gafieiras

gafieiras

Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 11/32

Quer sossego? Vai para casa, tranca tudo e fica de boa

Tacioli – Thaíde, no começo da entrevista você dizia que esse caos de São Paulo te alimenta e você precisa dele. Quando você precisa de silêncio, para onde você vai? Onde você busca esse silêncio?
Thaíde – Na minha casa. Tranco tudo, fico com a minha filha e se ela não está, fico sozinho. Rola um som, assisto desenho, jogo videogame, leio gibi, fico na varanda, medito um pouquinho, ouço Bob Marley [risos] e fico na minha, sossegado na moral. Não tem esse negócio. Por exemplo, não viajo pra tirar férias, não viajo para descansar. Até precisei de um tempo pra viajar, ficar de boa, mas apareceu um trabalho…
Tacioli – Você precisou por que? A máquina estava castigada?
Thaíde – Estava, estava ruim. Passei por um momento difícil, mas graças a Deus já passou. Já era. Mas de repente apareceu um trabalho em Floripa, entendeu? E fui, fiquei lá três dias e, pronto, está bom; pra mim já está ótimo. Não tem esse negocio de um mês de férias. Não tem como, cara. Não sou a pessoa mais trabalhadora do mundo, mas também não sou a mais preguiçosa. Se ficar num lugar sem fazer nada vou procurar coisas para fazer. Então fico por aqui mesmo. Quer sossego? Vai para casa, tranca tudo e fica de boa.
Tacioli – Você gosta de praia?
Thaíde – Gosto.
Tacioli – Se tivesse praia aqui em São Paulo aconteceria o rap?
Thaíde – Tem praia em São Paulo, só que é longe. [risos]
Max – Você estava falando da sua filhinha, quantos anos ela tem?
Thaíde – Quatro anos, a Maya. E tem uma outra de doze.
Max – De doze, já?
Thaíde – A Tamires.
Max – Pois é, elas estão crescendo em uma cidade onde não têm espaço para curtir a rua, curtir o que você pode curtir. Como você vê isso?
Thaíde – Faço questão de fazer com que minhas filhas se adaptem a essa nova Era, esse novo tempo.
Daniel – Você não fica protegendo elas?
Thaíde – A proteção é natural, mas não fico com aquele negócio de não pega aquilo ali, não vai ali…
Daniel – Não pega ônibus…
Thaíde – Olha só, minha primeira filha vive com a mãe dela, com o padrasto e vive numa boa, são meus vizinhos e a gente se dá muito bem. Ela é uma menina esperta, inteligente, vai aos bailinhos da escola, aquela parada toda. A minha filha menor, como ela tem quatro aninhos ou ela fica comigo ou com a minha irmã, como ela está agora, e às vezes ela fica com a mãe dela. E ela gosta de fazer amizade, conversa muito, gosta de ir no parquinho, no shopping… porque agora a diversão mudou, na nossa época era rua, agora é shopping, se não é shopping é videogame dentro de casa. Sabe como é, desenho, Cartoon Network. Eles são privilegiados de alguma forma e também não. Porque na nossa época não tinha nada disso, mas a gente ia para rua, jogava pião, bolinha, não é verdade? Brincava de esconde-esconde, pega-pega, policia e ladrão, aquela parada toda. E hoje não tem mais disso não. Tem brincadeiras que eles nem conhecem, infelizmente, e só vão conhecer por histórias. É um privilegio nosso. Por sua vez, eles são privilegiados porque tem videogame, shopping, internet, tem um monte de bagulho. Tem canal só para eles. A gente não, nosso canal naquela época, obrigatoriamente, ou seja, perigosamente, era o quê? Sala Especial! [risos] [ n.e.Sessão de cinema da TV Record, em São Paulo, no qual eram exibidas pornochanchadas brasileiras, sempre de madrugada ] Esse era o nosso programa, entendeu?
Tacioli – Os peitos da Cynira Arruda [ n.e. A jornalista e fotógrafa, que já foi integrante por anos do corpo de jurados do Troféu Imprensa, também atuou em dois filmes, Janaína – A virgem proibida (1972) e Efigênia dá tudo o que tem (1975) ]
Thaíde – Putz! Cynira Arruda… agora você matou a pau! Cara, até a Wilza Carla fezSala Especial [ n.e. Ela atuou em filmes como Ainda agarro esta vizinha (1974) eAs massagistas profissionais (1976) ].
Dafne – Matilde Mastrangi.
Thaíde – Matilde Mastrangi é a mulher do…
Dafne – Magrini, Oscar Magrini.
Tacioli – Você lembra de algum episódio marcante da Sala Especial?
Thaíde – Vários. Marcantes mesmo! [risos] O lençol que o diga! [risos] Ficou marcado para sempre, quer dizer, por alguns dias, né? E hoje vejo essas atrizes, estão todas velhas, de mais idade e lembro que na época… Você vê como o tempo é implacável, mano. Ele não perdoa mesmo.

Tags
Dj Hum
Hip hop
Rap
Thaíde
de 32