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Entrevistas de música brasileira

Palavra Cantada

Palavra Cantada. Foto: Max Eluard/Gafieiras

Palavra Cantada

parte 8/27

Queremos mostrar o que tem de lúdico e de riqueza no palco

Gafieiras  E de que forma a publicidade pré-Palavra Cantada ajudou a formatar a música de vocês?
Sandra – A publicidade na Palavra Cantada, não.
Gafieiras – Não, o trabalho de vocês com a produção publicitária antes da Palavra.
Paulo – Esse trabalho de produção que a gente fazia antes da Palavra Cantada era mais instrumental. A gente fazia muita música instrumental.
Sandra – Vídeo, programas.
Paulo – Fundo, aí com a canção, aí já entra uma outra coisa, já muda a linguagem, e você começa a pensar… O tipo de melodia é diferente, você já pensa em palavras sendo ditas naquela melodia. Pra mim é bem diferente. Eu já tinha toda uma vivência como o grupo Rumo, durante 10 anos fazia canção, mexia com isso. Para Sandra, que não tinha tanto essa vivência de compor uma melodia pensando em canção, sei lá, 50% do que ela desenvolvia cabia numa canção, e algumas coisas não se encaixavam muito bem no formato canção, como foi no começo com o Canções de ninar, com oCanções de brincar.
Gafieiras  E como foi isso?
Sandra – Eu fui aprendendo…
Paulo – Como ela fazia muito, jogava-se 50% fora, e ainda sobrava bastante.
Sandra – Fui aprendendo com o Paulo, fui aprendendo mesmo…
Paulo – Com a prática.
Sandra – Aprendendo o que é uma canção, porque estudei música clássica. As minhas composições sempre foram assim, não grandiosamente falando, mas mais cinematográficas. Sempre tinha uma imagem, sempre gostei dessa coisa. Eu sempre faço pensando numa imagem, até num arranjo, até numa coisa para um show. Eu já penso assim: puxa, para essa música eu podia pensar em um arranjo a quatro mãos… Você lembra da professora, daquela coisa, ou pelo menos dos pais, essa coisa de tocar a dois num piano. Eu tenho muita vontade. Penso o tempo inteiro! O que eu faço é pela imagem.
Paulo – Quando é pra fazer show, penso um pouco na imagem que aquela música vai render. Por exemplo: um instrumento de percussão que venha pra frente, pra tocar um negócio mais perto das crianças, e elas olharem aquele instrumento que é diferente. Aliás, em shows dava pra fazer mais coisas, como um rodízio de gente caso não houvesse o problema de microfonação. Esse monte de fio tira o embalo. A gente procura, mas fica meio tímido e, de repente, vem alguém na frente, põe o microfone, mas não dá para, às vezes, o cara que está tocando vir andado. Você dependeria de ter todos os microfones sem fio, o que é difícil pelo custo.
Sandra – Ou uma saída que a gente ainda não conseguiu seria ter vídeo-cenário, ter câmeras, pessoas que trabalham com câmeras…
Paulo – Para mostrar…
Sandra – Pra mostrar na tela atrás, mas é uma coisa que a gente não conseguiu ainda. Conseguimos o primeiro patrocínio, da Petrobras, no décimo CD que a gente lançou agora, em abril. Não temos uma retaguarda pra bancar as nossas idéias.
Gafieiras  Vocês não acham que esse recurso seria um artifício?
Paulo – Não, porque esse recurso que a gente está falando é dar um close no que o músico está tocando, aumentar isso, mostrar o que está acontecendo no palco. Não gostaríamos de passar um clipe, de criar uma imagem, uma história, desenhos animados, teatrinho. Nada disso! Excluímos tudo isso! Ficamos somente com a música. A gente quer mostrar o que tem de lúdico, de riqueza no palco com as pessoas fazendo, cantando. Então, um close mostraria para a criança o cara tocando um reco-reco; ela ouviria o som daquilo. E é muito legal, porque a gente já tem mil respostas disso, de show, que é o encantamento que a criança tem por uma coisa que está de verdade acontecendo.

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Grupo Rumo
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