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Entrevistas de música brasileira

Palavra Cantada

Palavra Cantada. Foto: Max Eluard/Gafieiras

Palavra Cantada

parte 21/27

Faço dança clássica indiana há 13 anos

Gafieiras – Sandra, você acha que levaria essa postura  sempre desnuda, sem máscara, em que procura trabalhar a sua essência – para o trabalho adulto?
Sandra – Sem dúvida, por que não? Quando você tem um compromisso… Os meus valores estão ligados à honestidade, à integridade. É como eu apoio a minha vida. E eu tenho umas idéias loucas: tenho vontade de dançar ao relento, sabe, tenho umas idéias. Essa semana falei: “Nossa, já pensou uma coisa com esqueleto, assim, que tenha uma luz?”, porque tudo o que penso é com imagem. Uma das coisas mais lindas que vi de imagem, vi num filminho da Bienal de Veneza há uns 2 anos, que foi daquele fotógrafo-cinegrafista, não lembro o sobrenome dele. Ele fez um filme inteiro com animais e humanos dentro de lugares, não sei se vocês viram isso, uma das coisas mais absurdas… Recentemente saiu uma matéria imensa na Veja. Fizeram um galpão de 4 mil metros num pier, em Nova York, fizeram um negócio enorme. E eles tinham uns filmes e tudo, com uma bailarina absurda, maravilhosa, dançando com uma baleia debaixo d’água, elefantes, uma mulher dançando com uma águia também. Um trabalho lindo! E nessa reportagem falava que, possivelmente, ele viria ao Brasil. Mas eu gosto dessa coisa da imagem. Sempre fiz fotografia. Sempre fui ligada a isso.
Gafieiras  Mas você já se expressou com imagem em algum trabalho profissional?
Sandra – Não.
Paulo – A Sandra é a fotógrafa do Canções do Brasil.
Sandra – Tem muita música que eu faço a partir de uma imagem. Já fiz muitas músicas assim.
Gafieiras – Mas não de produzir essa imagem, de criar essa imagem?
Sandra – Não de produzir. Ela está aqui e eu vejo aquilo e imagino uma história de uma música pra aquilo. Isso acontece o tempo inteiro comigo. É como eu faço música. Mas sou muito apaixonada pela dança. Também tenho vontade de fazer alguma coisa pra dança, mas nunca recebi nenhum convite. Existe uma coisa que é um pouco contraditória na minha vida: eu trabalho na Palavra Cantada, já faço isso há muito tempo, todo mundo me conhece, gostam da minha performance, mas nunca tive nenhum convite “Você não quer cantar aqui, não-sei-o-quê?” E eu conheço bastante gente. A sensação que tenho é de que eu pertença, dentro da cabeça das pessoas, somente a um mundo. Até esses dias eu saí com a Alice [Ruiz] e cantávamos uma música que a gente gosta – eu, ela e a Alzira… Falando isso, como a gente fica refém…
Gafieiras – Como você gostaria de ser reconhecida?
Sandra  [pausa e risos] Não sei.
Paulo – A pessoa que quer, tem que buscar e falar: “Nossa, a Sandra está dando um show com músicas de adulto”. Aí vai criando, vai…
Sandra – Não gosto muito dessa coisa de título, porque acho que quando você espalha uma semente, a planta vai tomar a forma que for. Eu, por exemplo, faço dança clássica indiana há 13 anos, e é um negócio que é muito meu. Eu não me apresento. É uma coisa devocional, tem a ver com aquela boneca ali, que eu faço. E é com essa indumentária, inclusive. Eu falo que a música e o Odissi, que é o nome dessa modalidade artística, são minhas religiões, porque são as coisas que me fazem voltar pra casa. E isso é uma coisa que ninguém sabe, que eu estudo dança clássica indiana há muito tempo. Nesse show eu coloquei umas coisinhas, fazer uns pés no chão novo, que tem muito pé, muita percussão com os pés, com os guizos. Finalmente eu consegui pôr alguma coisinha. Mas eu não sei… [sobre o fato de como gostaria de ser reconhecida] Assim que eu souber, vocês serão os segundos a saberem. A primeira serei eu.

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