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Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 4/32

O dia inteiro, rádio na AM, entendeu?

Tacioli – Thaíde, você falou da infância… muita brincadeira de rua…
Thaíde – Muita brincadeira de rua. Coisa que não se vê mais hoje. Uma época que também não tinha quase nada, né cara? Não tinha internet, não tinha videogame, não tinha nada. Tinha TV e rádio.
Tacioli – Isso é começo dos anos 1970?
Thaíde – Isso mesmo. Nasci em 1967. Tinha três anos em 1970, certo? Então você pode imaginar, ainda não sabia de nada. Quando foi chegando 1976, 1978 é que comecei a me ligar mais nas coisas e tal. Comecei ir para baile em 1978.
Tacioli – Com 10, 11 anos, isso?
Thaíde – Para baile mesmo nessa idade. Agora, tinham as festas de família quando morava no Buraco do Sapo, que era em 1977, por aí. Ia nas festinhas de família quando foi lançado o samba soul da Lady Zu, aquela parada toda. Era muito legal.
Tacioli – E os seus pais ouviam em casa? Como era?
Thaíde – Numa boa. Todo mundo.
Tacioli – Qual era o som da casa?
Thaíde – O dia inteiro, rádio na AM, entendeu? Ouvia “Américaaaa” e rolava algumas coisas. Tinha o Roberto Carlos, que dominava a rádio já nessa época, mas vinham aquelas musiquinhas, samba soul, black, essas coisas. E tinham as músicas de novela. Rolava umas coisas um pouco diferentes e tal.
Dafne – Mas rolava música black na AM?
Thaíde – Não, dificilmente. Rolava mais isso que estou te falando: Lady Zu, alguns forrós que a gente gostava de ouvir também, música brega, que na época não era brega, era música de sucesso. Fernando Mendes, Diana, esse povo todo. Até Genival Lacerda era um cara que a gente gostava muito.
Tacioli – E o Zé Béttio…
Thaíde – Zé Béttio, grande Zé Béttio. O Zé Béttio era AM, era ele que fazia a gente cair da cama. Ficava “Mãenhê, mãenhê” [ n.e. Essa era uma das tantas e curiosas vinhetas do programa do radialista, compositor e sanfoneiro paulista ] e dava raiva, dava raiva, raiva; ele enchia o saco! [risos] Mas era legal, hoje tenho saudade disso. Até comprei o disco do Silvinho por causa do programa do Zé Béttio… [canta] “Quem é que não sofre”, né? Tinha essa musiquinha. Aprendi a gostar dela e hoje viajo no arranjo porque é uma música muito bonita. No mesmo disco tem – inclusive vocês precisam fazer um lance com o Silvinho [ n.e.: Nascido em 1931 em Petrópolis/RJ, Silvio Lima foi integrante de conjuntos vocais, como Trio Quintandinha, e no início da década de 1960 foi um dos maiores vendedores de discos do Brasil; é autor de canções como “Quem é?” e “Marcha da coroa” ] -, neste disco tem… [canta] “Esta noite eu queria que o mundo acabasse”. Muito bom, muito bom! Eu tô ligado! [risos]
Tacioli – E essas paisagens sonoras, Thaíde, de que forma participaram da sua construção de rapper?
Thaíde – Então, tento buscar a mesma importância que tinha pra mim na época. Tento dar a mesma importância para essas coisas hoje, mesmo que elas já não sejam mais como antes. Mesmo que não tenha mais o programa do Zé Béttio, eu tento dar a mesma importância. Porque dessa forma você até consegue achar uma coisa interessante para usar, para poder relembrar, para fazer aquilo voltar de novo à tona.

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Dj Hum
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