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Entrevistas de música brasileira

Vânia Bastos

Vânia Bastos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Vânia Bastos

parte 20/20

Paro o que estiver fazendo pra ver a Wanderléa na televisão

Tacioli – Vânia, você falou que tinha uma relação de ídolo com a Wanderléa. Você teve contato com ela?
Vânia – No Belas e feras gravei “Ternura”. Ela sabe que falo muito dela por aí. Ela sempre foi muito legal comigo. Até topou gravar um Videoshow na casa dela. A gente cantando “Ternura”, juntas, ali. E ela sempre me deu todo apoio. Quando tem show em São Paulo, e ela pode assistir, ela vai. Uma graça. Adoro a Wanderléa até hoje. Paro o que estiver fazendo quando ela passa na televisão. Gosto dela, acho que tem um lance ali. Não é tanto a voz, é outra coisa, é um total. Fui ver um show da Jovem Guarda… uns 4 ou 5 anos atrás, no Tom Brasil. Achei aquilo o máximo. Todo mundo lá. Eu amava a Jovem Guarda! O que eu vou fazer? O que eu vou fazer é demais! [risos] Sabe porque… Uma vez fui na Rádio Cultura dar uma entrevista pro Pica-pau [n.e. O radialista e produtor Walter Silva], esse que lançou o livro agora. Ele é meio rígido. Falei pra ele que amava a Jovem Guarda lá em Ourinhos. Ele falou, “Que mal gosto!” [ri] Ele falou isso no ar. [risos] “Que mal gosto, que coisa horrível, essa música brega. Era dessa música brega que você gostava?” Era dessa música também, mas comecei a gostar de outras músicas também. Fiquei emocionadíssima nesse show vendo a Wanderléa, a Martinha, o Leno & Lílian, Os Incríveis, tudo aquilo.
Tacioli – Você já pensou em gravar um álbum somente com músicas da Jovem Guarda?
Vânia – Não cheguei a tanto. [risos]
Almeida – Algum pudor?
Vânia – Não, tô brincando. De repente… Gente, tem canções bonitas pra caramba ali. Eram bregas, quero dizer, pra época… Numas, também. Eu não achava, eram bem populares, mas tinha aquela coisa da juventude também. Não era música brega! Mas é que não era aquela música mais estudada, não era aquilo.
Anderson – Seria a Sandy & Junior da época?
Vânia – Será? Mas sei que tem músicas com melodias ricas hoje em dia. Quero dizer, perto do que a gente têm ouvido, são melodias legais pra caramba e coisas bem feitas. Tem tantas músicas do Erasmo e do Roberto bonitas pra chuchu. Nossa senhora! Eu sou super fã do Erasmo Carlos, também. Adoro ouvir o Erasmo! Descobri que sou fã do Erasmo! [risos] Muito, muito. Ele é bacana pra chuchu. Eu tô soando antiga perto de vocês? [risos] É, acho que eu estou. Mas esse negócio da Jovem Guarda… De repente, é um lance, viu?
Tacioli – Seria como o disco do Baden Powell, de lembranças das músicas que ouvia quando era criança.
Vânia – Isso aí seria uma outra verdade muito grande… E pré-Clube da Esquina. Anterior. Nossa Senhora! E eu comecei a cantar em Ourinhos, na festinha 4º ano primário, imitando a Wanderléa. “Pare o Casamento!”, eu e as meninas do coro. A gente ensaiava na hora do recreio. Era bem assim.
Anderson – Você dublava ou cantava?
Vânia – Imagine se eu vou dublar! [risos] Questão de honra. Não. Hoje em dia dublo quando vou à televisão, mas aí dublo a mim mesma.
Tacioli – Mas do repertório da Wanderléa, você já cantou outras além de “Ternura” e “Pare o casamento”?
Vânia – Em show, de hoje em dia, da vida profissional, não. Na verdade, cantei somente “Ternura”.
Tacioli – Você acha que o seu público pode estranhar?
Vânia – Acho que pode estranhar um pouco.
Almeida – Mas você teria esse tipo de pudor?
Vânia – Teria que ser um show preparado pra isso. Aí, eu iria fazer com gosto mesmo. Coisas da Wanderléa e tudo. Nossa, tem tanta… Tem um caminho aí, né?
Anderson – Ela tem tanta coisa.
Tacioli – E ela tem uma trajetória que não ficou presa à Jovem Guarda?
Almeida – Não tem um disco dela…
Dafne – Do Gismonti.
Vânia – É, ela participou.
Dafne – Não, dela mesmo. Ele produziu, fez os arranjos. Havia algumas músicas dele também.
Vânia – Na época em que ela namorou com ele. Não conheço esse disco.
Dafne – Ouvi algumas faixas.
Vânia – É legal? Deve ser interessante.
Dafne – Ouvi na Internet. Não deu pra ouvir direito, mas me pareceu bacana.
Tacioli – E eu assisti ao Ensaio com ela e deu para perceber que tem muitas outras coisas. E como a caricatura da Jovem Guarda é pesada. Ia ser curioso ver você cantando essas músicas.
Almeida – Ia.
Tacioli – Beleza, Vânia. Obrigado pela entrevista.
Vânia – Imagina, obrigado vocês. Será que a gente falou coisa boa? Acho que um monte de coisa boa, né?
Almeida – Falamos. Muita.
Vânia – Achei legal porque conversamos sobre várias coisas que eu nunca havia falado em entrevista.
Ricardo Pieralini – Vamos começar de novo? [risos]

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