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Entrevistas de música brasileira

Sivuca

Sivuca-940

Sivuca

parte 4/19

Há uma escola brasileira de sanfona

Tacioli – Sivuca, só uma definição: é sanfona ou acordeão?
Sivuca – Tanto faz.
Tacioli – Porque eu li numa matéria que você não gosta de acordeão?
Sivuca – Não gosto?! Pode chamar por qualquer nome. Agora, que sanfona é o nome que quase 40 milhões de nordestinos dão a um instrumento que o francês chama de acordeão… O italiano chama de fisarmonica, o sueco de…, mas o instrumento é o mesmo.
Tacioli – Sivuca, na música brasileira se diz muito que há uma escola brasileira de violão. Dá pra falar que no Brasil há uma escola de sanfona?
Sivuca – Tem.
Tacioli – E como ela se define?
Sivuca – Bom, resumindo, eu creio que o sanfoneiro brasileiro é o único que toca choro, pra começar. O europeu talvez tenha até mais técnica que o brasileiro, mas na hora da pulsação musical, o brasileiro tem esse pulo do gato que é tocar choro, é tocar forró, é fazer ritmo com a sanfona, que eles não sabem fazer. Eu, por exemplo, fui fazer uma visita a uma orquestra de acordeão na Dinamarca. Aí peguei um dos instrumentos e toquei o “Quando me lembro”, de Luperce Miranda. Quando terminei, a sanfoneira spala da orquestra – eles dividem como uma mini-sinfônica – disse: “Eu não sabia que esse instrumento tinha tantos recursos como você está me mostrando agora”. Então é isso.
Tacioli – Que nomes dessa escola brasileira você destaca?
Sivuca – Eu não tenho nome ainda, não. Eu acho que quem começou isso tudo foi o Gonzagão, que na década de 30 e 40 tocava muito bem. Aqui havia uns bons naquele tempo, como o Mario Zan, o Mário Genari Filho, mas era tudo com uma influência muito forte italiana. Na época era o Mario Zan, o Mário Gennari; havia o Aloísio, o senhor Meireles, como era o nome dele, meu Deus? Havia a dona Edy Meireles, que era professora de acordeom aqui em São Paulo; Arnaldo Meireles. E lá no Rio havia o Gonzagão, depois o Orlando Silveira aqui de São Paulo, que era o primeiro acordeonista especializado em choro. E aí eu vim do Nordeste pra me juntar à turma, o Chiquinho, do Rio Grande do Sul… E aí se fez aquela turma: eu, Chiquinho, Orlando Silveira, mais tarde o Dominguinhos, que pra mim é quem melhor toca forró no Brasil. Eu aprendo a tocar forró realmente com Dominguinhos. Ele é incrível tocando forró!

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Música instrumental
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