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Entrevistas de música brasileira

Xis

Foto: Max Eluard/Gafieiras

Xis

parte 26/26

A Cássia chamava meu pai de Xizão

Tacioli – Outra coisa: qual é data do seu nascimento, Xis?
Xis – 24 de novembro de 1972.
Tacioli – Para a biografia.
Xis – Sou de Sagitário. Se quiser fazer o mapa astral e enviar pra mim de graça… [risos]
Tacioli – Vamos ver se rola.
Xis – Não, estou brincando! [risos] Olha os caras!
Seabra – E seu pai faz o quê?
Xis – Meu pai trabalhou na Prefeitura como coletor de lixo e se aposentou como Fiscal de Obras.
Seabra – Ele é uma figura bem importante, né?
Xis – Orra, véio.
Seabra – De referências.
Xis – Pra caralho. Meu pai é a maior figura, engraçado pra caralho.
Seabra – E ele ouve o quê?
Xis – Meu pai escuta rap, esses rap ruim pra caralho. Pergunte pra ele o que tocou hoje. Primeiro: meu pai nunca esperou ter um moleque que, vamos dizer assim, fosse artista, que cantasse. Eu me lembro quando saiu o Consciência black – Vol. 2.Cheguei com o disco em casa. Imagine em 1972 meu pai escutando a palavra rap. Nunca, mano. Meu pai tem todos os Bezerra da Silva, Martinho da Vila, Germano Mathias, Caco Velho, esses baratos. Aí, quando cheguei com o disco, ele me viu na capa e falei que teria o lançamento em uma casa chamada Santana Samba, ele falou, “Que porra é essa de rap, maluco?”. Aí ele colocou o disco para escutar e “Mas você está falando, não está cantando!”. [risos] Aí ele foi ao lançamento e foi quando me viu pela primeira vez. O rap é egoísta pra caralho. O rap toma todo o seu tempo, pra você fazê-lo bem, você tem que estudar, né?
Max Eluard – Mas qualquer coisa, né, Xis?
Xis – É. E uma época em que não estava entrando grana, em que troquei um trampo tradicional – um banco – para ficar atrás dos baratos do rap, ser agente cultural, aí meu pai deu uma pesada. Mas depois consegui uma grana, comprei uma casa na Cohab 2 do lado da deles. Então, consegui umas coisas para meu pai que são da hora. “E aí, quer ficar aqui, quer ir para o interior?” A casa do meu pai é maior que a minha, mas é na Cohab. Tem um quarto sobrando. Quando, às vezes, vou pra lá, durmo lá. Hoje em dia ele se apaixonou pelo rap. Sofre pra caralho! Meu pai sofre mais do que eu pelos caras não tocarem a minha música. “O moleque não toca a sua música. Não toque a dele também, não!” Falo, “Pai, não existe isso!”. “Não, fulano não te chamou!” “Não, pai, não tem nada a ver!” [risos] É a cabeça do meu pai, tá ligado? Ele vê tudo.
Tacioli – Como ele se chama?
Xis – Marcílio. Da hora foi quando eu saí na capa do Notícias Populares e falei, “Ó, pai!”. Saí na capa, com uma manchete da hora. Ele olhou e, “Pô!”. Deve ter o jornal guardado até hoje. Gente boa pra caralho. Corintiano roxo. Fala a escalação de 54, 77, 76, não gosta do Rivelino, não assiste a jogos comentados pelo Rivelino. [risos] Foi em 76 para o Rio. Ia aos shows da Cássia comigo. Os caras o chamavam de Xizão. [risos] A Cássia o chamava de Xizão. “E aí, Xizão!” Ele enche o saco para ir aos shows, quando tem uns shows bacanas, mas ele pensa que todos são como os da Cássia. “Pai, não são todos como os da Cássia”.

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Hip hop
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