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Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 25/32

Todo mundo pode lucrar

Max – Os caras são uma TV comercial e estão ali para fazer grana, mas pensando assim está faltando uma visão mais ousada do empresário que comanda. Porque, a gente está falando que o rap é um mercado hoje gigantesco, em expansão…
Thaíde – O mercado do hip hop no Brasil ainda é muito complicado porque a gente tem várias coisas que atrapalham, não sei se pode dizer que atrapalhem, mas dificultam um pouco. Por exemplo, pego meu disco e levo pros DJs. Chego neles e falo, “essa musica é a de trabalho”, certo? O DJ vai tocar aquela música e tocar até furar o disco, enquanto pega um disco de um gringo, Ja Rule ou Snoop Dogg, e vai tocar todas as faixas do disco. Você ouve no mesmo baile cinco músicas do Snoop Dogg ou do 50 Cent, enquanto do meu disco vai tocar uma música, que foi aquela música que indiquei, ou seja, isso mostra que o DJ não teve a capacidade ou paciência de ouvir o meu disco e escolher mais uma música sem precisar perguntar para mim se pode. E claro que pode, ele vai divulgar meu trabalho, entendeu? Então tem muita coisa… fora isso, tem falta de espaço na televisão, falta de espaço no rádio e aí, voltamos a estaca zero, àquela falta de consciência de se dizer que somos artistas e fazemos parte desse mercado de entretenimento que é um mercado muito lucrativo. E todo mundo pode lucrar com isso, quem faz o trabalho, quem faz a música, rádio, televisão, revista, jornal casas noturnas, entendeu? Todo mundo pode lucrar, só que está difícil, mas não por muito tempo.
Tacioli – De que forma você lutava dentro da MTV por esses…
Thaíde – Apresentando projetos, né? Para modificar o programa. Não sei se vocês chegaram a assistir uma versão um pouco mais a vontade que era com artistas ao vivo. Então, aquela foi uma idéia minha. Minha idéia era fazer um ao vivo com telefone, tá entendendo? Pras pessoas ligarem pedindo videoclipe, para fazer perguntas para os artistas, uma platéia, sabe como é? Jogando brinde pra platéia “Quem qué isso?”, tipo Chacrinha, sabe? Um bagulho bem popular, muita gente ia querer ver o filho pode ter certeza, sabe? [risos] Mas não teve jeito, infelizmente não teve jeito.
Tacioli – Foi te cansando?
Thaíde – Foi cansando e chegou uma hora que a Globo vez essa proposta, ou lá ou aqui, aí falei, “vou fazer o seguinte, vou ficar na minha trabalhando com vocês e fica tudo certo”. Lá na MTV já estava naquele lance de vencer contrato, cinco anos que estava lá com o mesmo formato de programa. Então, de repente, há males que vem para o bem. Gostaria de ter continuado a apresentar o programa, mas um dia quero ter um onde possa apresentar legal mesmo, de qualidade, com o hip hop brasileiro.

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