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Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 22/32

“Você não quer fazer o teste? Vamos fazer o teste!”

Dafne – Como surgiu o primeiro convite pra você trabalhar como ator e como é que… porque assim o Majestade… Majestade não, porra…
Thaíde – Obrigado, obrigado. Não chega tanto. [risos]
Dafne – Diamante, é Diamante… é que na cabeça veio o Carandiru. [risos] O Diamante foi unanimidade nas críticas de Antônia, você estava muito natural… como é pra você essa experiência de atuar [ n.e. Thaíde interpretou o empresário Marcelo Diamante nas duas temporadas da minissérie e no longa-metragem Antônia, produzidos em 2006-07 pela O2 Filmes em parceria com a TV Globo; Majestade é o personagem do ator Ailton Graça no longa Carandiru ]?
Thaíde – Então, bicho, foi surpreendente mesmo. Porque participei de um curta chamado Luci Puma – A Gata da Pesada, lá na época da São Bento, onde atuei pessimamente. Aí teve um filme que o Netinho de Paula ia fazer, mas acabou não fazendo. Mas meus testes também foram péssimos.
Tacioli – Sobre o que era?
Thaíde – Era um filme falando sobre tretas , entendeu? Um carinha… aquela velha coisa né? Um carinha que é bandido, um outro que é mais a pampa e que tem o dinheiro e que namora com a mina que o bandido gosta. História inédita, história inédita. [risos]
Daniel – E quem era você?
Thaíde – Eu era violento.
Dafne – Violento?
Thaíde – Violento. Eu era um cara envolvido na parada, entendeu? Fiz uma cena, um teste que era com revolver, e tive que pegar um cara e encostar… era até o… qual era o nome dele? Robson Nascimento, é isso? Era um ator que até teve um problema sério de saúde…
Dafne – Norton Nascimento [ n.e. O ator paraense morreu em 21 de dezembro de 2007, aos 45 anos, devido a problemas cardíacos ].
Thaíde – Norton Nascimento, gente boa para caramba. Mas o filme não rolou. Quando veio esse convite do Antônia o bagulho foi assim… na época era casado com a Quelynah, que faz a Maya no filme, e fui levar nossa filha no ensaio dela… nossa filha se chama Maya, por isso que ela escolheu esse nome para a personagem, pra fazer uma homenagem, aquela parada toda. E o Pena, o preparador do elenco falou, “você não quer fazer o teste? Vamos fazer o teste!”, aí falei, “não sendo de DNA, vamos”. [risos] Fizemos o teste e ele gostou. Até então o cara ia se chamar Marcelo, ia ser o lance do empresário e tal, mas pensei, “Marcelo? Mas é um nome tão simples, né? Podia pensar em outra coisa. Essas pessoas querem brilhar, querem chegar e acontecer”. Aí joguei o sobrenome Diamante e deu muito certo. Inclusive, outro dia, uma menininha falou assim, “oh, mãe, olha o Diamante” e a mãe falou assim, “é aquele safado que queria enrolar as meninas”. [risos] Como se fosse realmente o cara. Cheguei lá em Heliopólis, fui descer do carro e uma cabeleireira falou assim, “não gostei do seu papel não, viu? Querendo enrolar as meninas”… falei, “calma gente, aquilo lá é ficção, é outra pegada”. [risos] Isso mostra que as pessoas realmente…
Max – Se envolvem, né?
Thaíde – É. Viram o Diamante, entendeu? Gostaram e não gostaram do que ele estava fazendo, e isso quer dizer que ele estava chamando atenção de todo mundo. Ganhei um prêmio de melhor ator coadjuvante no Festival de Goiânia…
Daniel – Que legal.
Thaíde – Isso é ótimo. O troféu é muito bonito e o cinema onde rolou a parada, muito bonito também. E uma moedinha que é para ajudar. Mas, sinceramente, estou muito surpreso com o Marcelo Diamante, porque sempre falei que não sou um cara pra ser ator. Então, acho que o que fiz ali foi atuar pegando um pouco das minhas experiências com alguns agentes por aí, alguns picaretas e tal. E também colocando um pouco do que sou, desse meu raciocínio que tem sempre uma resposta pronta para tudo. E aprendi que, por mais que a situação esteja difícil, desistir é uma coisa que se pode até pensar, mas não exercer, entendeu? Então, são coisas que tentei colocar no personagem.
Daniel – E você chegou a improvisar? Ou o texto era…
Thaíde – Podia mudar o texto tipo, “isso aqui não fica legal” ou “ele não falaria assim”, então teve muita liberdade mesmo. O legal é que tinha sempre o Pena, ou a esposa dele, a Silvana, pra dizer, “olha, é uma cena tensa, você não pode rir como você tá rindo”. Foi sempre legal, muito legal.

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Dj Hum
Hip hop
Rap
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