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Entrevistas de música brasileira

Raul de Souza

O trombonista Raul de Souza. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Raul de Souza

parte 22/22

O conselho do Jamelão? Esqueci...

Tacioli – Aquele conselho do Jamelão…
Raul – Aquele eu esqueci… [ risos ] Aquilo de muito moderno, pelo amor de Deus. Ele quis me ajudar, pedindo para eu tocar uma música mais comercial, não tão complicada para o ouvinte… Pra mim, que estava vindo de Bangu, não queria nem saber. Se o pessoal de Bangu aplaude, o daqui também vai aplaudir. Na minha cabeça todo mundo é igual, todo mundo escuta a mesma música, gosta da mesma música, não tem diferença.
Tacioli – Mas como você equilibra o gosto do ouvinte e aquele que você sente? Como isso funciona, por exemplo, quando você vai gravar um disco?
Raul – Gravar é completamente diferente de tocar ao vivo. Ao vivo você tem mais liberdade. Na gravação, você tem que saber medir pelo tempo. Antigamente, não. Coltrane tem um solo de 28 minutos. Tem um disco inteiro somente com duas músicas… Pra usar todo o sistema que ele estudou. Aí você vê a autocriação da improvisação. Essa música de um lado do disco só já começa [ sola ] “pó, pó, pó, turanruranruran! / pó, pó, pó, turanruranruran!”. São só quatro compasso de uma música que tem umas oito harmonias. [ solfeja rapidamente batendo a mão na coxa ] O coitado do McCoy [ McCoy Tyner, pianista do quarteto de Coltrane] dava quatro e ficava assim centrado. [ risos ] “Deixa ele aí…” E o Elvis Jones [ baterista ] sorrindo como o Robertinho… Vocês viram o filme? O baixista – louco! – sem sem parar, metendo o pau. Igual esse aí, não vai aparecer nunca, nunca, nunca. Pode tocar bem. Tem vários caras tocando saxofone-tenor bem nos Estados Unidos, inclusive o filho dele, o Ravi, mas não chega lá… O Marsalis toca bem pra burro, mas não chega. Porque não adianta, é o cara, o fundador, o cara que inventou … bom, o que a minha empresaria está querendo dizer, está batendo palma…

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Música instrumental
Raul de Souza
de 22