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Entrevistas de música brasileira

Ritchie

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Ritchie

parte 0/21

Essa é pra tocar no rádio

Não gosto de hotéis, tudo no lugar certo, na hora certa, arrumadinho. A simpatia e os sorrisos calculados dos funcionários. O entra-e-sai de malas nos lembrando sempre de que estamos somente de passagem pelos hotéis e pela vida…

Pensando bem, talvez esse seja o local ideal para essa jornada, afinal o assunto é música pop, com “p” de passageira.

Hotel em São Paulo… e lá vem ele. Achei que era mais alto. Achei que, depois de tantos anos de estrada, fosse menos tímido. Não sabia que os olhos eram tão verdes. E, não fosse o sotaque inglês carregadíssimo, mesmo com mais de 30 anos de Brasil, passaria por um cidadão comum como esses que se vê na rua.

E foi ali, entre batatas fritas e sucos de laranja, que o papo rolou. E rolou fácil. O que emergiu foi uma pessoa apaixonada pela música, pela vida e pelo Brasil. Chacrinha, o Velho Guerreiro, teclados Cassiotone (“Menina veneno” foi composta num desses em apenas 20 minutos!), presidentes tubarões de grandes gravadoras com coração (um deles chorava copiosamente ao ouvir o megahit “Transas”). O pop brasileiro deve muito a Ritchie.

De minha parte, posso dizer que o Menino Veneno e suas canções me acompanharam em momentos-chave de minha pré-adolescência. No caminho para o meu primeiro emprego com registro em carteira, pedalando feliz a minha Monareta, cantarolava “A vida tem dessas coisas” (duas vezes, que era o tempo exato para se chegar ao trabalho). “Vôo de coração” deu uma tremenda força em minha primeira conquista amorosa (no primeiro beijo era ela que tocava no alto-falante da roda-gigante, em Itapetininga).

Pensando bem, essa entrevista de pop não deveria ser em um hotel, e sim em um pub inglês com “p” de para sempre. Ladies and gentlemen, Gafieiras presents Richard David Court.

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