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Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 28/32

A nossa moeda é o real, entendeu? No pé da letra mesmo

Tacioli – Funciona direito autoral para o rap?
Thaíde – Funciona. Por exemplo, recebo de coisas que tocam em rádio, de outro grupo, outro artista que tocou uma música minha em tal show, em tal lugar, recebo sim, mas é aquela merreca… a gente recebe em reais, né filho? A nossa moeda é o real, entendeu? No pé da letra mesmo. É real! [risos] Complicadíssimo. Mas quando você chega num lugar e vem uma pessoa com seu disco, uma pessoa pedindo autógrafo, querendo tirar uma foto, você fala assim, “bom, alguém gosta do trabalho que faço”, e isso é um bagulho que não tem preço mesmo. Você precisa pagar suas dívidas, comer, se vestir, mas aquela satisfação que você está tendo ali… não tem dinheiro no mundo que pague, e tem milionários, bilionários, que não tem isso, que gostariam de ser cumprimentados por alguém na rua e não são, entendeu? Só tem puxa saco, gente falsa, só pelo dinheiro que eles tem. Então, não posso reclamar não. Posso até chegar e bater a cabeça na parede, o caralho a quatro, mas dizer que a minha vida é péssima e que não queria ter a vida que tenho, meu Deus do céu! Até bato na mesa, pelo amor de Deus. Essa vida pra mim é maravilhosa, sou respeitado em todo lugar, tenho duas filhas lindas, sei fazer música, que é um presente que Deus deu pra humanidade. E estou vivendo minha vida.
Tacioli – Você deixa de ir a certos lugares por conta de ser uma figura popular?
Thaíde – Não, não deixo. Deixo de ir a certos lugares pra não me aborrecer. Como disse para vocês, tem coisa que só eu sei da minha vida particular e da minha vida profissional. Então, por exemplo, tem casas noturnas que não vou porque sei que vou me aborrecer com alguma coisa. Tem alguns lugares que não vou porque sei que não vou ter sossego. Se quiser, por exemplo, curtir uma festa numa boa, já não posso ir sozinho… não posso ir num lugar onde todo mundo me conhece, porque não vou curtir a festa, entendeu? Vou dar atenção às pessoas, tirar foto, vou dar autógrafo, vou conversar com um, conversar com outro. Então, aquele lance de curtição não tem. Então, quando quero curtir uma parada legal vou pra casa de alguns amigos e a gente se reúne, rola um som ou a gente vai numa casa onde não sou tão conhecido, aí consigo ficar numa boa. Mas geralmente estou num lugar e é aquele negócio sem sossego. E não culpo as pessoas por isso e nem sou chato com elas, porque são elas que me ajudaram a comprar esse tênis… apesar que esse aqui não porque esse eu ganhei. [risos] Comprar esse anel, vai! [risos] Pronto. Comprar os anéis, pagar as dívidas de casa, porque graças a Deus consigo hoje ter um apoio, que me veste e essa parada toda, isso daí tudo ajuda bastante.

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Dj Hum
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Thaíde
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