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Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 3/32

A gente passava vagalume na roupa e brincava de alienígena

Max – E como foi sua infância nesta cidade, Thaíde?
Thaíde – Na infância… vivia na periferia mesmo. Não tinha esse negócio de vir para o Centro. Só vinha para o Centro com a minha mãe na época de Natal. Gostava de vir no Natal porque é uma época em que criança vê tudo maior. Para criança tudo é maravilhoso. Então, os brinquedos pequenos eram todos enormes, os Papais Noéis que os caras colocavam nas vitrines eram todos enormes também. Lembro que as pessoas vendiam muita coisa na rua, até mais que hoje, e coisas legais; tinha os ioiôs que acendiam. Lembro que tinha um cara que vendia um ioiô enorme, deste tamanho [ri], e o cara fazia assim, sabe? Umas bexigas muito loucas. Então tem muita coisa dessa época, mas ficava mais na perifa mesmo. Vivia ali na Cidade Eleonor, na Vila Santa Catarina, e a gente ficava no pião, no balão do fim de ano… Fim de ano não, meio de ano. Lembro que a gente saia na rua à noite para pegar vagalume. A gente saia igual doido para pegar vagalume, até hoje não sei pra que a gente (saia)…
Dafne – E o que vocês faziam depois?
Thaíde – Passava na roupa.
Dafne – Passava na roupa?
Daniel – E usavam chapéu de palha?
Thaíde – Não, não usava chapéu de palha.
Daniel – Meu avô ensinou a pegar com chapéu de palha.
Thaíde – Não, não, não. A gente ia na mão mesmo, entendeu? Colocava tudo dentro de um saquinho ou de um potinho e depois esfregava na roupa. [risos] Entendeu? Esfregava na roupa, brincava de alienígena, aquela parada toda, porque ficava brilhando. Mas, só a gente sabia… Hoje sei a judiação que era fazer isso com o bichinho. Amarrava linha em…
Daniel – Cigarra?
Thaíde – Não, em borboleta. Deixava ela ir e puxava. [risos] Uma maldade, mano! Era maldade.
Max – Criança é foda.
Thaíde – É. Mas o tempo vai passando e a gente vai ficando mais velho, vai aprendendo. Pegava pomba, sabe como é? Fazia armadilha no quintal, ela vinha e pá! Aprontei bastante. Amarrava um, como é que fala? Meia, numa linha preta, e deixava do outro lado da rua. Minha rua era escura, de terra. E quando vinham as pessoas, a gente começava a puxar a linha e era aquela susto… [ Chega um camarada do Thaíde na sala ] E aí, Mandinha, firmeza?
Mandinha – Posso?
Todos – Pode!
Thaíde – Demorô. Esse é o Mandinha. Se não fosse, eu não falava. Disse que vai ser rapper, vai ser MC também, não é não? Isso mesmo!
Tacioli – Quem é o garoto?
Thaíde – É o filho do zelador. O cara que manda. O nome do zelador, inclusive, é Manda.
Dafne – Manga?
Thaíde – Manda mesmo, ele que manda no pedaço.

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