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Entrevistas de música brasileira

Ritchie

Ritchie-940

Ritchie

parte 21/21

Pô, foi um barato!

Tacioli – Ritchie…
Ritchie – Tá bom, já cansou. Daqui a pouco vou começar a falar besteira mesmo, hein? [risos]
Tacioli –Se deixar, nós não paramos mais. [risos]
Ritchie – E se me deixam falar, então… Já esgotei meu repertório.
Keka – Você deve estar morrendo de fome.
Ritchie – Mas acho que está muito bom.
Tacioli – Muito obrigado.
Ritchie – Pô, foi um barato. Adorei esse papo, uma entrevista assim… Não sei a quantas mãos… É diferente, né? E o site está muito bacana.
Monteiro – Se você quiser dar umas sugestões…
Ritchie – Ah, imagina. [risos] Acho que está tudo certo. O enfoque… Vocês têm um enfoque da música mais tradicional ou não, necessariamente?
Tacioli – O único recorte é a música brasileira.
Ritchie – Então sou um estranho no ninho.
Tacioli – Não, é música feita no Brasil.
Ritchie – Ah, pronto. Sou um artista brasileiro. Sou mesmo.
Tacioli – Quando tiver umas 40 entrevistas no ar e as pessoas forem ler, poderão compreender um pouco dos vários momentos da produção musical no Brasil. É isso que a gente acha interessante.
Ritchie – Claro.
Monteiro – O que a gente tenta, humildemente, fazer também é justamente isso. Não quero falar com o Ritchie que está lançando o Auto-fidelidade. Você é maior que o disco. [risos]
Ritchie – Legal isso, porque estou dando somente entrevistas sobre o disco, disco, disco. E é muito mais legal quando você tem uma oportunidade de viajar um pouquinho. Pensar, analisar as coisas de uma forma mais objetiva, menos de produto, vendas e tocar no rádio. É tudo meio chatinho. Adorei essa entrevista. Bem diferente de todas que tenho feito. [ri]
Tacioli – Bacana. Obrigado pela oportunidade.
Keka – Posso pegar uma batatinha? [risos]
Ritchie – Por favor. Mas está horrivelmente fria.
Keka – Ia lhe perguntar antes, mas é que bateu uma fome agora.
Ritchie – Você quer um sanduíche ou uma coisa assim?
Keka – Não. A gente vai sair e eu como.
Monteiro – Ritchie, “Vôo do coração” foi responsável pela minha primeira conquista amorosa?
Ritchie – Ah, então fui bem-sucedido!
Monteiro – Foi na roda-gigante de uma parque de diversões. Eu estava apaixonado por uma menina, mas não havia gancho. Já havia comprado o vinil e sabia todas as músicas de cor.
Ritchie – “Vôo do coração” é tiro e queda! [risos]
Monteiro – E ela, “Ouvi uma música linda tocando no rádio, mas eu não sei a letra”. Opa, “Eu sei a letra!”. Aí fui cantando a música e ela foi anotando. E lá no parque de diversões, qual música estava tocando no auto-falante?
Ritchie – Tá brincando?!
Monteiro – [cantarola a introdução] Já era! [risos]
Ritchie – São as coincidências da vida. Steve Hackett na guitarra. Solo sensacional! Ele disse que foi o melhor solo que já fez. “Nunca fiz um solo tão inspirado”, ele disse.
Monteiro – Sabe que eu gravava isso em K-7 e ficava ouvindo o solo várias vezes.
Ritchie – É muito bom mesmo. O Marcelo [Sussekind] está tentando tirá-lo, mas ele não sabe que o Steve gravou a guitarra seis vezes dobrada. Igual, igual, mas é tudo dobrado. Quero dizer, tem duas partes, mas cada uma delas ele gravou seis vezes numa mesa de 8 canais!
Roger – Ah, foram seis somados! Não foram seis takes.
Ritchie – Foram seis somados pra fazer aquela massa sonora. É impressionante! O Steve tem umas coisas muito engraçadas. A gente estava no estúdio para gravar “Meantime”, que é um poema do Fernando Pessoa [lançado em Loucura & mágica, PolyGram, 1987], que gravei em 1980 e não-sei-quantos. Ele ia fazer as guitarras. Estava lá no estúdio. Todos em volta dele para ouvir a guitarra, o som. Aí ele, “Quando vocês acharem que está bom, falem”. Imagina. “Tá bom, tá bom!” “Então, pode microfonar”. Aí veio o técnico com o microfone junto ao amplificador. “Não, não, o microfone tem que estar aqui, onde está o meu ouvido”. [risos] Nunca vi microfonarem assim! O amplificador estava ali, mas pra ele o som estava bom em outro lugar. Sonzaço!

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