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Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 20/32

“Então toma”, escrevi com uma fúria tremenda

Max – Você tinha falado que a raiva te impulsiona a escrever… tem alguma coisa que está te subindo pela garganta, dando nó na garganta…
Thaíde – Com certeza. Se falar não tem graça, quando lançar a próxima música você vai se ligar . [risos]
Daniel – Então canta.
Thaíde – Vou escrever ainda. Mas você pode pegar, por exemplo, uma música… “Então toma”, escrevi com uma fúria tremenda. É a primeira música do disco Apenas, que começa com uma fúria tremenda. A raiva, ela faz isso mesmo.
Daniel – Você pode falar um trechinho?
Thaíde – Um trechinho? Vou cantar ela toda porque só tem uma parte.
Daniel – Então vai.
Thaíde – Pode espalhar a noticia, vai dizer que eu tô aqui. Não importa quem me ouve, o importante é me ouvir. Vou mandando meu recado pro playboy, pro favelado. Para todos que adiantam ou atrasam o nosso lado. Se perguntarem por mim, digam que eu estive aqui. Se acaso for um Steve [n.e. polícia ], digam que não estive aqui, ele não gosta de mim e nem eu dele também. Ele só quer me reprimir e me mandar para o além. Isso foi sempre assim, sempre destroem alguém. Final das contas vai prestar conta e vocês sabem com quem. Tem os problemas da rua, tem os problemas de casa, tem uma pá de tesoura que quer cortar minha asa, tem uma pá de alegria que quer me deixar triste. E o meu único crime é ter o nome Thaíde. Sei o que você pensa e o que você quer. Quer meu ódio, quer meu sangue, quer a minha mulher. Não acredita em azar? Então tenta a sorte, mané! Sou a paz, sou a guerra, qual das duas você quer. Sou herege, tem sempre um guia que me protege. Agradeço com respeito a graça que me concede. Meus inimigos enfraquecem, caem no chão. Quando me ouvem no rádio, me vem na televisão. Inventam motivos, só para reclamar. Mas todos queriam ou querem estar no meu lugar. E vão tentar de todas as maneiras, eu sei. Esfregar minha cara na lama, eu sei. Nenhum, nem dois, nem três, nem quatro, eu sei. Pode vir que estou no apetite também. Não faço rap só por fama e dinheiro. Talvez por isso seja assim tão verdadeiro. E se tenho noção dessa verdade, amizade, não sou treze nem vinte e seis. Venha com seu dinheiro. A metáfora que mando lhe cai bem, como enfrentar o poder se não tiver poder também. Muitos fazem rap só para impressionar, não incentiva esperança na molecada. Querem que eu seja mal, na verdade ruim. Sabem que eu sou começo e querem o meu fim. Querem que eu seja um homem fraco e sem lemas. Quando o que eu quero é ser Thaíde apenas. Pra falsidade e pra falta de respeito, entre o indicador e o anelar eu mostro o dedo. Pra aqueles que querem em me dar tiro no peito, entre o indicador e o anelar eu mostro o dedo. Se pensa que por ser pequeno eu tenho medo entre o indicador e o anelar eu mostro o dedo. Para quem me olha torto, vê direito entre o indicador e o anelar eu mostro o dedo. Aqui para você! Eu mostro o dedo! Essa é a música . [risos]
Max – Estava puto mesmo, cara! [risos]
Thaíde – Não foi nem um terço do que queria, mas foi . [risos]

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Dj Hum
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