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Entrevistas de música brasileira

Sivuca

Sivuca-940

Sivuca

parte 8/19

Eu tinha a carteirinha do Partidão

Almeida – Por que erro de cálculo?
Sivuca – Erro de cálculo, sim, porque em 1º de abril houve aquela coisa que se chamou de revolução. Aí eu fiquei numa situação meio lusco-fusca, porque eu tinha a carteirinha do Partidão. Mais cedo ou mais tarde eu ia ser pego, no mínimo pra saber qual era a minha e tal. Mas aí eu recebi uma proposta de Carmem Costa pra ir aos Estados Unidos pra assessorá-la musicalmente, porque lá era muito pobre de músico brasileiro e eu era muito amigo da Carmem. “Você vai, faz os arranjos, ensaia, toca e a gente monta um grupo, porque com você, com certeza, vai haver mais cor brasileira”. Aí eu fui, tava sem fazer nada. Antes de ir aconteceu uma coisa interessante. Quando fui tirar meu visto no Consulado Americano, em Recife, o cônsul, um senhor grisalho e baixinho, chegou perto de mim e disse assim: “Mister Sivuca, eu vou lhe dar um visto permanente pro senhor nos Estados Unidos. É em agradecimento pela música maravilhosa que o senhor fez pra nós em Fernando de Noronha no tempo que eu era soldado baseado lá. Aquela música pra mim foi formidável. Nunca esqueci. E hoje eu estou cara a cara com a pessoa que mais satisfação me deu em Fernando de Noronha. Por isso vou lhe dar o permanente.” Aí me deu.
Tacioli – E senhor tinha carteirinha do Partidão?
Sivuca – Nessa altura já havia acabado tudo. Ele me deu o visto e eu saí para os Estados Unidos com o Green Card na mão, pronto pra começar uma nova vida. E não deu outra. Fui pra lá passar seis meses e acabei ficando quase 13 anos nos Estados Unidos.

Almeida – Como é que o senhor foi parar em São Francisco?
Sivuca – Fui para lá umas duas vezes quando trabalhava com a Miriam Makeba. Mas pra lá mesmo eu fui com Oscar Abrão Júnior. Ele fez um show off-Broadway, chamado Joy, que fez muito sucesso, e fomos contratados pra levar o show durante três meses em São Francisco. E aí fui pra lá. Quando o show acabou, eu ia ficar mais uns quinze dias em São Francisco, mas numa noite eu estava no apartamento e deu um terremoto. Começou tudo a balançar muito. No outro dia eu peguei tudo, peguei um carro, fui pro aeroporto e voltei correndo pra Nova York.

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Música instrumental
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