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Entrevistas de música brasileira

Vânia Bastos

Vânia Bastos. Foto: Dafne Sampaio/Gafieiras

Vânia Bastos

parte 13/20

Acho horrível aquele vozeirão dos músicos sertanejos

Tacioli – Você diz em entrevistas que você é uma cantora que não tem preconceito.
Vânia – Eu falei isso?
Tacioli – Falou, mas havia um “se não”.
Vânia – Ah, tá, com a música sertaneja.
Tacioli – Isso. Eu gostaria de saber até onde vai seu preconceito? Qual é o limite? É a música sertaneja?
Vânia – É, ali não rola. Você quer saber se há alguma outra coisa que…
Tacioli – Quando uma pessoa fala que não tem preconceito com música, imagino que ela possa ouvir de tudo mesmo. Ouvir, simplesmente, não comprar. Você ouve outros estilos, fora aqueles que estão presentes em seus discos?
Vânia – Ah, eu ouço. Gosto muito de ouvir rádio. Fico variando bastante.
Anderson – Do sertanejo é desse metropolitano.
Vânia – De agora.
Anderson – Não é o sertanejo de raiz.
Vânia – Eu ouço. Claro que não gosto dessas músicas gospel, mas ouço diversos estilos de música. Tem muita coisa que eu gosto, até.
Almeida – Você ouve o que seus filhos ouvem?
Vânia – Eu ouço. Graças a Deus, a Rita adora o Djavan. [risos] Mas ouço quando ela me mostra algo diferente, até internacional. Aprendi a ouvir e a gostar daquele Red Hot Chilli Peppers. Adorei! Que bárbaro! Foi com ela. Tem um outro grupo belga, de umas moças que tocam violino, viola, violoncelo, não-sei-o-quê. Esqueci o nome agora, super legal. Foi ela quem me mostrou também. Que mais? Não sou destas que falam “Não gosto, não quero!”. Até no tempo em que ela estava ouvindo Spice Girls, há uns anos, eu gostava. Tem umas coisas bonitas ali. Gosto de coisas que tenham melodia. A Antena 1 toca tanta coisa bonita. Pode ser até meio xarope, meio melosa, mas eu gosto de vez em quando. E os brasileiros. Gosto de vozes em geral. Menos as vozes dos músicos sertanejos que tem esse vozeirão todo, são supercantores… Tenho quer dizer que são supercantores… Só que tem o fator gosto. Tem gente que adora aquilo. Eu acho horrível aquele vozeirão.
Tacioli – O pecado deles está aí, na forma de utilizar o vozeirão?
Vânia – Não sei. Acho que tem uma estética ali que é meio pavorosa. [risos] Pro meu gosto, entendeu?! Assim como eles podem não gostar do João Gilberto… O antagonismo é tanto que eles também não devem gostar e saber apreciar. Eu também não… Respeito e sei o valor que têm como cantores, porque são todos grandes cantores. Não tem ninguém ali cantando mal. Ainda mais porque não dá pra fazer aquelas vozes imensas… Só que tem uma coisa de estética que acho doloroso, horrível. E a classe média aprendeu a gostar disso de uma forma dolorosa, também.

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Eduardo Gudin
Vânia Bastos
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