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Entrevistas de música brasileira

Raul de Souza

O trombonista Raul de Souza. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Raul de Souza

parte 20/22

O trompete é inimigo do trombone, que é inimigo do saxofone

Tacioli – Você falou do improviso, que improvisava bastante e que isso era uma das suas marcas. Esse virtuosismo, em algum momento aqui no Brasil, causou um isolamento, das pessoas dizerem “O Raul é diferente; vamos deixá-lo de lado.” Houve esse tipo de coisa?
Raul – Teve, e desde 56, depois do prêmio do Cazé. [ n.e. 1932-1978 | Saxofonista e clarinetista que trabalhou com figuras como Dick Farney, Jongo Trio e Sylvio Mazzuca, além de ter formado o grupo Casé & Seu Conjunto na década de 1960 ] Pra mim, melhor, tudo bem. Estou estudando, isso é um prêmio, né, como nota 5, “Fica no trono!”.
Tacioli – Isso existe hoje ainda?
Raul – Não, hoje em dia há um reconhecimento. Muito reconhecimento pelo que provei como músico tocando saxofone, tocando flugelhorn – nesse CD toco flugelhorn. No mundo existe um suíço ou alemão que, se não me engano, toca trombone-tenor, saxofone e flugelhorn ou trompete. Somente dois no mundo! E isso por causa de embocadura e da sensibilidade. Nenhum instrumento tem a ver com o outro. São todos inimigos! Trompete é inimigo do trombone; o trombone é inimigo do saxofone, e assim vai. Cada instrumento uma cabeça diferente, uma maneira de interpretar, de tocar, de tudo. Eu, agora, estou tocando saxofone-barítono, que veio a calhar porque é a minha voz [ risos ]; sou barítono. Saxofone-alto e tenor, tudo bem, trompete, tudo bem, mas não é o que eu gostaria de ouvir. O saxofone é pesado, seis quilos, mas não tô nem aí. Penduro aqui e vamos nessa! Dá um nó aqui no dedo, porque é muito grande, comprido. É desconfortável porque é grande. Os seis quilos você esquece, o negócio é tocar. Quanto mais tocar diminui os quilos: quatro e meio, três… [ risos ] Tem que pensar em diminuir, não em aumentar. É o maior barato!

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Música instrumental
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