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Entrevistas de música brasileira

Raul de Souza

O trombonista Raul de Souza. Foto: Henrique Parra/Gafieiras

Raul de Souza

parte 10/22

Tomava duas, três bolinhas pra ficar ligado

Max – Raul, sua memória é muito boa, você lembra de datas e de muitos detalhes…
Raul – Graças a Deus. Você não imagina o que passou por aqui…
Max – E como é sua relação com o passado? É uma relação de saudades?
Raul – De saudades, é uma coisa interessante…
Almeida – Não parece, você não demonstra isso, de dizer “Aquilo lá era bom…”.
Raul – Tem essa coisa no subconsciente, mas já passei por tantas outras bem melhores depois disso, que deixei pra trás. Logicamente, momentos fantásticos, momento de noitada, de tomar duas, três bolinhas pra ficar ligado, e vamos embora, outra noite, outra noite. Trocava de camisa e cueca e continuava. Vários dias assim na rua, porque não queria perder o que estava acontecendo, diariamente. No Rio, primeiro, e depois em São Paulo. Conheci São Paulo em 56 num festival no Teatro Cultura Artística. E conheci São Paulo naquele ano com o Paulo Moura, João Donato, Edison Machado (bateria), Luís Marim (contrabaixo) e o Wagner (trompete). Jazz, nada a ver com samba.
Tacioli – Foi a primeira vez?
Raul – Primeira vez, e acho que foi o primeiro concerto de jazz em São Paulo. Parece, não sei bem. Aí conheci o Edson Maciel [ n.e. Trombonista, também conhecido como “Maciel Maluco”, foi integrante da Orquestra Tabajara ], que tocou comigo e que participou do Sergio Mendes & Bossa Rio. Ficamos amigos desde o primeiro dia, desde a primeira nota. “Pa-pá”, ficamos amigos. Depois deu uma discussão danada… Chamava meu trombone de máquina de escrever. “Você com essa merda de máquina de escrever”, porque era muita nota, e ele era mais delicado na idéia. Eu não queria saber! Chegava o meu solo e eu “Pu-á!”… Eu antecipava o solo, “pum”, caía no solo. Ele ficava doido! Me chamava de “meu irmão mais novo”, “Você é meu irmão mais novo!”.

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Música instrumental
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