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Entrevistas de música brasileira

Ritchie

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Ritchie

parte 1/21

Fui o primeiro a gravar no Brasil utilizando Midi

[Ritchie fala enquanto a equipe se acomoda e prepara o equipamento de gravação]

Ritchie – É muito complicado você tocar ao vivo na televisão [n.e. Referindo-se a uma apresentação de seu novo trabalho, Auto-fidelidade, em um programa de TV]. Por mais que você cerque o som de cuidados, na hora em que a pessoa vai ouvir, vai ouvir naquele alto-falantezinho da televisão. É sempre difícil você conciliar isso. Eu fiquei surpreso como saiu bem o som, parecia um disco, mesmo. Estou com uma banda maravilhosa.
Ricardo Tacioli – Quem está na banda?
Ritchie – Marcelo Sussekind na guitarra, Dunga no baixo. São todos do Rio, mas são músicos de mão cheia. O Marcelo é meu contemporâneo e é, talvez, o produtor mais requisitado na área de pop rock. Ele fez Capital Inicial, Ira!… Um monte de gente. Vem fazendo há muito tempo. Era guitarrista do Herva Doce [n.e. Grupo carioca formado no início da década de 80 e dono dos sucessos “Amante profissional” e “Venenosa”]. Fiquei muito surpreso, porque ele tocou no disco. Eu não imaginava que ele fosse se interessar… Nem cheguei a fazer o convite para tocar ao vivo. Aí, no dia da masterização do disco, ele estava sentado no sofá, esperando eu chegar. Cheguei e ele disse, “Só quero saber de uma coisa: quando a gente começa a ensaiar?” Falei, “Mas como assim?” “Ah, eu não vou deixar mais ninguém tocar nesse show, não!” Fiquei muito feliz, porque ele é uma pessoa muito requisitada no meio e ele está se dedicando de corpo e alma a esse projeto. Ele, o Dunga. O baterista do disco é Renato Massa. Muito bom, o professor Renato Massa.
Flávio Monteiro – Como você sentiu as músicas ao vivo?
Ritchie – Estão ótimas, porque é um disco de rock’n’roll. É um disco muito simples… Foi simples gravar. É simples reproduzi-lo. Não há altas tecnologias para lidar. É somente violão, guitarra, baixo, bateria e um órgão Hammond. Então, é muito pouca coisa que pode interferir. Sempre fiz discos carregados de novas tecnologias. Sinto-me um pouco precursor nessa área. Fui a primeira pessoa a gravar no Brasil, em 1986, utilizando a tecnologia MIDI, que é uma tecnologia de música… Musical Instruments Digital Interface. É uma linguagem, um protocolo tecnológico para se fazer música e ligar instrumentos digitais entre si. Ele foi inventado em 1985 e, em 1986, eu já estava gravando com essa tecnologia no Brasil. Hoje em dia já é uma tecnologia ultrapassada, não interessa muito, mas ela imigrou para Internet, que é uma área em que atuo. Passei esses 12 anos, na verdade, fazendo computação, informática e me aprimorando como programador de Java Script e no Dynamic HTML. E em 1999, recebi um convite para trabalhar no Silicon Valley (Califórnia), com Thomas Dolby. Sonorizei o site do Yahoo lá fora, e do Beatnik, que é uma empresa de áudio interativo e, desde então, recebo muitos convites desse pessoal para fazer trabalhos de sonorização. Trabalho como consultor da Usina do Som, aqui em São Paulo. Desenvolvo software musical pra eles. Quero dizer, paralelo a essa minha vida musical de cantor, eu tenho essa coisa que, na verdade, é o meu xodó, é o que mais gosto de fazer.

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