gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Vânia Bastos

Vânia Bastos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Vânia Bastos

parte 19/20

O meu fã-clube manda flores e um drops no Dia da Mulher

Almeida – Vânia, esse CD do Clube da Esquina saiu agora, está nas lojas. Você se preocupa em seus outros discos também estarem disponíveis?
Vânia – Eu me preocupo sim, mas não adianta nada.
Almeida – Você não tem controle?
Vânia – Sempre foi assim. Não tenho controle. É uma pena. Fico tão brava com isso. É chato, né?! São discos legais. Fica parecendo que é coisa antiga, não tem mais. E não é isso. É uma espécie de crueldade com o público. As gravadoras querem lucro imediato. Isso é uma chatice! A gente ainda tem que lidar com isso também, com o lucro imediato dos outros. Se ainda fosse com o seu, tava bom. [risos]
Tacioli – O primeiro não saiu em CD.
Vânia – O primeirinho de todos? Somente em LP. Os outros já saíram em CD. É uma pena, acho o primeiro tão bonito. Gosto daquele disco. Só tem em CD pirata.
Anderson – Autorizado.
Vânia – Nem é pirata aquilo, é mais ou menos pirata.
Anderson – Teve um amigo nosso, do fã clube, que fez algumas cópias para algumas pessoas. Então, a gente fala que é um pirata autorizado.
Almeida – Qual que é a sua relação com o fã clube?
Vânia – É boa. [risos]
Almeida – Mas é um contato próximo?
Vânia – É, eles mandam flores no Dia Internacional da Mulher. [risos gerais] O Domingos manda.
Anderson – É, eu sei, flores e um drops.
Vânia – É que ele sabe que gosto de Drops Kids Hortelã. [risos] O Domingos já fez muita coisa… Tem o Márcio também, que é outro tipo de fã clube. Eles escrevem coisas e se correspondem entre eles…
Dafne – Quando surgiu o fã clube? Como foi?
Vânia – Foi no tempo da “Paulista”. Naquele disco da “Paulista”, de 1990. Tanto que o nome do fã clube é Paulista.
Dafne – E como foi sua recepção ao saber que teria um fã clube?
Vânia – Achei uma delícia. Imagina? Eles apareciam nos shows com camisetas, tudo organizado, papel timbrado pra dizer as coisas. Eles têm até hoje isso. Funciona bem direitinho. É legal, é uma coisa boa. Tem gente que viaja pra outras cidades pra acompanhar os shows. É uma coisa bacana. E mais recentemente, há umas ramificações. Um fã clube é de um jeito, o outro é de outro. Gosto dessa coisa de conversar depois do show, de autografar disco, de escutar o que o pessoal tem pra dizer. Tem criança que vai ao fim do show pra cantar pra mim… [ri] “Olha, eu sei aquela sua música”. E se põe a cantar. [risos] Tenho a maior paciência. Eu gosto.
Tacioli – Tem alguma história louca de fã?
Vânia – Não sou muito boa pra lembrar.
Anderson – Teve aquele show no Nordeste em que um menininho de 8 anos começou a cantar “Canta mais”. Lembra disso? É uma música difícil.
Vânia – É, “Canta mais”. E tem aquela música do folclore armênio que eu cantava nos shows. E apareciam umas pessoas… “Eu sei aquela sua música do folclore da Armênia. Quer ver?” [risos] E cantava. Há tanta história, mas eu não lembro.
Tacioli – São fãs bem comportados.
Vânia – Ah, sim, não tem nenhum agressivo. São tietes. Tem gente que leva bicho de pelúcia, tem uns que gritam coisas na platéia.
Anderson – Vitaminada, absoluta! [risos]
Vânia – É tudo respeitoso. Mas tem uns que são mais empolgados.
Anderson – Nenhum debaixo da cama?
Vânia – Isso não. [ri] Tinha um menininho que estudava violino no interior do Estado de São Paulo. Tinha uns 8, 9 anos. Onde eu ia, isso há uns 2 ou 3 anos, ele fazia a mãe carregá-lo estrada afora. [ri] Show em Bauru, Araraquara, São Carlos, e lá estava ele.
Almeida – E era por vontade dele?
Vânia – Era! Ele falava assim, “Eu sei, eu tenho bom gosto!”. [risos] Aí, contei pro meu filhote. Ele ficou com ciúme do moleque. [ri] Foi a coisa mais engraçada. [ri]
Tacioli – Você tem quantos filhos, Vânia?
Vânia – Tenho dois. Uma de 16, a Rita, e um de 13, que é o Noel. E esse de 13 tinha, na época, também uns 8 ou 9, que nem o menino lá.
Almeida – Achou que ele ia roubar o lugar. [risos]
Vânia – Eu falava, “Noel, a sua mãe tem um fã da sua idade, você precisa ver que legal!” Aí, ele dizia assim, “Deve ser um gayzinho!” [risos gerais] Ele é de morte, mesmo.
Almeida – Algum dos dois têm queda pra música?
Vânia – A Rita tem. Ele já estudou piano e agora está estudando violão. Canta legal. Adora Marisa Monte. Você vê que ela tem influências no jeito de cantar. Ela gosta sim, adora música. Ele gosta também, mas gosta de fazer de conta que não gosta. Ele está estudando guitarra. E ele fica prestando atenção nos shows, se eu errei, se eu acertei. “Naquela estrofe ali, você mudou aquela palavra!” Ai, meu Deus do céu! Ele vai com a lupa. É um barato.

Tags
Eduardo Gudin
Vânia Bastos
de 20