilo.
Max Eluard Mas que joguinho, hein, Xis?
Xis Chato pra caralho, véio. E outra, porra, a trinta contos o ingresso. Comentei com o Alexandre, “Porra, velho, assisti esse jogo de futebol em todos os lugares.” Depois que subimos pra Tribuna, um cara do Anhembi falou: “Ô, Xis, chega aí!”. Era onde ficava o Citadini, os caras todos. O Wladimir [n.e. Wladimir Rodrigues dos Santos foi lateral-esquerdo do Corinthians durante aos anos 70 e 80] estava lá. Fiquei assistindo o jogo do lado do Wladimir.
Max Eluard Que honra!
Xis Caralho, mano, fiquei pensando no meu pai. Meu pai adorava o Wladimir, o Zé Maria, aqueles caras todos.
Max Eluard Mas a Fiel deu um show, né?
Xis É… Ficou cantando uma música novinha que eu não curti muito, não.
Max Eluard Mas não pararam de cantar.
Xis – É, mas ficaram cantando uma música meio à Boca Juniors, tá ligado? É uma outra coisa, eu acho meio estranho. A torcida do Corinthians tem uns coros mais populares, mais gritos de guerra, mais ligadas com o samba, até.
Max Eluard E ficou mais monocórdico.
Xis – [imitando o coro da Fiel] “Oô /Oô / Oô / Oô / Oô / Oô / Timão / Oô / Oô”. E fica assim. Falei, “Caralho, que porra é essa?” [risos]
Max Eluard Tô na Bombonera?
Dafne Sampaio – Fica parecendo futebol europeu, né?
Xis É, meio italiano. É viagem dos caras, véio.
Tacioli Você falou do Wladimir. Você acompanhou a geração do Corinthians do início dos 80?
Xis Véio, se teve uma coisa que eu fiz na minha vida foi assistir jogo do Corinthians. Viajei. Fui pra Novo Horizonte, pra Minas. Vou pro Rio, mesmo, vou sozinho, véio. Pego minha mulher e vou. Final do Mundo, contra o Vasco, eu estava lá [n.e. Referência ao1º Campeonato Mundial de Clubes da FIFA, realizado no Brasil em janeiro de 2000, e vencido, nos pênaltis, pelo Corinthians]. Meu pai me leva pro estádio desde 79.

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Hip hop
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