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Entrevistas de música brasileira

Xis

Foto: Max Eluard/Gafieiras

Xis

parte 21/26

Acharia da hora trabalhar com trilha de cinema

Tacioli  Uma coisa que você falou e que a gente sabe é sua vontade de trabalhar com trilha, né?
Xis  Mas aí tem que ter um envolvimento com o filme, também.
Almeida  Você falou que era a fim de fazer cinema…
Xis  Mas pra fazer cinema tinha que rolar grana pra caralho, né, mano? Pra eu poder estudar cinema, para saber atuar. Eu fiz um curta com o Jeferson De [n.e. Diretor dos curtas One, One, One, Gênesis 22 e Distraída para a morte], que é o moleque que fez o Dogma Feijoada [n.e. Núcleo de cinema negro brasileiro], mas é um negócio meio palha, tá ligado? Colei lá e fiz o negócio, mas… Maior auê, cheguei do show de manhã e tinha alguém me esperando com uma Van, com um texto que ele tinha passado sei lá como, um mês antes. Olhei e, “Tá bom. Essa palavra eu não vou falar, essa eu vou.” Era um negócio meio rap, era um ensaio… Se for pra fazer um trampo de ator, seria legal com uma grana pra fazer com calma, ter alguém pra trocar idéias, um diretor bacana. É ruim fazer as coisas porque fulano fez ou porque fulano não fez. Trabalhar com trilha eu já acharia da hora.
Tacioli  Já houve convite pra trilha?
Xis  Não, nunca recebi. Se eu recebesse agora, sem um produtor bacana envolvido, acho que eu não faria. Não me sinto capaz hoje de fazer nada sozinho com relação a produção musical. Nunca fiz, sempre chamei outros produtores. Apesar que conseguiria fazer, tenho alguns equipamentos em casa. Mas nunca parei e disse, “Agora vou produzir! Agora vou gravar, vou fazer as melodias, o arranjo.” Nunca fiz isso. Não tenho estrutura de equipamento e espaço pra fazer isso, tá ligado? Moro num apartamento em que às 10 horas da noite tenho que colocar um fone de ouvido. O Seja como for fiz quando morava na Cohab. Eu dormia em cima do beliche e minha irmã embaixo. Pra eu poder escrever no computador ou ouvir alguma coisa, eu tinha que cobri-la ou então ir pra sala, mas não podia acender a luz, porque minha mãe ia trampar no outro dia. Eu também tinha que trampar! Em 98, 99 eu trabalhava numa loja de CDs. Eu vendia meu CD sem o dono saber. [risos]
Max Eluard  [imitando Xis na loja] “Chegou um aqui, muito bom.”
Xis  Não. Não oferecia, não. Eu trabalhava na antiga Ática, que agora é a FNAC, no Jardim Sul, e o Gaspar trampava numa outra loja. Aí, um dia, ele foi na Ática. Ele entrou, olhou assim… Chegou em mim e não perguntou se eu era o Xis. “Tem o single do ‘De esquina’?” “Não.” [risos] Ele insistiu, “Você tem ‘O poder da transformação’?” “Tenho”. Ele queria saber onde estava, aí fui lá e peguei. “Ô, mano, cê é o Xis, né?” “Sou.” [risos] Muito engraçado. Falei, “O que você está fazendo aí?” “Sou o Gaspar do Zafrica Brasil”. Eu queria fazer muita coisa, véio, mas não dá pra fazer. Eu já faço muita coisa. Queria fazer poucas coisas e bem feitas. Então, se alguém falar, “Vamos fazer uma trilha”, pergunto, “E aí, qual é o filme? O que você quer fazer? Talvez eu não seja a melhor pessoa pra produzir musicalmente, não, mas posso fazer letra, posso dar uma conduzida e chamar alguém bacana dentro do que você quer fazer no filme”. Sou um cara que vivo de parceria. Talvez eu me destaque em uma ou outra coisa, individualmente, mas vivo muito de parcerias.

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Hip hop
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