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Entrevistas de música brasileira

Thaíde

Thaide-940

Thaíde

parte 9/32

Muitos me vêem como... tem várias visões aí, bicho

Dafne – Sua carreira já passou por muitas coisas, teve muitas mudanças e agora você está numa carreira solo. Como você acha que é visto pelos rappers de hoje?
Thaíde – Muitos me vêem como… tem várias visões aí, bicho. Muitos me vêem como um cara que se vendeu para mídia, outros me vêem como um cara que conquistou aquilo que desejou desde o inicio, outros me vêem como alguém que perdeu as raízes, outros me vêem como inspiração para que outros possam conseguir o pouco que consegui e assim vai. Não tem uma definição ainda. Uma coisa é legal! Eles não negam o respeito que tem por mim. Isso é ótimo! Acho que a melhor coisa que poderia acontecer para um artista é ele ser unanimidade em termo de respeito. Podem reclamar, podem dizer que fiz alguma coisa errada ou que não estão gostando da minha atuação agora, que fiz isso ou aquilo. Mas o respeito é unânime e isso é ótimo.
Daniel – Você tem o hábito de guardar os registros da sua história, de foto, panfleto…
Max – Filipeta de show…
Daniel – Primeira rima que você fez, filipeta de show…
Thaíde – Guardo algumas coisas, mas não sou aquele do “vou guardar”. Tenho algumas coisas, algumas letras muito antigas, algumas bases que não usei, fotos, algumas coisas de show também. Tem algumas coisas guardadas, mas não sou um cara aficcionado em guardar minhas coisas. E porque é o seguinte, não sou um cara que fica pensando “eu sou o Thaíde”, entendeu? Sou um cara que faz um trabalho que todo mundo gosta e sou reconhecido em vários lugares. Tento não viajar nessa pegada da minha história.
Daniel – Mas você não percebe que isso tem um valor econômico até? Não só um valor pessoal, histórico e tal, mas tem um…
Thaíde – Vou falar para você… a minha preocupação maior é continuar fazendo um bom trabalho e desse trabalho conquistar algumas coisas. Por exemplo, ainda não comprei uma casa, ainda vivo de aluguel e quero comprar essa casa. Então, tenho que fazer esse trabalho como se fosse um trabalho mesmo, e não simplesmente um trabalho artístico. Falar “eu sou o artista Thaíde e você tem que me respeitar por isso”. Tento buscar o respeito pela minha personalidade mesmo, independente de qualquer outra coisa. Então, muitas coisas que para as pessoas são importantes, para mim passam batido. Fico mais preocupado em fazer uma boa apresentação pra poder voltar naquela casa [noturna], tratar as pessoas bem, dar atenção para todo mundo e tal. Não fico me preocupando com esses bagulho. Pode até ser errado da minha parte, mas não me preocupo muito. Tento levar uma vida normal porque se pensar muito nisso… é meio complicado mesmo, é meio complicado. Vejo muita gente que é traída pela vaidade, é ruim.
Daniel – Mas não é para se gabar de nada. Era só por…
Thaíde – Eu sei, mas não… guardo algumas coisas, mas não fico…
Daniel – Tem alguma coisa que tenha um valor mais especial entre dessas relíquias pessoais?
Thaíde – Tenho um boné, um boné de madeira que ganhei de uma pessoa que era da… era da… um ex-presidiário da Casa de Detenção. E quando ele saiu, na época trabalhava com um outro agente chamado Alíbio, ele fez algumas coisas com a gente. É um bagulho que tenho guardado e que gosto bastante. Tenho… tinha, infelizmente quebrou, uma cena de um show meu que o carinha fez numa cartolina. O legal é que ele fez na hora que estava assistindo o show e fez as cenas e tal. Coloquei num quadro e acabou quebrando. Então, tem coisas que quero ter e não tenho mais, e aí já era, entendeu? Agora panfleto, principalmente foto que gosto bastante, eu guardo. Essas coisinhas guardo sim, da hora.

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