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Entrevistas de música brasileira

Xis

Foto: Max Eluard/Gafieiras

Xis

parte 24/26

Leio Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Cecília Meirelles

Seabra – Quando o KL Jay estava na Alemanha, você baixou rap alemão?
Xis – Não, não. Eles tocavam muita música americana. Rap alemão não tenho nada, não. Principalmente pra Europa, eles cantam em inglês, mesmo. O francês é foda. Rap francês não fecha os versos. O bacana do rap, do repente é você fechar o verso. Aí tem aquela parada de poesia, ou você rima “Batatinha quando nasce / Esparrama pelo chão / Criancinha quando dorme / Põe a mão no coração”. Então você rima aqui e trabalha com a métrica nos buracos que existem aqui dentro. E no francês não fecha. Se você não entende a língua, não sei… Não manjo porra nenhuma de francês, não sei falar uma palavra. Então, não consigo fechar os versos.
Max Eluard – Você lê poesia, Xis?
Xis – Algumas. Fernando Pessoa, Ferreira Gullar, Cecília Meirelles. Tem os cordéis que vendem na Sé.
Tacioli – Mas pra você isso também é uma provocação artística, conhecer essas obras que são referências daqui.
Xis – É. Tem uma música do Jacinto Silva que talvez eu regrave, que é a “Gírias do Norte” [n.e. Uma das músicas mais populares do compositor alagoano e composta com Onildo Almeida]. [canta] “O Zé do Brejo quando se casariô / Ele me convidariô / Pra uma quadrilha, eu marcariá / Marcariei uma quadrilha ritmada / Fomo até de madrugada / Todo mundo cum seu pariá”. Porra, mano, o nome da música é “Gírias no Norte”, que termina tudo em “iê” e “iá”.
Max Eluard – Você ouviu Xangai cantando essa música?
Xis – Tenho com o Silvério Pessoa. É bom pra caralho. Conheci isso nos shows com a Cássia. Os shows com a Cássia eram o melhor lugar do mundo. Quando o telefone tocava e falava “Tá a fim?”, “Quando? Foi ontem? Não fiquei sabendo, vocês estão fodidos!” Musicalmente era muito bom. Não havia camarim de artista e roadie. Ficava jogando xadrez no caminhão dos roadies. No Canecão, Chico Anísio, produtor do Nirvana e a Cássia estavam lá no camarim com a gente, e não havia ninguém pesando “Tem que ficar lá!”. O barato da Casa tenho certeza que a Cássia iria se divertir pra caralho.

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Hip hop
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