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Entrevistas de música brasileira

Sérgio Ricardo

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Sérgio Ricardo

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Farol no cafezal

Garoto em Marília, cidade do interior de São Paulo, João Mansur se divertia em escapar dos cafezais simétricos antes do escurecer. Anos mais tarde, para encarar outros labirintos, adotou um nome de guerra: Sérgio Ricardo.

No Rio de Janeiro desde a década de 1950, o pianista fã dos cantores do rádio e das músicas românticas desenhou uma carreira de muitas vias: TV, cinema, teatro e música.

No entanto, é sempre lembrado por sua participação no II Festival de Música Popular (TV Record, 1967). Vaiado por modificar o arranjo da canção finalista “Beto bom de bola”, arrebentou seu violão numa banqueta e o arremessou sobre a plateia.

Antes disso, Sérgio Ricardo já era grife. Havia criado as trilhas sonoras dos dois filmes emblemáticos de Glauber Rocha (Deus e o diabo na terra do sol e Terra em transe), atuado em novelas, participado do Festival de Bossa Nova no Carnegie Hall, dirigido dois filmes e gravado sete discos, o primeiro em 1958, Dançante nº 1.

E depois também não parou. Escreveu três livros, assinou outras trilhas sonoras, dirigiu dois longas, partiu para a pintura e lançou nove discos. O mais recente é Ponto de partida, apresentado ao público em 2008. Foi nesse momento que a viatura do Gafieiras emparelhou com a do artista.

A entrevista publicada quatro anos e meio depois teve três capítulos. Os dois primeiros foram de tentativas. Um dia antes do show no Teatro FECAP, um contratempo em sua agenda fez a equipe recolher seus equipamentos do hotel onde estava hospedado. No dia seguinte, numa antessala do teatro, Sérgio Ricardo garantiu que falar por mais de uma hora prejudicaria sua voz. Mas assumiu um compromisso: o próximo encontro seria no apartamento de seu primo, na Vila Mariana.

Dito e feito. Ali comentou sua primeira decepção amorosa, a amizade com João Gilberto e seu engajamento com a favela do Vigidal. Intencionalmente, a entrevista abdicou dois temas bem sinalizados de sua vida: o violão quebrado e Glauber Rocha. Em quase duas horas de conversa, Sérgio Ricardo fumou, gargalhou, entregou mágoas, ansiedades e uma certeza: do alto de seus 76 anos de idade, faria tudo de novo, do mesmo jeito e pelos mesmos caminhos.

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