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Entrevistas de música brasileira

Xis

Foto: Max Eluard/Gafieiras

Xis

parte 0/26

Ibope rima com quê?

Choveu em nosso piquenique.

Xis escolheu o Parque do Ibirapuera para a entrevista. Típico cenário paulistano, aonde o Marcelo gosta de levar o moleque e a mina para passearem. Mas era verão e a chuva veio como costuma vir nos fins de tarde dos dias quentes da cidade. Nos agrupamos na marquise, ali achamos um restaurante aberto. O dia já virara noite e um mais cético disse, “Se fosse eu, com essa chuva, nunca que viria”.

“Mas, não é que ele vem?!”, disse o mesmo cético quando a notícia confirmando sua vinda, com um atraso, chegou pelo telefone. E atrasou pouco pra muita água.

Codorna só não acompanhou o chegado por um acaso, mas o Marcelo veio junto.

Xis gosta de falar, mas acho que o Marcelo é mais tímido. O Xis tem aquelas tatuagens, sobe no palco, manda recado, faz política (sem o menor sentido pejorativo). O Marcelo também é guerrilheiro, posse e mente, Geledés, sempre em busca da consciência negra. Mas o Xis tem que falar, “Foda-se!”. O Marcelo pode deitar no sofá e dormir com o moleque no colo e acordar com uma nova base na cabeça, uma letra, uma rima. Acho o Marcelo mais livre, ele goza da liberdade que o Xis quer ter, mas tem que aguentar muita aporrinhação. É, o Xis tem que dar muita explicação. O Marcelo só quer fazer o som dele, o resto tá no sangue, não precisa explicação, não precisa repetir discurso.

Durante a entrevista um olhava pro outro. Claro, Xis e Marcelo concordam em quase tudo, inclusive ambos são corintianos terroristas. Um empurra o outro em direção ao um, que volta a empurrar o outro, que chega mais perto do um. Eles estão cara a cara, acho que vão fazer um som…

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Hip hop
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