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Entrevistas de música brasileira

Vânia Bastos

Vânia Bastos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Vânia Bastos

parte 17/20

Escolhi a maior parte das músicas do Clube 1

Tacioli – Que desafios você encarou ao mergulhar na obra do Jobim? Que diferenças têm em cantar uma música do Jobim em um disco e em fechar um álbum somente com canções dele? Ou mesmo do Caetano? Há alguma particularidade? Que cuidado você toma ao fazer um disco de um autor?
Vânia – Sabe que eu nunca pensei muito sobre isso? Não sei se há dificuldade assim. Você tem que tomar cuidado, claro, porque… Por exemplo, gravar um disco de Jobim. Muitas cantoras já cantaram aquelas músicas. Mas não sei, talvez eu tenha até um sossego, uma calma dentro de mim porque sei que, quando vou cantar aquela música, ela vai sair com o meu jeito de pronunciar aquelas palavras, um jeito de cantar que vai ser peculiar [sic] à minha pessoa. Então, sei que não vai ter aquela coisa… “Ah, tá querendo imitar”. Não sinto e nem penso nisso. Fico tranqüila pra fazer um negócio desses. Porque, se pensar muito, não canta. Se eu fosse pensar bem, não cantaria o “Trem Azul” nesse disco agora. Imagina, a Elis Regina imortalizou a música. A Elizeth Cardoso, com milhões daquelas músicas do Tom. Silvinha Telles, e tudo o mais. Mas não penso assim, não. Acho que todas as músicas podem ter também a Vânia cantando e muitas outras cantoras. A música é mais importante. A beleza das músicas… Isso é o bom. Como cantar essas músicas do Clube da Esquina… O meu primeiro pensamento quando o Mazzola falou foi “Nossa, as músicas são lindas”. Quero dizer, pensei nisso, primeiro de tudo. Então, é gostoso para uma cantora ter músicas lindas pra cantar. É isso que é mais legal. O resto vem vindo depois. E não é assim coisa muito difícil. Mesmo pra escolher o repertório do Clube da Esquina. Teve gente que falou, “Nossa, deve ter sido difícil de escolher”. Não foi. Foi fácil porque gostava muito do Clube 1 e fui escolhendo a maior parte dali. Foi fácil escolher as que eu amava e que iam ficar bem com minha voz. Claro que, quando estou em casa, pensando nas músicas, fico cantando, vendo se está de acordo com a minha voz, se tá bom. Tem umas músicas que não dá. Você vê que tem umas músicas que são legais com tal cara em tal disco… Não vai ficar bom eu cantando isso. Claro que isso acontece também.
Tacioli – Houve isso agora, para o disco Clube da Esquina?
Vânia – Teve. Tem uma música que acho super bonita, que o Lô Borges canta. Linda! Mas ele cantando. Uma que fala dos ratos (cantarola)… “Na estrada”. Dos ratos, não sei o quê, das ruas. Bacana pra chuchu. Vi que não ia combinar… “Eu cantando essa música não vai ficar legal.” Mas isso tudo é coisa minha, né? O gosto é o que impera.
Tacioli [para o Almeida] – Fala.
Almeida – Não, eu ia mudar de assunto, mas posso fazer depois a pergunta. [ri]

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Eduardo Gudin
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