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Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 21/32

Se não fosse uma pessoa conhecida já tinha feito muita merda

Dafne – Tem alguma coisa que te incomoda no Brasil como está agora?
Thaíde – Sempre falo o seguinte… acho que a falta de respeito é a base de tudo que acontece de ruim no mundo inteiro. A gente vem sofrendo com falta de respeito há muito tempo. As pessoas tentam disfarçar com uma coisa ou outra, mas a falta de respeito está sempre levando a gente a fazer besteira, sabe? O político não respeito o cidadão, a polícia continua fazendo a mesma merda que sempre fez. Pela falta de respeito, por exemplo, eu poderia não estar aqui agora conversando com vocês. Pela falta de respeito, vocês poderiam distorcer tudo o que estou falando, entendeu? Então, acho que a falta de respeito é uma coisa que atrapalha muito. E é por isso que falo esse monte de coisas. Porque… podem dizer o que for… que é a miséria, a violência, a ignorância, podem dizer o que for, o que quiser, mas a base de tudo é a falta de respeito. Se tivesse um pouco de respeito as coisas seriam melhores, sem dúvida.
Tacioli – Mas você acha que o rap acontece mais em países com desigualdades sociais mais contundentes?
Thaíde – Com certeza. Tem muito mais verdade pra contar, tem muito mais sofrimento para dividir com as pessoas, entendeu? Então, quer dizer, não tem aquele negócio que a gente sempre fala que a melhor coisa quando você está chorando é ter um ombro amigo? Muitas vezes você vai buscar o ombro de milhares de pessoas no mundo inteiro através da sua música, é assim que acontece.
Tacioli – Se vivêssemos no paraíso o rap não existiria?
Thaíde – Aí ia falar de paraíso, de coisas ótimas. Mas iria chegar o momento que a gente ia ficar tão de saco cheio de coisas ótimas que a gente ia querer quebrar tudo para deixar o caos e ter uma coisa diferente pra falar. Mas, aí é que está o negocio, acredito que isso é equilíbrio mesmo. Acho que tudo isso de ruim que tem é para gente ver o quão bom a gente ainda é, que a gente ainda pode respeitar as pessoas, que coisas boas ainda podem acontecer se a gente quiser, entendeu? Porque se a gente fosse ruim mesmo, o mundo já tinha acabado. É que existem coisas e pessoas ruins, mas são as pessoas boas que fazem um país continuar, o mundo continuar. Por exemplo, isso que a gente está fazendo é muito bom! A gente está reunido, trocando idéia, gravando tudo, pá. Aí, daqui a pouco, todo mundo vai sair e continuar na mesma batalha. Mas amanhã, se tiver que se reunir, a gente se reúne de novo. Prefiro continuar assim, fazendo coisas boas e enfrentando as coisas más, do que fazer as coisas más e enfrentar as coisas boas.
Daniel – Você nunca ficou tentado a fazer coisas más?
Thaíde – Com certeza, várias vezes, hoje mesmo. O ser humano é assim.
Daniel – Não era contra a gente, não né?
Thaíde – Não vou responder não, cara. [risos] Claro que não! Mas são coisas do dia-a-dia mesmo que você fica pensando “poxa vida”. Oh! Uma coisa que penso toda hora, “Deus não dá asa a cobra, mas dá língua grande ao burro” [risos]; Às vezes fico pensando, se não fosse uma pessoa conhecida já tinha feito muita merda. É que graças a Deus sou uma pessoa pública, tenho filhas, entendeu? Isso me faz pensar muito. Graças a Deus.
Tacioli – Faz pensar? Assim na hora do… vem a imagem…
Thaíde – É, cara. Porque fico pensando assim, “vou aprontar uma agora que vai ser foda”. Mas aí, “vou jogar tudo que conquistei até agora pela janela? E as minhas filhas, como é que vai ser? E o orgulho que elas sentem de mim?” Aí deixo quieto. É até melhor e agradeço porque Deus me fez conseguir esse destaque todo.

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